Bom Negócio

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Faleceu neste dia 10 de Dezembro, em São Paulo, o homem considerado como o mais rico do Brasil. O senhor Joseph Safra falece aos 82 anos de vida, na própria casa e de causas naturais.

Desde 2019 estava afastado, relativamente, dos negócios no banco ficando maior parte do tempo em casa, após estar debilitado, devido a problemas com o Mal de Parkinson que o acometia nestes últimos tempos.

O Corinthians Paulista e sua atual Neo Química Arena perde um de seus mais ilustres torcedores e frequentador contumaz, e pelo que se sabe um dos mais fanáticos. Chegava ao estádio acompanhado de vários ex-agentes do Mossad como guarda-costas. Olha o naipe da perda, não era um corintiano qualquer. O Corinthians sofreu uma grande baixa!

Seu José, como era tratado pelos que desfrutavam de seu convívio, sempre foi discreto, amável, educado, exigente e avesso aos holofotes da mídia. Tinha três grandes paixões nesta vida: a primeira estava ligada com sua esposa Vicky e família; a segunda era viver o banco e suas operações 24 horas por dia e 7 dias na semana; e a terceira era torcer pelo Timão.

Joseph Safra era o irmão caçula de três que em 1955 fundaram em São Paulo o conhecido Banco Safra. O mais velho Edmond vendeu no ano seguinte sua parte aos dois irmãos e foi para Genebra, Suíça fazer fortuna solo. Lá teve sucesso, indo depois para New York onde repetiu o sucesso e em 1999 vende seus negócios ao HSBC por milhões de dólares. Ele morre num incêndio em sua casa, no mesmo ano de 1999, em Mônaco.

De 1956 até 2006, os irmãos Moise e Joseph tocam o Banco Safra aqui no Brasil. Apesar do verdadeiro vendaval e turbulência por que passaram os bancos neste período, o Safra continuou de pé e em mãos dos fundadores. A grande maioria dos demais bancos foram absorvidos pelo Itaú, pelo Bradesco, alguns pelo Santander e outros poucos pelo Banco Brasil e Caixa. O Banco Safra se manteve vivo nesta briga por posições. O mérito é fruto da administração de Moise e Joseph. Mas, em 2006 Moise se retira aos 71 anos, vendendo sua metade ao irmão. Moise morre 8 anos depois, em 2014.

Conta-se no mercado histórias sobre o comportamento de Joseph Safra. A mídia fala em duas famosas, mas sabemos existir uma também famosa, não atribuída a ele, mas que sabemos ser dele a origem e hoje é considerada como de domínio público, ou seja, existe no linguajar do dia a dia, mas não se sabe quem falou primeiro tal postulado.

Primeira – Todos que trabalharam no Banco Safra, principalmente em posições de direção, dizem que o expediente era de 24 horas. Tudo bem remunerado. Seu José costumava presentear com joias valiosas as esposas de seus executivos, assim que tinha notícias de que o casamento entre ambos não ia bem, caminhando para um rompimento. Era uma maneira dele se desculpar perante as esposas.

Segunda – Seus ex-profissionais, principalmente executivos, contam que o nível de cobrança era altíssimo, mas muito bem remunerado. Seu José era direto, sem conversa fiada, sem rodeios, chorumelas e lenga-lenga. Como bom banqueiro ia direto ao ponto. Alguns contam que eram acordados por ele no domingo, à noite, para intervirem nalgum fechamento de câmbio. Sabe-se que o câmbio sempre foi a jóia da coroa do Grupo Safra em muitas operações. Como sabemos o mercado de câmbio não fecha nunca, a nível mundial, e as diversas moedas dos principais países estão em constante ebulição.

Terceira – Todo negócio é bom, quando é bom para ambas as partes.

Para explicar: “Todo negócio é bom, quando é bom para ambas as partes”, tenho que fazer uma pequena introdução e apresentar no contexto a participação de nosso colega Paulo Boccuzzi.

Corria o ano de 1983, Paulo Boccuzzi era Tesoureiro da empresa General Electric do Brasil Ltda., sediada em São Paulo. Os recursos financeiros gerenciados entre cobranças, pagamentos, recolhimentos de impostos e de aplicações financeiras eram relevantes, afinal era uma multinacional muito conhecida. Entre suas atribuições no cargo eram muito comuns almoços comerciais com gerentes de bancos. Lembremos que estávamos numa época de inflação alta, taxas de câmbio voláteis e de uma grande dose de insegurança em diversos níveis na economia do Brasil. Havia uma grande quantidade de bancos no mercado e a concorrência era selvagem. Cada banco lutava por fatias de negócios em determinadas operações, principalmente de empresas sólidas.

Num desses almoços Paulo é convidado pelo gerente da conta a ir participar de um almoço com os dois acionistas do Banco Safra. O restaurante era no próprio edifício onde é a matriz do banco. Paulo vai e sentam-se os quatro numa mesma mesa. O gerente da conta, Paulo, Moise e Joseph. A qualidade da comida era excelente. Conversam sobre amenidades durante a degustação do almoço, antes da chegada da sobremesa e do café. Após a sobremesa é o momento onde se fecham as operações ou se plantam propostas a serem analisadas pelo convidado do almoço. Foi lá nesse momento que Paulo se lembra de ter ouvido pela primeira vez na vida a expressão, dita exatamente pelo próprio Joseph Safra. É a seguinte: “Todo negócio é bom, quando é bom para ambas as partes”. Paulo voltou de lá bem nutrido — o vinho era bom — e com aquela frase martelando na memória e daquele dia em diante, passou a utilizá-la sempre que surgia uma ocasião.

Mal sabia Paulo que tal frase, cuja construção era como se fosse um verdadeiro postulado econômico, tinha duas conotações. Uma era a que Paulo tinha entendido — bom para GE e bom para o Banco — ditas para os clientes em potencial, onde Joseph omitia algumas palavras finais e a outra era a que ele só mencionava internamente junto ao irmão.

A frase correta entre eles era mais ou menos assim:

“Todo negócio é bom, quando é bom para ambas as partes, para Moise e para mim”

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