PRÊMIO JABUTI 2020

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Uma grande polêmica envolve este ano o Prêmio Jabuti – uma premiação que homenageia todas as áreas envolvidas na criação e produção de um livro. Enquanto pensava aqui com meus botões do notebook, resolvi escrever este texto e dividir algumas considerações a respeito.
A história do Prêmio Jabuti tem início lá em 1958, com o então presidente da Câmara Brasileira do Livro – CBL – Edgar Cavalheiro, que reunido com intelectuais e estudiosos de literatura brasileira decidiram premiar autores, editores, ilustadores, gráficos e livreiros que mais se destacassem a cada ano, como uma forma de alavancar o mercado editorial da época.
No final de 1959, em cerimônia simples foi realizada a entrega do primeiro Prêmio Jabuti, agraciando autores como Jorge Amado – por “Gabriela cravo e canela” – e a Editora Saraiva, como “Editora do ano”.
E o nome Jabuti?
O ambiente cultural e político da época, valorizava o nacionalismo, a cultura popular brasileira, suas figuras e símbolos; e um autor muito representativo desse movimento era Monteiro Lobato. Pois bem, um dos personagens de Lobato é o jabuti, que ganhou vida e personalidade nas suas obras – como “Reinações de Narizinho” – e que era uma tartaruga vagarosa, mas obstinada e esperta capaz de chegar à frente de seus concorrentes no fim da jornada. Pronto, nasceu aí a inspiração para o símbolo de um setor que enfrenta e enfrentou muitos obstáculos, mas que está sempre se reinventando para continuar existindo.
Foram cerimônias simples e improvisadas até que em 2004, o evento se agigantou e foi parar no Memorial da América Latina em São Paulo. Passando depois disso para a glamourosa Sala São Paulo. De 2014 a 2019 o evento foi realizado no Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer, também em São Paulo.
Com o passar dos anos as categorias foram modificando-se, ora ampliando-se, ora aprimorando-se seus conceitos. Em 2018, o prêmio foi totalmente repaginado para ganhar, segundo seus idealizadores, maior abrangência; e suas categorias foram reorganizadas em quatro eixos: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação.
Este ano concorrem autores conhecidos do público como Nelida Piñon e Martinho da Vila na categoria “Crônicas”; Chico Buarque com “Essa gente”e Edney Silvestre com “O último dia da inocência”, na categoria “Romance literário”; Laurentino Gomes na categoria “Biografia, Documentário e Reportagem”, além de muitos outros.
Vamos à polêmica: esse ano dentro do eixo Literatura, criou-se a categoria “Romance de entretenimento”.
Como poderia ser definido um romance de entretenimento?
Pelo regulamento da premiação a descrição é a seguinte: “Narrativa ficcional em prosa, geralmente longa, cujo enredo se desenvolva relacionando personagens numa sequência temporal. (Até aí nada que divirja da descrição do romance literário). Mas continua: “Aqui devem ser inscritos principalmete, os romances de gênero, de entretenimento, quando se considerar que a obra é voltada para um públlco mais amplo. Por exemplo: policial, ficção científica, terror, romance sentimental/de amor, humor, suspense, aventura, fantasia, entre outros.”
Entenderam?
Confesso que não!
O regulamento explica: no romance literário os jurados avaliarão as qualidades do texto, privilegiando a forma, a arte literária, enquanto que na outra categoria deverão julgar as qualidades do enredo, privilegiando o conteúdo, a trama…
Continuo em dúvida, significa que um romance que traga altas doses de fantasia ou supense deixa de ser romance literário?
Bem, tirem suas conclusões!
Pessoalmente gosto do realismo fantástico de Garcia Marquez, do realismo ácido de Machado, da ironia romântica de Jane Austen. Leio as aventuras de Kerouac e o terror de Edgar Alan Poe e tudo isso é literatura, e tudo isso é entretenimento…
Independentemente da minha opinião ou de alguns intelectuais, considero que esse tipo de iniciativa é sempre uma excelente oportunidade de incentivo e reconhecimento a todos envolvidos no universo de produção de livros, e aos escritores em geral.
Polêmicas à parte, em ano de pandemia, a cerimônia será virtual, como quase tudo no mundo pré vacina COVID. Será dia 26 de novembro próximo, às 19 horas, transmitida pelo Facebook e Youtube da CBL, onde serão conhecidos ao vivo, os vencedores das 20 categorias e também o ganhador do Livro do Ano – aquele que conseguir maior pontuação dos jurados entre todas as categorias. A escritora Adélia Prado, será a homenageada desta edição.
Acredito que será um evento muito importante para as Letras do nosso país, e que talvez o fato de estarmos confinados e já habituados às famosas lives, contará com um público maior.
Que esta polêmica sirva para incentivar a leitura e a discussão sadia de temas tão relevantes.
A certeza é: seja quem forem os vencedores, quem ganha somos sempre todos nós, leitores!

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