A SOCIEDADE DAS EXPERIÊNCIAS

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Vivemos em um mundo cercado de ofertas, num mundo onde se contabiliza a felicidade pela quantidade de experiências que alguém é capaz de ter.

Trocamos a sociedade da acumulação de bens, pela sociedade da acumulação de experiências. Quanto maior a quantidade de experiências, mais adequada à sociedade aquela pessoa é.

Por isso nesse momento tem muita gente sem saber quem é. A restrição às experiências socialmente aclamadas, fez com que muitas pessoas se sentissem “vazias”, sem rumo, deslocadas, desconectadas, ansiosas, depressivas.

Sem as experiências externas de divertimento e distração, ficaram sem saber como existir. A ilusão da repetição feliz foi quebrada.

Passamos de experiência em experiência tentando encontrar felicidade e satisfação. Vemos que quando as encontramos, elas duram muito pouco, então, precisamos de novas experiências o tempo todo. Vivemos sonhando em encontrar algo ou alguém que nos traga satisfação, felicidade, segurança e paz.

Nenhuma experiência, por mais incrível que seja, pode se manter. A natureza da experiência é a mesma da vida: impermanência.

Buscar satisfação no que é impermanente, no que se altera o tempo todo, só pode trazer um pequeno alívio momentâneo para a ânsia humana de felicidade e certeza.

Compreender as coisas como elas são deveria ser suficiente para estarmos relaxados e felizes em todas as situações. Estamos vivendo experiências o tempo todo, ainda que não percebamos. Não há necessidade de planejarmos experiências porque elas acontecem diariamente e sem nenhum esforço da nossa parte. Não há como evitar as experiências. No entanto, na nossa sociedade atual, ter como meta o planejamento de experiências para mudar a nossa vida é imprescindível. Afinal, quem não quer através de uma experiência, alcançar a satisfação duradoura? Isso é o que nos é vendido. É uma utopia.

Se você realmente quiser mudar a sua vida, ter uma vida mais feliz e pacífica, não precisa buscar por novas experiências, basta que queira fazer uma mudança interior. Acordando para a realidade dos fatos: você vai junto onde quer que decida ir, o que quer que decida experimentar e viver. Se aqui e agora você não está bem e feliz, porque seria diferente em outro lugar? Pode até ser que durante uma viagem você viva situações mais felizes das que vive na sua vida comum, mas bastará voltar à rotina, que tudo o que sentia antes da viagem, voltará a sentir. Fica aquela ilusão de que se viajar de novo, vai ser feliz de novo, então essa necessidade se instala, como um hábito. Vira uma dependência. A necessidade de repetição para experimentar novamente algo parecido se fortalece como se fosse possível deixamos as coisas (pessoas e lugares) congeladas no tempo aguardando por nós no futuro. A vida é dinâmica e não estática. Estou falando sobre viajar apenas para dar um exemplo mais palpável, mas em qualquer experiência planejada (aqui no sentido de projeção), onde nos iludimos que ali encontraremos a segurança, a satisfação e a felicidade, estamos apenas projetando no futuro tudo isso que tanto almejamos.

Quando o futuro se torna presente, verificamos que não conseguimos a tão sonhada felicidade e, em muitos casos, o resultado ainda vem acompanhado de mais desconforto, insegurança e infelicidade. Percebemos que não estava ali a felicidade que tínhamos a certeza de encontrar e partimos para o planejamento de mais uma experiência.

As experiências são apenas experiências, passe por elas sabendo o que elas são: experiências. Não vão aplacar os seus desejos, nem te satisfazer, nem trazer a tão sonhada felicidade. Não poderão ser repetidas, nem permanentes, quando forem boas, nem permanecerão por muito tempo quando forem ruins.

Estar feliz e satisfeito sendo quem se é e vivendo a vida que se vive, sem a necessidade de acumular experiências é possível e não custa nada. Está ao seu alcance e só depende de você. Basta que veja as coisas como elas são e não como você gostaria que elas fossem, sem querer que elas te tragam o que só você pode se dar.

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