A habitação na muita idade: morando sozinho. Parte Final – A decoração

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Continuação da postagem anterior
A decoração é um aspecto muito importante pelo fato de ser altamente individual e tocar profundamente a sensibilidade humana. O gostar ou não gostar é particular e indiscutível. Objetos, formatos, cores, espaços, texturas e outros possuem algum significado, mexem com as emoções, despertam recordações boas ou más, estimulam sentimentos.
O “design de interiores” não pode abster-se desses significados e o projetista precisa interpretar essas dimensões e, simultaneamente, atender às sensações de abrigo, conforto, segurança e funcionalidade. Isso inclui que um lar jamais pode parecer um hospital, uma fábrica, uma indústria ou uma prisão.
A decoração sugerida pelos idosos em pesquisas específicas valoriza o contato com a natureza (grandes janelas com muita luminosidade e ventilação naturais, sol, paisagens, canto dos pássaros, folhagens e flores), privacidade, amplidão dos espaços, controle do conforto térmico e acústico, possibilidade de isolar-se quando lhe apetecer refletir, rezar, meditar, assistir a um programa de televisão, descansar, desenvolver atividades com outras pessoas (mesa na cozinha, sala organizada para receber amigos e familiares, “home office” para trabalho em conjunto, etc.) e deve adequar-se à perda constante da capacidade funcional do idoso, incluindo audição e visão.
O posicionamento de quadros deve ser de forma a poderem ser observados a uma altura menor, para as pessoas sentadas (cadeira de rodas).
Em vista disso, o importante é que se possa, sem abandonar os aspectos técnicos, estabelecer o foco no usuário e na sua maneira de compreender e interagir com o meio social e físico.
É essencial que o arquiteto considere as referências culturais e sociais, particularidades, hábitos e necessidades do morador, além de suas relações com os objetos e seus significados.
Um espaço visualmente atraente pode impulsionar uma melhoria do humor, disposição ou ânimo ou um estado de felicidade. Se há uma fase da vida na qual devamos priorizar mais e dar lugar às nossas preferências, esta talvez seja a muita idade. Por ‘preferências’ quero dizer um leque grande de idiossincrasias subjetivas e necessidades objetivas e físicas: hábitos quaisquer que sejam, necessidades profissionais técnicas e, tanto quanto estas, também as preferências estéticas, subjetivas, sutis e aquelas que nem sempre são tão fáceis de se explicar. Todas precisam de seu lugar.
Eu acredito que sofreria muito se fosse obrigada a morar em uma unidade onde a minha estética, a minha história, as minhas necessidades e a minha personalidade não fossem respeitadas. Eu tenho necessidade de estar entre coisas que me agradam, em ambientes de bom gosto e com pessoas de quem gosto.
Por esse motivo, gostei de uma palestra de decoradores que indicava algumas tendências atuais da decoração reforçadas pela pandemia da Covid-19. São elas: incrementar as áreas de convívio social; implementar espaços para trabalhar, divertir-se e estar; usar plantas e materiais naturais no interior das moradias; reutilizar e renovar móveis, acabamentos e objetos antigos; destacar as lembranças e objetos que remetem à história do morador; e criar ambientes com personalidade, que se distanciem do óbvio, mais ajustados às particularidades do morador.
Morar bem faz bem à saúde. É fundamental e uma necessidade básica. Por esse motivo, no mundo inteiro as pessoas são unânimes em trabalhar e lutar para ter uma boa moradia, usam seu tempo para enfeitar e tornar mais acolhedor o espaço onde moram e, muitas vezes, trabalham.

CO-AUTORIA – Arquiteta Cecilia Lourenço Góes, 36 anos, graduada
pela Universidade de São Paulo, com 13 anos de experiência na
área. Trabalha em projetos residenciais, institucionais e públicos
no escritório MGóes Arquitetura e Design, em São Paulo.

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