A política não é o problema, é a solução!

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Não faz muito tempo, minha esposa, amigos e eu visitamos a Irlanda do Norte. Durante a semana que lá ficamos, eu estava muito ávido em saber mais sobre os anos turbulentos que aquele país enfrentou nas últimas décadas do século XX, conhecido como the Troubles.

 Foi um período intenso de uma luta sangrenta e sectarista entre republicanos que queriam uma República Irlandesa unificada e soberana e os unionistas que queriam manter a Irlanda do Norte como província membro do Reino Unido.

Embora, na época, a imprensa geralmente noticiava os conflitos como sendo uma luta entre protestantes e católicos, a motivação central era política, mas também de cunho étnico-religioso.

No período da minha visita, a discussão sobre o “Brexit”, estava bem acalorada. O resultado do plebiscito mostrou que 56% dos norte-irlandeses queriam a permanência do Reino Unido na União Européia¹. Eu perguntei a um jovem estudante de Relações Internacionais no Queen’s University em Belfast, se a decisão do Reino Unido em sair da União Europeia não seria o motivo que faltava para que as duas Irlandas considerassem, agora de forma pacífica, a possibilidade de uma unificação. A resposta daquele jovem, me surpreendeu: “Não há nada forte o suficiente que possa nos unir algum dia”. Até hoje, não sei se era uma opinião isolada ou reflete realmente o espírito daquele povo.

Também conhecemos um líder religioso (presbiteriano) que, no período mais turbulento, trabalhou nas zonas de conflito. Ele nos levou para conhecer bairros de Belfast aonde, ainda hoje, a entrada de estranhos precisa ser autorizada pelos líderes locais. A decoração do local, com bandeiras, cartazes e fotos de soldados mortos, me fez suspeitar que existe ainda muito ressentimento e muito o que fazer, do ponto de vista político, com as próximas gerações para que um conflito bélico não aconteça novamente

Por último, tivemos ainda contato com um professor de história aposentado. Ele nos explicou como a população havia se acostumada com a violência do cotidiano da época e também como era comum ver e ouvir os disparos de bombas e os tiroteios típicos de uma zona de guerra. O noticiário diário indicava o número de mortos e as estatísticas aumentavam.

Contudo, o que mais me impressionou foi a explicação que ele deu para a demora em estabelecer um acordo.  “A segunda pior coisa do mundo é a política, porque a pior coisa do mundo é a falta dela”, disse ele. Segundo aquele professor, a falta de políticos com interesse em resolver o problema, ao invés da busca do protagonismo, foi o que estendeu por muitos anos o conflito e vitimou mais de 3500² pessoas ao longo de quase 30 anos. Esse número de fatalidades pode parecer pequeno, mas proporcionalmente ao tamanho da população no final do século XX, representa quase que 200 pessoas para cada 100 mil habitantes durante todo o período.

Como afirmou aquele professor, muitas pessoas dizem não gostar ou se interessar pela política, mas não há como ficar imune à ela, porque vivemos em sociedade e todas as nossas ações irão, de alguma forma, impactar o nosso entorno, a nossa comunidade, cidade e país.

Quando elegemos os nossos representantes, estamos exercendo um direito político que irá ter reflexo direto nas nossas vidas para o bem e para o mal. Mesmo quando decidimos não votar, estamos fazendo uma escolha política.

Portanto, independentemente de quem foi o escolhido, temos uma responsabilidade compartilhada de exigir que essa liderança tenha como objetivo primário o bem da coletividade. E o bem da coletividade pode significar que as exigências serão maiores para quem é mais privilegiado. Não há mágica…

Estamos vivendo uma experiência única com essa pandemia que nos assusta. Seguramente todos nós temos familiares, amigos ou conhecidos que foram vitimados pela doença. Precisamos de uma liderança comprometida com a solução do problema. Não é hora do debate ideológico, do protagonismo ou da perseguição dos que pensam diferente. A ciência pode contribuir com a vacina, mas é pela política que essa solução alcançará todos os lares brasileiros.

“Quando os justos governam, alegra-se o povo…”,

Salomão.

Provérbios 29:2

Referências:

  1. https://www.bbc.co.uk/news/politics/eu_referendum/results
  2. https://www.wesleyjohnston.com/users/ireland/past/troubles/troubles_stats.html

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