Uma história de Simão de Nantua sobre as vantagens das vacinas.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Quem é Simão de Nantua? É o protagonista das histórias escritas
no livro “História de Simão de Nantua” ou “O mercador de
feiras”, obra de M. de Jussieu, a quem a Sociedade de Instrução
Elementar, estabelecida em Paris, conferiu o prêmio destinado,
por um anônimo que se presume ser o duque de La Rochefoucauld,
para o livro que parecesse mais conveniente à instrução moral e
civil dos moradores da cidade e do campo. A primeira edição deve
ter saído em 1817 ou 1818.
Esse livro foi traduzido para a língua portuguesa por Philippe
Pereira D’Araujo e Castro e publicado, em Lisboa, na tipografia
de Luiz Correia da Cunha, em 1852.


Entrando na cidade de Bar-sur-Aube, eu** e Simão de Nantua
ouvimos um tambor na rua. O que é isto? diz Simão de Nantua.
Parece que é para dar algum aviso da parte do “maire” (prefeito
da cidade). Logo que o tambor acabou o seu rufo o orador do
“maire” se dispunha a pronunciar o seu discurso: mas Simão de
Nantua, a quem a impaciência fez esquecer agora a polidez,
cortou-lhe a palavra e exclamou nestes termos: “Habitantes de
Bar-sur-Aube, vedes esta casa? Aqui mora uma criancinha que teve
bexigas***, esteve à morte, e durante toda a sua vida há de
trazer os sinais da moléstia que a desfigurou. Que pensaríeis
vós de uma mãe, que tendo pão em casa, deixasse sua criança
morrer de fome? Que pensais de uma mãe que deixa a sua criança
exposta ao perigo de uma moléstia muitas vezes perigosa tendo ao
seu alcance todos os meios de prevenir esse mal?”
“Uma tal negligência mereceria grave castigo. A beneficência do
governo estabeleceu em toda a parte casas de vacina: todos vós

podeis fazer vacinar vossos filhos, e aqueles que deixam de o
fazer, por negligência ou obstinação, são culpados para consigo
mesmos, para com o governo e para com toda a sociedade. Eles
comprometem a existência da geração nascente alimentando um mal
contagioso.”
“Quereis vós conservar vossos filhos? Ou quereis expor-vos a
perdê-los ou vê-los desfigurados e talvez mesmo cegos, pois esta
enfermidade tão temível é pela maior parte uma consequência das
bexigas? Ah! Acreditai o que vos digo. Aqueles que desprezarem
uma precaução que se torna um dever sagrado, hão de arrepender-
se disso um dia. Quando o mal chegar, já não é tempo de o
prevenir. Se ele acha a porta aberta entra, e então faz os seus
estragos. Há gente que não duvida de nada, e diz “Nós veremos
quando se der o caso”. Isso é gente louca. O homem avisado vê de
longe e acautela-se. A felicidade não vem sem que a procurem;
mas a desgraça, vem por si mesma. Quando vós edificais uma casa,
não tomais todas as precauções contra o fogo? Pois os vossos
filhos importam-vos menos do que a casa? Não é para vos tirar o
vosso dinheiro que eu vos falo: o meu único fito é o vosso bem.
É porque tenho andado um pouco por esse mundo, e visto o que se
passa em diversos países. O que desejo é que do meu aviso saia
algum proveito.”


*Nota da autora do blog – a ortografia foi atualizada, mas as
palavras e o estilo, com raras exceções, foram mantidos.
**Nota da autora do blog – a história é narrada por um amigo e
companheiro das viagens de Simão pelas feiras de mercadorias que
aconteciam nas aldeias da França.
*** Nota da autora do blog – “moléstia das bexigas” era o nome
que se dava, no Séc. XIX, à varíola.

Você também pode gostar de: