A habitação na muita idade: morando sozinho

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Parte I – A moradia individual

O que seria ideal para uma moradia de um idoso que goste de
morar sozinho? Qualquer habitação serve para ele? O que deve ser
garantido na moradia para abrigar um idoso com segurança e bem
estar? Ainda é pequena a produção científica que responda a essas
questões.
A literatura indica a existência de vários tipos de moradia
para as pessoas de muita idade, não só governamentais como
particulares: os condomínios verticais e horizontais, as vilas ou
pequenas comunidades urbanas, as instituições de longa permanência
e as moradias individuais.
Os condomínios podem abrigar famílias constituídas por várias
gerações e que incluem idosos, grupos de idosos partilhando uma
unidade, casais independentes e indivíduos idosos morando sozinhos
em unidades unipessoais. Os condomínios têm a vantagem de poder
contar com vários recursos, de uso comum, muito importantes para
os idosos, incluindo academias de ginástica, cinemas, piscina,
programações sociais e facilidades para interações entre as várias
gerações.
Parece haver uma tendência no aumento gradual da moradia
unipessoal. Hoje, em São Paulo, cerca de 16% ou 17% de idosos
habitam moradias unipessoais e essa porcentagem tende a aumentar.
A evolução da saúde, da redução do número de filhos, do número de
divórcios, da melhoria dos comportamentos das pessoas em relação à
saúde e o aumento da longevidade são fatores que explicam essa
tendência que é consequência de um envelhecimento mais lento, mais
ativo e mais saudável. Eu me incluo nesse grupo de idosos que
moram sozinhos.
Eu tenho 78 anos, tenho boa saúde e boa escolaridade, valorizo
muito a minha saúde e, por enquanto, sou autônoma e independente,
inclusive financeiramente. Desde os 54 anos, quando minha filha
saiu de casa, moro sozinha e gosto disso. Para mim, o morar
sozinha é desafiante, sou obrigada a resolver os meus problemas
com inteligência e sensatez, sou estimulada a andar, movimentar-

me, fazer novas amizades, conversar e trocar ideias com outras
pessoas de todas as faixas etárias, sou motivada a manter-me
atualizada, atenta aos acontecimentos do meu contexto ampliado e
procurar aprender novas atividades e a usar os novos recursos
tecnológicos. Tenho auxílio profissional em relação à limpeza da
casa como sempre tive. Acredito que essa modalidade habitacional
tem me ajudado a manter a minha saúde e preservado o meu bem-estar
e a minha sensação de felicidade.
A grande desvantagem deste tipo de moradia é a necessidade de
apoio, cada vez mais intenso com o aumento da idade. Então,
contornei esta dificuldade, criando uma rede de apoio constituído
por vários amigos e conhecidos da geração mais nova que,
maravilhosamente generosos, se ofereceram para me ajudar sempre
que necessário. E já me ajudaram muito; levaram-me até ao
hospital, acudiram-me numa dificuldade com a rede telefônica e com
o meu computador, acompanharam-me várias vezes em viagens curtas
para solucionar problemas, levaram-me de loja em loja para compras
mais complicadas e em outras ocasiões similares. Portanto, estou
vivendo um envelhecimento ativo o que me propicia um grande bem
estar físico, cognitivo, social e emocional. Sou muito feliz; não
sinto solidão nem isolamento.

CO-AUTORIA – Arquiteta Cecilia Lourenço Góes, 36 anos, graduada
pela Universidade de São Paulo, com 13 anos de experiência na
área. Trabalha em projetos residenciais, institucionais e públicos
no escritório MGóes Arquitetura e Design, em São Paulo.

Continua

Você também pode gostar de: