Relatório do Get There From Here

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Quinta-feira, o expediente já se aproximava do seu final. Era o último dia daquele fechamento mensal lá no Departamento de Motores da GE Santo André. O ano eu não sei ao certo quando, mas era final da década de 70. Toda equipe financeira já estava como que se preparando para dar uma relaxadinha, pois aquele fechamento tinha sido difícil e muitos problemas ocorreram exigindo uma rápida ação de toda equipe.
O MORANI comandando o Setor de Custos tinha agitado muito sua equipe. Era todo momento alguém correndo para analisar alguma ocorrência que tinha acontecido. O Cereguim, Carlos Rente, Bizão e outros tinham corrido de cá para lá, para atender ao que o chefe havia pedido. O pessoal de Custos já estava nesta quinta-feira “numa boa”. MORANI comemorava intimamente o bom desempenho de sua equipe junto ao chefão de todos, “o Roberto Batata”.
Mas, naquele ambiente alguém ainda quebrava cabeça nos números finais que seriam reportados ao pessoal do Bob Carlos. Menezes e sua reduzida equipe de Orçamentos ainda ultimavam dados a serem enviados ao Planejamento Financeiro – SP. O pessoal de São Paulo já estava cobrando. O due date já tinha passado. Era todo mês este estresse ao responsável por Orçamentos e Medições.
Neste mês que se encerrava as coisas não caminhavam bem para o Setor de Orçamentos: O Net Sales Billed tinha ficado 12% abaixo do Estimate. Já o Net Income tinha caído mais de 23% em relação ao Estimate, piorando em muito a situação. Além disso, havia enormes diferenças no Exchange Variation e grandes variações no Imputed Interest Base piorando os resultados do próximo mês. Havia muitas outras variações a serem explicadas detalhadamente ao Bob Carlos (Direct Material Cost – Direct Labor Cost – Applied IME Cost – Base Cost).
Neste momento Menezes prepara com urgência o Get There From Here, já está atrasado, e que deverá ser passado por telefone daqui a meia hora. Ele nem foi almoçar ainda, e olha que já são quatro horas da tarde. Está tenso, cara de poucos amigos e concentrado. Está difícil explicar o mau resultado mensal em poucas palavras, ainda por cima em inglês. Ele queima os neurônios que restaram, enquanto os demais da sala riem e ficam tirando o sarro uns dos outros.
Nisto MORANI surge abruptamente na porta de sua salinha e com aquele seu jeito gozador e matreiro diz em alto e bom som para todos ouvirem:
— Menezes fala uma bobagem!
Menezes sem tirar os olhos das planilhas que tem a sua frente, responde curto e grosso:
— O MORANI é um cara inteligente!
Euclides Bizão até cai da cadeira de tanta gargalhar.
Saudades daquele tempo…

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