A habitação na muita idade: morando sozinho Parte II – Um arquiteto é muito importante

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Continuação da postagem anterior
Encontro-me, agora, numa fase de vida que inspirou o tema deste texto: estou reformando um apartamento em São Paulo com o objetivo de o tornar o meu futuro lar. Preferia uma casa com quintal, o que em São Paulo (Brasil) é quase impossível para uma idosa morar sozinha. Preferia um apartamento com uma grande varanda que pudesse virar quintal, o que também não me é acessível. Mas, sou flexível e talvez possa conseguir um apartamento com muito sol e criar um quintal, dentro do apartamento, perto das janelas.
Para esta reforma contei com a ajuda de uma arquiteta e definimos, ambas, o foco dessa reforma: ao final a habitação deveria estar centrada em mim, nas minhas particularidades, não só nos aspectos práticos e funcionais, como nos intangíveis (gostos, preferências, memórias afetivas, costumes, modos de agir, necessidades intrínsecas e outros) com a finalidade de contribuir com o meu bem estar. Afinal, eu sou única, não sou igual a ninguém mais, tenho particularidades só minhas.
A participação de um profissional formado em arquitetura é cada vez mais importante, porque a habitação para o idoso é o lugar onde ele passa mais tempo e realiza a maioria de suas atividades. Quanto mais envelhece mais a moradia é o seu lugar para estar e dela depende, cada vez mais, o seu bem estar. Esses profissionais conhecem e têm acesso a muitos recursos técnicos que podem tornar o ambiente da moradia mais confortável, seguro e adequado às necessidades dos idosos.
Os projetistas deverão considerar que a habitação acompanhará as futuras fases de vida do seu cliente idoso. Em especial na fase de muita idade, a moradia provê a interface da pessoa com o mundo – fato que se tornou ainda mais premente na perspectiva da pandemia do Covid-19. A participação de um profissional arquiteto na programação de um espaço, não só antevê e zela para que as necessidades daquele específico usuário sejam atendidas, mas cuida que também as mudanças possam ser facilmente implementadas, procurando amparar a imprevisibilidade da vida.
Na fase de planejamento da moradia, um dos mais importantes fatores para a qualidade da residência é a relação dela com a cidade, familiares e amigos. Ela deve estar localizada em região de fácil acesso às pessoas próximas e importantes, aos serviços, comércio e hospitais de retaguarda e ter boas condições de transporte e mobilidade. A liberdade de ir e vir é fundamental.
Outro fator de bem estar é a capacidade da moradia permitir o contato com o sol, a natureza e o ar livre de poluição. Áreas como quintais, jardins ou grandes varandas podem oferecer grandes benefícios ao morador, principalmente para aquele que gosta de jardinagem, hortas, jogos ou outras atividades ao ar livre.
Continua na próxima postagem…

CO-AUTORIA – Arquiteta Cecilia Lourenço Góes, 36 anos, graduada
pela Universidade de São Paulo, com 13 anos de experiência na
área. Trabalha em projetos residenciais, institucionais e públicos
no escritório MGóes Arquitetura e Design, em São Paulo.

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