Sobre jogos, homens e livros

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Quem disse que nas redes sociais não aproveitamos nada em termos culturais?
Tem muita coisa boa sendo divulgada, muitos blogs, muitas lives musicais, filmes incríveis sendo disponibilizados de forma gratuita, e por assim vai…
Essa semana em um vídeo que me foi enviado por um amigo, numa rede social; Alexandre Ostrowiecki, CEO de uma empresa de tecnologia e idealizador do “ranking dos políticos” faz uma analogia entre a vida e suas oportunidades; e um jogo de cartas.
Sempre pensando em incentivar as pessoas a terem o hábito da leitura, comecei a analisar como isso ocorre. Quando se acende essa chama dentro dos indivíduos, que os faz sedentos de novas histórias, novas experiências desconhecidas, contidas em páginas escritas encadernadas com, quase sempre, centenas de páginas… Sim, desconhecidas, porque raramente quando abrimos um livro temos a noção do que nos aguarda, e é aí que se encontra a magia. O prefácio nos dá uma dica, mas nem sempre esclarece, na verdade nos instiga a começar a leitura.
Na analogia que citei, a tese é de que todos, assim como num jogo de baralho, nascemos com cartas diferentes. Umas boas, outras ruins. As boas seriam: nossa condição financeira, um lar estruturado, morar numa região com fácil acesso à cultura, com boas escolas, etc. E o oposto disso seriam as cartas ruins.
Vou citar como exemplo eu mesma. Minha história. Minha mãe sempre gostou de ler, mas com acesso a cartas não muito boas, seu interesse à leitura se resumia a fotonovelas. Eu sempre muito curiosa, lia os exemplares sem ela saber. Me embrenhei por esse universo, e adorei! Creio que meu gosto por leitura começou aí. Logo, ela percebendo meu entusiasmo me presenteou com gibis, e já adolescente conheci os romances açucarados de Barbara Cartland e as coleções com nomes femininos, como Sabrina, Julia, Bianca de autores variados, estes emprestados de minhas amigas. Mais tarde na escola fui “obrigada” a ler alguns clássicos e daí em diante, não parei mais e até hoje são minha leitura preferida.
Concluo que é preciso saber como usar as cartas – as oportunidades – que podem surgir através de parentes, amigos, professores… lembro até de casos de catadores de lixo reciclável, que ao encontrarem livros descartados, souberam usá-los a seu favor, cresceram e se desenvolveram através do conhecimento.
Quem um dia já jogou, deve saber que às vezes recebemos cartas ruins, mas com astúcia e inteligência conseguimos nos sair bem nas jogadas e talvez até ganhar a partida. Ao passo que podemos receber ótimas cartas, mas não saber aproveitá-las. Entregando o curinga ao adversário, deixando passar cartas que vão servir para o outro, ou descartando algumas que seriam úteis para o nosso próprio jogo, por exemplo.
Assim é na vida, nada impede que aqueles que nasceram num ambiente não muito propício para o desenvolvimento da leitura, não venham a fazê-lo. E cabe aos governos, à sociedade, a todos nós, distribuir cartas boas para todos, independentemente de regiões, classes sociais, etnias, etc . Porque, como disse brilhantemente Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros!

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