Coerência.

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Discurso e prática devem estar alinhados.

Não pode haver um abismo.

Existem situações que são tão incoerentes que são óbvias, mas existem aquelas que são sutis, aquelas em que não sabemos as bases em que o outro age. Se levarmos isso para o campo das relações amorosas fica ainda mais difícil de medir, já que entram as expectativas, as projeções e o jeito de ser do outro.
Talvez os sinais de “eu te amo” pra um sejam completamente diferentes dos sinais de “eu te amo” do outro. Pra um, dizer eu te amo pode ser muito difícil (porém sentido verdadeiramente) e pra outro muito fácil.

Talvez pra um, se sentir amado, tenha a ver com atenção, presença, demonstrações românticas e para o outro, nada disso ser importante já que ele sabe o que sente e, portanto, não tem a necessidade de receber tanto, nem expor tanto. Talvez um goste de falar mais, de fazer mais, de estar mais junto e talvez o outro não. Talvez o que você acha que o outro não quer te dar, não seja um querer, mas um não ter.


Lembre-se que as medidas de coerência são suas e que o outro não tem culpa se não atender às suas expectativas. A responsabilidade por ficar numa situação incoerente, sem paz e infeliz é sua, assim como a responsabilidade de saber os seus limites também é sua. Não é porque você disse para o outro o que você precisa que ele tem que fazer o que você disse. Você pode medir se o que o outro te dá, te faz bem, te faz feliz e, se é o suficiente pra você. Essa medida é só sua, ninguém está na sua pele, ninguém tem as suas necessidades, ninguém pode te dizer quais são os seus limites e até onde você pode ir.

Ninguém pode te fazer permanecer numa relação ou situação além de você mesmo.

Se na sua análise, na sua avaliação, houver incompatibilidade de valores, ainda que você goste muito da pessoa, vai ser bem difícil sustentar essa relação com coerência. Ir embora seria a melhor opção. No entanto, somos induzidos a permanecer nos padrões socialmente impostos como normais onde existe uma grande valorização da persistência, da superação das dificuldades, dos laços construídos com grande sacrifício. Somos induzidos a gostar do que foi difícil conquistar e construir. Apegamo-nos ao que ou àqueles que nos exigiram grandes investimentos e sacrifícios. É assim que continuamos amizades e relações que começaram há muitos anos e que não fazem mais sentido. É assim que “passamos o pano” pra discursos e relações intolerantes em nome da amizade de longa data e de laços familiares.


É assim também que aumentamos a nossa incoerência. Vamos nos fragmentando para acomodar pessoas e relações que não partilham de bases de valores importantes para nós. É um peso extra que carregamos nas nossas já pesadas bagagens emocionais.

Parece errado deixar que as relações acabem porque somos condicionados a valorizar o que nos levou a investir mais.

Em nome desses conceitos capitalistas de retorno de investimento, mantemos relações desnecessárias, perigosas, abusivas, intolerantes. Temos medo de não termos a quem recorrer num futuro imaginado que precisemos de suporte.

Aguentamos amigos e familiares que em nada partilham de nossa base de valores. Não deixamos espaço para o novo, para o desconhecido. Estamos lotados de investimentos passados aguardando o retorno no futuro. Deixamos de viver em paz no presente para viver em tempos que não existem em nome de conceitos e padrões que nem questionamos

Estamos exaustos. Claro. Não sobra energia para nada quando vivemos assim.

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