Campo do Canindé

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— Você sabia que o campo de futebol da Portuguesa foi leiloado por R$ 74 milhões, para pagamentos de dívidas de futebol? — Assim Denise cutucava o filho, sobre conversas que ouvira no salão de beleza durante aquele dia.
O filho caçula de ZéKo, o Tiago — um corintiano convicto — fez de contas que não ouviu, continuando a comer. Estava com fome. Tinha andado muito naquele dia e não estava disposto a discutir futebol com a mãe, uma torcedora fanática e tinhosa de seu time adversário,… o Verdão. Tal qual seu pai.
— Você não viu?… Está em todos os canais, — repetiu ela. — Até o Neto está defendendo os dirigentes lusos. Qual a sua opinião?
Ele ainda não respondeu. Sabia ser a mãe uma ferrenha defensora deste antigo jogador do Corinthians e atual comentarista, conhecido por seus exageros. Ela defendia o Neto e em determinados momentos exagerava mais do que ele, era “baita” pra cá “baita” pra lá, ou esse jogador é o melhor do mundo, etc. etc. Coisas que só o Neto acredita. Sabemos que em todos os programas ele compara alguém com Leivinha ou Djalminha. Só para começar a contrariar a opinião dela soltou…
— Acho que eles têm é de perder mesmo o campo! Fizeram tantas besteiras, todos os últimos dirigentes fizeram por merecer este castigo.
— Mas, meu filho, a lusa não pode morrer. Foi até pouco tempo o quarto clube de São Paulo. Formou e trouxe verdadeiros craques para nosso futebol. Veja você… Lembra-se do Djalma Santos, Dener, Ivair, Ricardo Oliveira, Julinho Botelho, Leivinha, Marinho Perez, Enéas, Luis Pereira, Zé Roberto e tantos mais que perco a conta.
— Mãe, fica na sua… Vai… O seu time finalmente chega a campeão brasileiro, depois de muito tempo, duas caídas para a série B e a senhora ainda fica querendo defender a Portuguesa. Tenha paciência… Curta seus cinco minutos de campeã… Porque o meu “Curingão” está se remodelando e logo-logo começa a papar todos os títulos que disputar.
— Respeita sua mãe, moleque!… Mas voltando à lusa, — disse ela. — Você sabia que circula no salão que faço as unhas, a história de que ao construírem o campo, chamado de Canindé, o engenheiro-chefe, um português chamado Joaquim Manuel, ao contratar a construtora portuguesa Manuel & Joaquim Ltda., não tinha ideia do que viria a ocorrer durante a construção. Soube pela Sra. Maria do Céu, uma cliente portuguesa que ouvira do marido. Disse-me ela que quando terminaram as arquibancadas e o gramado de futebol, descobriu-se que o pessoal da construtora tinha esquecido uma enorme retroescavadeira, dessas que vemos nas ruas fazendo buracos e movimentações de grandes quantidades de terra. Esqueceu-se de tirar a máquina antes de fechar o novo estádio. Fizeram reuniões e mais reuniões até finalmente ouvirem os palpites dado por um senhor chamado Antonio Manoel, um português morador aqui de Santo André na Rua Carijós, quem finalmente trouxe a grande solução que se esperava. Ele sugeriu que enterrassem a enorme máquina no campo e se replantasse a grama em cima dela. Assim foi feito. Até hoje a Portuguesa manda seus jogos em cima desta máquina enterrada no gramado.
— As equipes de reportagem estão preparadas para conferir estas notícias, assim que os novos donos do estádio do Canindé escavarem e acharem o que sobrou da máquina. Uma colega disse saber que antes de enterrarem a máquina no meio do campo, um funcionário da construtora, um fanático são-paulino fã de Rogério Ceni, amarrou as pernas de um sapo e deixou dentro da retroescavadeira. Não sei se é verdade ou não…
— Fiquei sabendo, também, que aquele antigo colaborador na solução no sumiço da máquina, o Antonio Manoel, trabalha com seu pai nas construções que faz por ai com a empresa dele — a ZéKO Construtora.
— Ah! Mãe… Deixa dessas histórias. Você acredita em tudo que ouve. Se liga!

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