Inteligência Artificial, na Ponta dos Dedos.

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A integração entre o aprendizado de máquina (machine learning) e as ferramentas da nova “ciência de dados” está produzindo grandes alterações na produção e uso de conhecimento, na pesquisa e no desenvolvimento tecnológico. Isto ocorre quando essas poderosas técnicas são bem combinadas a altos níveis de conhecimento e de habilidades adquiridas através do estudo, treinamento e prática. Nessa associação ainda é importante incluir planos e projetos (design) feitos racionalmente, sem a interferência de palpites e idéias preconcebidas.

O aprendizado de máquina é uma parte de um assunto que já tem um enorme impacto, a Inteligência Artificial. Há estórias chocantes sobre o que se consegue (ou não) fazer, usando a inteligência artificial. Uma delas relata a ida de uma mulher jovem ao supermercado. Feitas as compras e já pronta para pagar, na caixa, a jovem percebe que o empregada do supermercado olha com atenção especial para a tela do computador à sua frente. Em seguida, olha para a cliente e diz, entusiasmada: “Parabéns, você está grávida!”. A cliente fica surpresa e responde: “De onde você tirou isso? Não estou grávida, não!”. A caixa volta a olhar para a tela do computador e encerra o assunto, com ar decepcionado.

Dias depois, a jovem mulher volta ao supermercado, procura pela empregada que lhe havia dado os parabéns e lhe lembra da conversa sobre a gravidez. Termina dizendo: “Sim, eu estou grávida mas ainda não sabia. Como você soube?” Resposta da empregada: “Estava escrito na tela do computador”.

Esta estória está baseada em um fato real e a sua explicação é a seguinte: os dados da cliente e da sua compra, ao serem inseridos no terminal de computador usado pela caixa do supermercado, eram transmitidos, recebidos e analisados por um programa de inteligência artificial. Este detetou uma mudança no perfil de compras da cliente, comparado aos seus registros (sim, o computador tinha na memória os dados das compras anteriores). Sendo assim, percebeu diferenças nos produtos comprados, inclusive diferenças sutis como os aromas dos produtos de higiene e limpeza, o teor de proteína, gordura ou fibras nos alimentos e outras características sutis. Nenhum desses dados em separado seria significativo, mas em conjunto eles formaram um padrão, diferente do padrão anterior. Além disso, essa mudança de padrão era semelhante a mudanças percebidas em outras mulheres, grávidas. Portanto, o computador usou os dados da nova compra e os analisou, informando à caixa que a sua cliente estava grávida – bem antes de que esta viesse a saber.

Uma parte essencial dessa estória é o grande conjunto de dados utilizados, por isso mesmo há tanto interesse, hoje, em “big data”- grandes bases de dados. Outra parte é o aprendizado da máquina: o computador havia sido treinado a identificar e reconhecer um padrão de consumo, sabendo ainda o significado das mudanças nesse padrão – mudanças sutis, que a própria compradora talvez nem mesmo percebesse: talvez, mais peixe e menos carne, ou mais carne e menos peixe, ou mais suco de laranja e menos suco de maçã, etc… Além disso, não se tratou de uma ou outra mudança, apenas, mas de todo um padrão.

Nós vemos a inteligência artificial atuando, cada vez mais e a cada momento. Por exemplo: quando teclo uma mensagem no meu celular, este vai tentando adivinhar as palavras que vou escrever. Se eu ficar brincando um pouco com o celular, logo percebo que ele adivinha mais rapidamente as palavras que usou mais frequentemente. Além disso, se eu escrevo apenas a inicial do meu nome no início de um parágrafo, ele não tenta adivinhar o resto, mas se eu escrever a inicial depois de “Abraços,” basta a inicial para que apareça todo o meu nome escrito. Neste caso, quem treinou o celular a usar as minhas palavras para adivinhar o que eu ainda não escrevi? Fui eu mesmo, escrevendo e enviando mensagens, ou entrando em sites e usando os vários aplicativos. Mas raramente nos damos conta de que estamos treinando nossos próprios equipamentos e, muito mais ainda, estamos alimentando as bases de dados e treinando computadores do governo, de empresas, igrejas, partidos políticos, sistemas de inteligência (isto é, espiões) e quaisquer tipos de organizações, além de indivíduos (de boa fé ou criminosos). Fazemos isso o tempo todo. Por exemplo, depois de autorizarmos um site a seguir os dados da nossa posição espacial, fornecidos pelo GPS ou outro sistema de localização.

Com todo esse poder de fogo, as possibilidades das ferramentas da inteligência artificial em tudo que é aquisição e construção de conhecimento, ciência, tecnologia e inovação são imensas e estão sendo intensamente exploradas. Elas estão mudando as maneiras de planejar, experimentar, executar, construir e descartar. Por exemplo: na estória da jovem grávida, a inteligência artificial se antecipou a um teste de gravidez. Em escala maior, isso poderia permitir estimativas do número de grávidas (cientes ou não do seu estado) em uma população.

Computadores que tenham sido alimentados com grandes massas de dados sobre características de diferentes populações, incluindo os doentes e vítimas da Covid-19 e também que tenham sido (e continuem sendo) treinados a identificar os padrões relevantes poderão informar às autoridades de governo, aos hospitais sobre fatos que estão ocorrendo, mas ninguém ou poucos estão percebendo. Poderão, assim, ter um papel decisivo. Mas para isso, é preciso ter os sistemas funcionando, as bases de dados sendo alimentadas, isso tudo exige trabalho responsável, inteligente e competente.

No Reino Unido, lojas estão usando sistemas de inteligência artificial para identificar os clientes que não estão usando máscaras. Em Portugal, pesquisadores estão adaptando exames de ultrassom ao diagnóstico rápido, feito por pessoal com pouco treinamento, de pneumonia viral. Em Recife, a prefeitura e o Porto Digital trabalharam juntos para avaliar o impacto do retorno às atividades econômicas sobre a pandemia. Em São Paulo, no Hospital das Clínicas, a plataforma de inteligência artificial RadVid, construída no próprio hospital, antecipa diagnóstico e ajuda no tratamento da Covid-19.

Em resumo: já se faz bastante, e os sucessos alcançados mostram que há muito mais trabalho a fazer e muito mais resultados a colher.

Para saber mais:

https://pt.euronews.com/2020/10/26/inteligencia-artificial-contra-a-covid-19https://m.facebook.com/watch/?v=269821037659995&_rdr

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