As diferenças entre o Go e o Xadrez explicam muito nossas fragilidades na gestão!

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Ao longo da minha carreira como consultor em gestão e também como executivo, tenho enfrentado enormes dificuldades para disseminar o conceito do pensamento estratégico. Por vários motivos temos verdadeiro bloqueio em pensar dessa forma, em traçar cenários possíveis e estruturar planos de ação. Somos doutrinados ao curto-prazo, ao imediato, queremos resultados em pouco tempo.
Lembrei de curso que fiz com o mestre Pierre Fayard há uns bons anos, sobre estratégia oriental, conceitos de Sun Tzu (“Arte da Guerra”) e por aí vai. Me abriu muito a mente e para exemplificar melhor o que quero trazer para discussão com voces, lembro até hoje do exercício que fizemos, abordando as diferenças entre os jogos de Xadrez e o Go.
O Xadrez é eminentemente tático, criado por volta de 1450 na Índia (há controvérsias!), tem como objetivo a “tomada de poder”, a derrubada do rei (xeque-mate ao rei, figura mais importante). Nele todas as peças estão no tabuleiro quando o jogo começa, e elas tem força e movimentação diferentes. Bastante praticado no Ocidente, hoje muito em evidência depois da série da Netflix, o “Gambito da Rainha” (excelente, recomendo!).
No Go, criado na Ásia há mais de 2500 anos, o objetivo é a “disputa e o domínio do território”, com a busca pelo cerco ao adversário, muito mais estratégico! O jogo conta com 2 jogadores, começa sem nenhuma peça no tabuleiro (de diversos tamanhos), e todas são iguais (181 pretas e 180 brancas), em termos de movimentação. Interessante notar que os jogadores fazem a captura das peças do adversário. Sua prática é bem difundida no Oriente, China, Japão e Coréia se destacam.
Um ponto comum entre eles é que não dependem de sorte.
Se olharmos o desempenho das empresas orientais aqui pelo Brasil (e pelo mundo afora também) poderemos ver um pouco disso colocado em prática, nos setores automobilístico, energia, agronegócio, engenharia, tecnologia. Talvez hoje o melhor exemplo seja a China com sua maior influência na África, América Latina, seu plano “One Belt, One Road”, que inclui também a Europa. Fica evidente que a estratégia é parte da cultura, conhecem muito bem os concorrentes, o mercado, atuam mais nas fraquezas dos outros (puro Sun-Tzu), explorando as vantagens territoriais detectadas. Estive pela China há 2 anos e pretendo escrever um pouco sobre o que vi por lá e me impressionou muito.
Se quisermos melhorar nosso país temos que incorporar esse modo de pensar urgentemente nas nossas empresas, governos, entidades, escolas, famílias, do contrário estaremos sempre a reboque, reativos, mantendo ou provavelmente aumentando nosso atraso em relação aos países mais destacados nos indicadores sócio-econômicos.

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