O encalhe do EVER GIVEN

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 O Ever Given, navegando com bandeira do Panamá (com fins fiscais), pertence à empresa japonesa Shoei Kisen KK, responsável pela carga desde o embarque até a entrega no destino final, respondendo por perdas e danos. Apesar de pertencer à japonesa Shoei Kisen, a enorme embarcação circula a serviço da empresa Evergreen Marine de Taiwan, agindo como um agente de fretamento de cargas, locando espaço na embarcação.

     A enorme embarcação, construída em 2018, tem 400 metros (1312 pés) de comprimento, correspondendo mais ou menos a 4 campos de futebol enfileirados e uma largura de 59 metros. Pode transportar até 20.000 containers, com capacidade de peso até 224.000 toneladas.

     O Ever Given fazia o trajeto Singapura – Rotterdam na Holanda, levando carga principalmente da China com destino à Europa. Na terça-feira, após entrar no Golfo de Suez com destino ao Mediterrâneo, teve problemas mecânicos que somados a uma tempestade de areia e ventos fortes fez com que a embarcação perdesse o controle e saísse da rota direta normal no interior do canal. O navio foi se embicando para a direita até que entalou entre as duas margens do canal, próximo do ponto inicial. Ficou numa posição obstruindo a livre circulação nos dois sentidos. Já mobilizou um verdadeiro exército para fazer que volte ao seu trajeto normal, como nove rebocadores que acompanham as embarcações, duas dragas para eliminar empecilhos e quatro escavadeiras agindo nas margens tentando soltar o navio. Até o momento, nada conseguiram. Faz três dias do ocorrido, a empresa japonesa afirma liberar até sábado (quatro dias), mas há previsões de entendidos que tal tarefa pode demorar mais alguns dias. Há formação de bancos de areia prendendo a embarcação como se fosse uma concretagem duma obra. Opinam da necessidade de tornar o navio mais leve, retirando containers para que suba o nível d’água, mas isso é dificultoso, tendo em vista a localidade, a falta de apoio como suporte e de uma possível utilização de helicópteros. O problema é sério.

     O tempo normal de circulação dentro do canal dura de 13 a 15 horas. Em média passa pelo canal 50-55 navios por dia. No ano de 2020 o governo egípcio, controlador e dono do canal, obteve receitas em torno de US$ 5,61 bilhões. As estatísticas dizem que aproximadamente 12% de todo tráfego mundial passa pelo Canal de Suez; 30% de todos os navios conduzindo containers circulam ali e só em 2020, 19.000 navios cruzaram suas águas.

     O Canal de Suez é um importante meio de ligação entre Europa e Ásia. Com um possível fechamento, o trânsito será obrigado a seguir o contorno da África, cruzando o Cabo da Boa Esperança, demorando em média 12 dias a mais no prazo. Há expectativa de atrasos, pois grande parte das cargas da maioria dos navios são matérias primas da indústria automobilística europeia e outras indústrias de bens, quase todas trabalhando no regime just-in-time, não mantendo, portanto, estoques de produtos.

   Não é a primeira vez que o canal de Suez, inaugurado em 1869, sofre um fechamento. A primeira entre 1956 e 1957 devido à Crise de Suez, também conhecida como a segunda guerra árabe-israelense. Fechou novamente em 1967, quando Israel ocupou a península do Sinai e não reabriu até 1975.

     Vamos acompanhar o desenrolar de mais esta novela. 

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