Cohousing sênior: uma forma de morar

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ENTREVISTA
Com Bento da Costa Carvalho Júnior, 74 e Neusa da Costa Carvalho,72, são estudiosos de cohousing e envelhecimento desde 2013. Bento é engenheiro de alimentos e professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) aposentado e integrou várias diretorias da Associação de Docentes daquela instituição (ADUNICAMP). Neusa é professora aposentada de Inglês e Português de uma instituição reconhecida de Ensino Médio. Ambos participaram do Grupo de Trabalho sobre Moradia da Adunicamp; como tal participaram da proposta de cohousing sênior “Vila ConViver”. Ambos fazem parte do grupo responsável pela implantação do site brasileiro https://www.cohousingemrede.com.br
MRF – Em linhas gerais vocês poderiam explicar o que é “cohousing”?
BCCJ/NCC – É um tipo de comunidade residencial construída por um projeto arquitetônico definido pelos próprios moradores, dotado de facilidades e serviços comuns e caracterizada por um gerenciamento participativo e não hierárquico com vistas a garantir uma melhor qualidade de vida, saúde e longevidade.
Nesse tipo de moradia, na etapa de definição do programa de necessidades para a elaboração do projeto arquitetônico, busca-se prever uma ampla gama de espaços onde ocorrerão atividades que promovam interação entre os moradores. Praticamente a totalidade dessas atividades têm por objetivo promover a formação de laços e vínculos, o desenvolvimento cognitivo continuado e a manutenção da saúde física por meio de alimentação saudável, exercícios físicos e sono de qualidade. A integração do paisagismo à arquitetura física da “cohousing” visa a criação de um conjunto que integre os moradores e a natureza à espiritualidade.
É através desse projeto intencional, que promove a interação na comunidade ao longo dos dias e anos, que se forma o capital social, traduzido em solidariedade e apoio mútuo entre os moradores.
O projeto arquitetônico, geralmente, é constituído pelas moradias individuas, uma casa comum (com cozinha, refeitório, academia ou sala de exercícios físicos, oficinas variadas, salas de atividades, lavanderia e outros ambientes de interesse), quartos/apartamentos para hóspedes, estacionamento, jardins e paisagismo estimulante.
MRF – Quais a suas vantagens quando comparada a outros estilos de moradia para idosos? Já há dados estatísticos; vocês poderiam nos informar dos mais importantes?
BCCJ/NCC – As principais vantagens desse tipo de moradia intencional são a qualidade de vida, a longevidade de seus moradores e a redução dos custos com manutenção da saúde.
Pelo exposto, verifica-se que é um estilo que provê privacidade e individualidade; segurança e vigilância contínuas, proteção e apoio, vida social e interações multigeracionais na medida das necessidades individuais, estímulos cognitivos e sensoriais e auxílio à manutenção das necessidades básicas com foco na saúde e bem estar.
Estudos feitos na Dinamarca mostraram que moradores de “cohousing” viviam em média seis anos a mais que a média da população, iam menos a médicos e tomavam menos medicamentos, economizando mais de trinta mil dólares/morador/ano para o sistema de saúde dinamarquês.
MRF – Para se conseguir organizar um cohousing é necessária a construção da infraestrutura ou pode-se aproveitar estruturas (prédios ou condomínios)já existentes?
BCCJ/NCC – Como se trata é uma comunidade residencial intencional significa que todos os seus moradores optaram por viver esse modelo. Parte deles vai viver o modelo intensamente, parte vai desfrutar os aspectos que mais lhes atraem.
Desde que assim decidam, os moradores de um condomínio, horizontal ou vertical já existente, podem, como numa “cohousing”, usufruir das facilidades disponíveis nos condomínios para uma interação social mais intensa, ou mesmo implantar outras facilidades não previstas originalmente.
Hoje já temos no Brasil empresas com histórico comprovado no design de convívio em condomínios e comunidades.
MRF – Quais as principais iniciativas brasileiras e onde elas se encontram?
BCJ/N – Atualmente, temos conhecimento de vinte e oito grupos trabalhando para implantar “cohousing” no Brasil, em áreas urbanas, suburbanas e rurais, na praia e na montanha. Esses grupos estão distribuídos pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Sergipe.
MRF – É muito difícil organizar uma “cohousing”?
BCCJ/NCC – A primeira “cohousing” sênior foi inaugurada em 1987, na Dinamarca, quinze anos depois da implantação da primeira “cohousing” multigeracional implantada nesse país. Nessa época, a implantação dessa modalidade de moradia podia demorar 8 anos ou mais e cerca de 80% dos grupos acabavam desistindo. Em 1995 um instituto de pesquisas dinamarquês sobre o bem-estar desenvolveu uma metodologia para diminuir o tempo de implantação desse tipo de comunidade.
Hoje, nos Estados Unidos, o tempo de implantação das comunidades mais eficazes é da ordem de três anos, graças à existência de arquitetos e facilitadores experientes com o modelo.
Com o objetivo de divulgar as experiências acumuladas no exterior por grupos que implantaram “cohousing” e acelerar a implantação desse tipo de comunidade no Brasil, foi lançado recentemente o site www.cohousingemrede.com.br.

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