Podemos criar um futuro melhor.

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As pessoas atentas ao futuro das novas gerações se perguntam se os atuais bilhões de seres humanos e seus líderes estão construindo um futuro melhor, ou se caminhamos para novos desastres. Em que mundo viverão os que hoje têm vinte anos, e seus filhos? E como poderemos chegar a cada novo ano, década ou mesmo século, vencendo as dificuldades do caminho?

A atual pandemia está mostrando o poder da ciência e da tecnologia para produzir soluções. Milhões de pessoas, entre pesquisadores, médicos e enfermeiros, engenheiros, técnicos, gestores e estrategistas de empresas e de governos identificam necessidades e oportunidades, criam soluções e fazem descobertas que já colocaram alguns países em posição privilegiada, voltando à normalidade anterior. Mas em muitos outros, como no Brasil, as mortes continuam aos milhares, por dia, e os contaminados estão cada vez mais próximos de cada um dos sobreviventes.

E depois? A pandemia não terminará a história humana. Por isso mesmo, muitos outros milhões de pessoas, incluindo pesquisadores, engenheiros, técnicos, empreendedores, gestores e estrategistas de empresas e de governos identificam noivas necessidades e oportunidades, criam soluções procuram descobrir como o trabalho feito hoje pode levar cada vez mais pessoas a viver dentro em um padrão mais feliz e mais sustentável

O futuro está à nossa frente, daqui a um, cinco, cem ou mais anos. Para olhar adiante, devemos responder duas grandes questões: Primeiro, que mundo queremos construir? E como nos prepararmos para as grandes mudanças que surgem no caminho: as novas doenças, as mudanças climáticas seja as naturais como o El Niño, sejam as mudanças provocadas por humanos ou ainda causadas por grandes erupções vulcânicas, que não sabemos prever?

Para encarar esses problemas foi realizado o Nobel Summit, em 26-28 de abril de 2021. Foi um grande esforço de análise, de tomada de consciência e de proposição de caminhos em escala global. Foi apresentado pela Fundação Nobel, organizado pela Academia de Ciências dos Estados Unidos e vários parceiros: o Instituto Potsdam de Pesquisa sobre os Impactos do Clima, o Centro de Resiliência de Estocolmo e o Instituto Beijer de Economia Ecológica. O lema da reunião foi: Nosso Planeta, Nosso Futuro. Os apresentadores foram pessoas destacadas em ciência e tecnologia, em empresas, políticos e figuras públicas como o Dalai Lama, descrevendo os riscos atuais e apresentando propostas para que ao menos tentemos construir um futuro melhor.

Foi notável a ausência de discursos político-partidários, ou de posições confessionais, que levam muitas pessoas a decidir baseadas em dogmas, rótulos e em reações epidérmicas, mais do que baseadas na sua razão, intuição e emoções positivas.

Uma sessão foi dedicada à ciência dos próximos 75 anos, lembrando a frase de Vannevar Bush, em 1945: “Uma nação que depende de outros para seu novo conhecimento científico básico será lenta em seu progresso industrial e fraca em sua posição competitiva, independentemente de sua habilidade mecânica.” Há muitos exemplos do acerto desta frase, e a situação do Brasil na atual pandemia é um deles, que nos toca profundamente. O que sofremos no último ano e meio foram as consequências da desindustrialização do país e da falta de programas de desenvolvimento científico e tecnológico sólidos – apesar de ter havido abundância de recursos, em muitos anos.¬¬¬

O relato desta sessão conclui com quatro pontos, apresentados por Marcia McNutt, Presidente da National Academy of Sciences. O primeiro trata da formação e mentoria dos alunos. Lembra que muitos cientistas e engenheiros atuais foram atraídos para a ciência pelas grandes realizações das décadas de 1950 e 1960, e particularmente pelo programa Apollo: “Vimos Neil Armstrong caminhar na Lua, e tenho certeza de que há muitos nesta sala que podem recitar as palavras que Neil Armstrong disse quando deu seus primeiros passos na Lua.” Isso mostra que a ciência precisa de novos projetos mais excitantes para atrair jovens para a pesquisa. Além disso, a ciência precisa se preparar e alcançar a todos, não apenas beneficiar alguns grupos. Por sua vez, a criação de uma força de trabalho diversificada requer mudar o modelo da pós-graduação, que um dos debatedores chamou de “servidão contratada” (indentured servitude), para que mais alunos permaneçam na ciência em vez de partir para outras áreas.

O documento também pede maior aproximação da ciência com o público, lembrando que no passado recente cientistas poderiam ser desprezados por colegas, quando se aplicavam à comunicação pública. Essa atitude começou a mudar, mas os cientistas precisam fazer muito mais, precisam se envolver em duas direções, falando mas também ouvindo o que as pessoas leigas pensam e do que precisam. Segundo McNutt, é preciso ganhar a confiança do público. Essa posição foi apoiada por outros participantes do Summit. O terceiro ponto trata do portfólio de pesquisa, que deve incluir projetos de alto risco embora esses possam fracassar. Entretanto, muitos fracassos já levaram a novos entendimentos, a novos aprendizados que ninguém havia antecipado. Como o fracasso de um financiamento é muito temido pelas agências de governo, especialmente quando o dinheiro está apertado, as agências acabam fomentando “mais do mesmo”. É difícil decidir sobre o que deve ser financiado: pessoas ou projetos? Esse é um problema complexo, com muitos conflitos de opinião. (Independente das várias posições, considero que, no Brasil, devem ser financiados projetos que nos permitam atingir os ODS, objetivos do desenvolvimento sustentável da ONU, executados por pesquisadores comprometidos com resultados que façam sentido para o público, além dos próprios cientistas). Algumas pessoas estão convencidas de que a ciência e a tecnologia não são boas para eles e por isso mesmo a ciência precisa ser muito mais inclusiva, distribuída e participativa.

Vários outros participantes fizeram perguntas muito importantes. Rafael Reif, presidente do Massachussets Institute of Technology, o MIT, também destacou pontos em que a prática de pesquisa deve mudar. O primeiro é a necessidade de um rápido progresso na formação do capital humano, tornando acessível educação de alta qualidade em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, para o maior número possível de estudantes. Também destacou a necessidade de focalizar melhor o trabalho nos campos críticos da tecnologia. Segundo ele, os Estados Unidos perdem competitividade em muitos campos importantes por falta de ações articuladas entre universidades, indústria e governo. Finalmente, ele destacou a necessidade de se encontrar novas maneiras de facilitar e acelerar a transferência de tecnologia, dos laboratórios para o mercado.

Toda essa discussão foi feita entre norte-americanos, pensando na situação do seu país – que é muito diferente da nossa. Não temos feito discussões que tenham o mesmo alcance para tratar de nossos problemas, de forma abrangente, há muitas décadas. Mas a pandemia criou a oportunidade de realização de um grande número de webinários, simpósios e congressos virtuais, acessíveis gratuitamente pela internet. Não podendo confraternizar, festejar, sair e viajar como gostaríamos, podemos fazer algo que é gratuito e pode nos levar adiante: podemos pensar, ouvir outras pessoas e falar com elas. Isso pode criar entendimento que nos ajudará a decidir do que precisamos, para viver melhor. O momento atual é excelente para decidirmos quais conhecimentos e quais tecnologias precisamos criar, para criarmos um futuro mais feliz.

Para ler mais:
O texto completo da sessão “The Endless Frontier: The Next 75 Years in Science”do Nobel Summit: pode ser baixado do seguinte endereço:
https://www.nap.edu/download/25990

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