Cenários da disputa eleitoral da Prefeitura de São Paulo: 2º turno.

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Após o levantamento integral das preferência do eleitorado paulistano, em 15 de novembro de 2020, promovendo ao segundo turno Bruno Covas e Guilherme Boulos, as primeiras pesquisas de intenção de voto no segundo turno, praticamente coincidem nos percentuais, dando grande vantagem a Bruno Covas.
Duas seriam ainda as incógnitas que poderão mudar o cenário tendencial, o mais provável, que é a vitória de Covas: os votos da periferia e aa ações do Prefeito Bruno Covas, em relação ao recrudescimento da COVID 19. A primeira é uma falsa incógnita, como analisado no texto a seguir.
A segunda pesquisa de intenção de votos, realizada pelo DATAFOLHA, em 23 de novembro,logo após o inicio dos programas obrigatórios na TV e rádio já mostra um novo quadro, que traz indícios de maior risco para Covas.

Sumário
Tendências convergentes nas primeiras pesquisas 1
Levantamento comparando os votos de Covas com a soma de Boulos e Tatto 2
Presente, futuro e passado 3
Retrato atualizado 3

Tendências convergentes nas primeiras pesquisas

Bruno Covas venceu o primeiro turno, com folga, mas com tendência de queda em relação aos níveis demostrados nas pesquisas de intenção de voto, feitas por amostragem. Caiu de um patamar de 38% nas duas últimas pesquisas do IBOPE, para 33% nas urnas.
Já Boulos conseguiu na aferição real, maior percentual dos que as pesquisas de intenção indicavam, apesar da trava dos eleitores petistas. A pesquisa de véspera do IBOPE apontava um nível de 16%, com estabilidade durante todo o mês, mas alcançou 20% nas urnas. Isso pode ter sido pelos “votos envergonhados”: jovens de classe média não declaram para os seus pais e avós o voto a favor de Guilherme Boulos.
Covas venceu em todas as Zonas Eleitorais, inclusive em Pinheiros, polo da esquerda universitária, onde Boulos conseguiu o seu melhor desempenho.
Celso Russomanno seguiu a tendência de queda e por pouco não fica na faixa de um dígito e ser superado por Artur do Val. A estratégia de Russomanno de colar à imagem do Presidente Bolsonaro piorou o seu desempenho, favorecendo Covas, para o qual migrou a maior dos seus votos perdidos. Já Artur do Val, com amplo uso da rede social para mobilizar os adeptos do MBL – Movimento Brasil Livre, ficou pouco abaixo de 10%, acima de Jilmar Tatto e ainda conseguiu a formação de uma bancada de 3 vereadores do Movimento. Foi um caso da importância maior do movimento que do partido.
Márcio França não conseguiu decolar, não superando o teto de 13% por uma estratégia equivocada – uma vez que não foi aceita pelo eleitorado – de brigar com um adversário fantasma que não entrou no jogo.
A estratégia de Covas, por sua vez, de evitar a sua associação com João Dória, que tem elevada taxa de rejeição na Capital, focando nas suas realizações na Prefeitura alcançou o maior percentual de votos do eleitorado votante e sai à frente nas pesquisas de intenção de votos, no segundo turno, com índices muito próximos tanto no IBOPE como no DATAFOLHA.
Persistem ainda duas dúvidas: o eleitorado da periferia mais distante do centro e dos jovens ligados à rede social.

Levantamento comparando os votos de Covas com a soma de Boulos e Tatto

Embora Bruno Covas tenha ganho em todas as zonas eleitorais, inclusive naquelas em que o PT sempre foi melhor que o candidato do PSDB, a soma dos votos de Guilherme Boulos e Jilmar Tatto, mostra outra realidade. Em várias zonas eleitorais na periferia leste e sul da cidade de São Paulo, em número de 19, a soma dos votos dos dois, foi acima dos de Covas.
De um lado pode-se interpretar que Jilmar Tatto e o PT travaram a votação de Guilherme Boulos, mas a perda não foi suficiente para este ser superado por Márcio França.
A outra interpretação é que Boulos capturou os votos até então patrimônio do PT, o que reflete apenas parcialmente a realidade. A principal captura desse eleitorado que até 2012 votava predominantemente no candidato do PT, dando a vitória de Fernando Haddad sobre José Serra, o candidato do PSDB, já havia migrado em grande parte, para Celso Russomanno e, ao longo das campanhas, para a candidatura de João Dória, em 2016, levando-o a vencer no Primeiro Turno.
Nessas zonas eleitorais, supostamente domínio da esquerda, em apenas uma delas, Jilmar Tatto teve mais votos que Boulos, mas ainda menos do que Bruno Covas. Foi em Parelheiros, no extremo sul da cidade, uma das áreas de reunião dos adeptos do MTST.
Mesmo que Guilherme Boulos se torne mais conhecido, em função da maior visibilidade proporcionada pelos programas de rádio e TV, associado ao apoio declarado por Lula, consiga a transferência total dos votos de Jilmar Tatto não seria suficiente para superar Covas.
Os votos da periferia não vão mudar o quadro.

Presente, futuro e passado

Os mais jovens não têm passado: tem presente e tem futuro. Este é sempre de grandes esperanças.
Os jovens paulistanos não estão satisfeitos com a sua vida atual na cidade. Querem melhoria e são mais atraídos pelo candidato progressista que as promete. O outro também é jovem, mas apoiado pelos pais e pelos avós. Para eles é da turma do “mais do mesmo”.
À medida que ganham idade vão ganhando experiências e acumulando passado. As esperanças vão se diluindo com decepções com os seus escolhidos em eleições anteriores. Os eleitores paulistanos, que já votaram mais de uma vez reúnem os decepcionados com João Dória, em 2016 e com Jair Bolsonaro, em 2018. Já tem “um pé atrás” com relação aos novos progressistas.
O segmento dos adultos (acima de 35, até 60 anos), além das decepções recentes, retém a história dos progressistas petistas que acabaram se envolvendo no maior esquema de corrupção na gestão pública. Conhecem a vida pregressa de Guilherme Boulos marcado pelo radicalismo e pelas invasões a propriedades públicas e privadas.
Os idosos, com mais passado do que futuro, tem boa lembrança do Prefeito e Governador Mário Covas Jr. o avó do atual candidato Bruno Covas. Não acreditam mais nos progressistas e tenderão a votar em COVAS, um nome respeitado.

Retrato atualizado
Este é retrato das intensões de votos, capturado por amostragem, pela pesquisa do DATAFOLHA, realizado em 23 de novembro após o início dos programas obrigatórios na TV e Rádio.
Como era esperado com a maior visibilidade pública, Boulos ganhou mais intenções de votos, principalmente entre os que estavam sem candidatos. Ainda tem margem para crescer entre esses. Já Covas, que tinha maior tempo de exposição, seguiu estagnado.
Boulos ganhou um pouco nas periferias mais distantes, com a saída e apoio do PT, mas ainda pouco relevante.
O apoio dos eleitores de Celso Russomanno a Covas é mais importante, nesses segmentos, com grande influência dos evangélicos. Uma parte já havia migrado para Covas no primeiro turno, mas outra ainda se manteve fiel a Russomanno que agora já migraram ou ainda poderão migrar a favor de Covas.
Entre os eleitores de Márcio França, uma parte é radicalmente anti-dória e não migrará para Covas. Outra se dividirá: os mais velhos a favor de Covas e os mais jovens a favor de Boulos.
Com a maior visibilidade as posições a favor e contra ele, ficam mais evidentes. No primeiro turno ele teve muitos “votos envergonhados” que não foram captados nas pesquisas.
O maior conhecimento também gera maior resistência e oposição. Será a principal vitima do voto contra, o que favorecerá Covas.
Boulos ainda tem mais espaço para crescer do que Covas, mas tem pouco tempo para conquistar esses espaços, não chegando a superar Covas, se esse mantiver as posições conquistadas.
Até o próximo domingo, Covas enfrenta dois grandes riscos que poderão comprometer tais posições: o recrudescimento da COVID-19 na Cidade de São Paulo que está enfrentando mal e as abstenções dos seus eleitores.
Este segundo pode ser contido em função da aproximação de Boulos. Reduz a impressão do “já ganhou” o que faria com que muitos preferissem ir para a praia ou ficar em casa.

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