Racismo no Esporte

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No fim do ano passado mais uma vez um caso de suposto racismo foi manchete nos periódicos esportivos internacionais. Na ocasião, um jogo entre o PSG e o Basaksehir pela UEFA Champions League um dos árbitros da partida, Sebastian Coltescu, é acusado de ter usado termos racistas para se referir ao técnico assistente do Basaksehir, Pierre Webo. Depois de uma longa discussão, os jogadores de ambos os times deixaram o campo, se recusando a jogar a partida, que foi remarcada para o dia seguinte.

Também em 2020 o  técnico de esgrima da Universidade St John’s, Boris Vaksman foi demitido após um audio de uma conversa sua privada ter sido vazado, onde ele diz que negros são encrenqueiros “porque não querem trabalhar…. eles roubam… eles matam” e ainda completa “Eu acho, qual é o nome dele, Lincoln, cometeu um erro”, uma referência ao presidente Abraham Lincoln, que acabou com a escravidão nos EUA ao publicar a Proclamação de Emancipação em 1863.

A Comissão de Direitos Humanos e Igualdade de Oportunidades da ONU divulgou um relatório em 2007 com vários casos confirmados de abuso racial e difamação no esporte, em lugares como Austrália, Europa e América. Neste relatório foram apontados casos como no golf (um esporte no qual 83% dos jogadores são brancos) em 2011, quando o ex-caddie de Tiger Woods, Steve Williams, o descreveu como um “burro negro”. E, é claro, os vários casos dos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936 na Alemanha Nazista.

Por mais que as leis garantam a igualdade entre os povos, o racismo é um processo histórico que modela a sociedade até hoje. O professor Silvio Almeida explica as diferenças entre os tipos de racismo. No racismo individual ele dá um viés patológico, comportamental e imoral revelado por aquele que o pratica. No racismo institucional, o que se observa é a presença massiva de determinado grupo étnico-racial nas instituições, o qual irá trabalhar para fortalecer e manter esse grupo determinado no poder. Nessa forma de racismo vimos o governo, as reitorias das universidades e cargos de liderança em grandes corporações aparelhadas com pessoas do grupo hegemônico. Na dimensão estrutural, Silvio esclarece que as instituições somente são racistas, porque a sociedade também o é, ou seja, as estruturas que solidificam a ordem jurídica, política e econômica validam a autopreservação entre brancos, bem como a manutenção de privilégios, uma vez que criam condições para a prosperidade de apenas um grupo. Como resultado, as instituições externam violentamente o racismo de forma cotidiana.

Como o racismo moldou a sociedade que conhecemos, é muito difícil perceber e alterar esses maus costumes se você não é o grupo diretamente afetado, por isso atitudes como as tomadas pelos jogadores do PSG e do Basaksehir são tão importantes, pois dão voz à causa, uma vez que esportistas tem grande visibilidade nas mídias e são ídolos populares e, por isso, ajudam a moldar o comportamento das pessoas.  A sociedade começa a mostrar que atitudes racistas não serão toledas e que com esse tipo de dinâmica social, perdemos todos.

Mesmo que a passos lentos, estamos caminhando.

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