Uma palavra sobre meditação.

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ENTREVISTA* com Ana Isabel Friedlander, 48 anos, graduada em Comunicação Social, Master Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching e Pratictioner PNL(programação neurolinguística) pela Sociedade Brasileira de PNL. Atualmente, é formadora na área comportamental em Portugal. Dedica-se à meditação há 8 anos. Estudou essa prática com mestres, livros e cursos, como Mingyur Rinpoche, Monja Coen, Mestre Genshô e Jon Kabat-Zinn entre outros.

  • Esta entrevista foi autorizada por Ana Isabel Friedlander a ser publicada no Blog Muita Idade e Vida Saudável.

MRF – A meditação está sendo usada como um recurso complementar para a saúde. Você poderia dar-nos uma breve síntese da origem dessa prática?
AIF – Há aproximadamente 2.500 anos atrás já haviam pessoas que praticavam a observação da própria mente, que ficavam sentadas a respirar profundamente. Meditar é olhar, mas um olhar para dentro e em profundidade. É a observação do seu processo, dos seus pensamentos, das suas emoções, é respirar e estar no momento presente, usada e praticada pelo Budismo.
O Mindfulness, ou Atenção Plena, é uma vertente da meditação, difundida em meados dos anos 70, pelo médico Jon Kabat-Zinn, professor emérito da Universidade de Massachusetts. Kabat-Zin retirou-lhe o foco religioso e transformou-a como prática de bem estar e redução do estresse. Em 1979, fundou a Clínica do Estresse dentro do renomado MIT (Massachusetts Institute of Technology) e desenvolveu inúmeros estudos com a colaboração de importantes instituições (Universidades de Harvard, Yale e Oregon). Os resultados positivos estimularam novos estudos. Atualmente ainda não há unanimidade em sua aceitação como prática terapêutica, mas já está muito difundida.

MRF – Quais efeitos a meditação pode desencadear nos praticantes? AIF – Os iniciantes da prática da Atenção Plena, após, mais ou menos, oito semanas, relatam resultados significativos relacionados, principalmente, à redução de ansiedade, maior disposição, melhor capacidade de concentração, redução de dores crônicas, maior controle sobre as reações emocionais e o aumento da produtividade. Os indivíduos de muita idade, começam a ter dificuldade em manter a atenção bem focada e, para eles, esses benefícios são muito importantes para a sua produtividade e concentração.
MRF – Quais as maiores dificuldades para se sistematizar a prática da Atenção Plena?
AIF – As dificuldades são intensas e a maioria dos pretendentes acaba por desistir. Eu tive algumas dificuldades, tais como, não ter certeza se estava no caminho certo, esquecer de praticar, ter preguiça de começar, justificar com a falta de tempo, achar-me incapaz de manter a concentração, achar difícil criar o hábito e outras da mesma natureza. Comecei e parei várias vezes. Com persistência e após muito trabalho, reflexão, estudo, formações planejadas e busca por conhecimento, consegui sistematizar essa prática e começar a ajudar outras pessoas que gostariam de adotá-la.

MRF – Você poderia nos contar como se podem ajudar as pessoas que querem iniciar essa prática?
AIF – Essas dificuldades levaram-me a criar um guia ou um método para não esquecer os pontos principais. Esses aspectos podem ser sintetizados por meio do acróstico ROMPER. Essa palavra, em si mesma, já lembra que todas as vezes que queremos quebrar um antigo hábito e instaurar um novo, precisamos empenhar energia e esforço. Romper é a síntese de: regularidade, objetivo, mente, posição, equilíbrio e respiração.
Regularidade – essa prática exige uma constância regular; precisamos de tempo todos os dias. Bastam 10 a 20 minutos, sempre no mesmo horário para induzir o hábito. Eu escolhi o período da manhã, logo que acordo.
Objetivo – Todos os dias, antes de iniciar, é bom lembrarmos do nosso objetivo; porquê estamos dedicando esses minutos para nós mesmos e o que nós gostaríamos de atingir com isso. A satisfação de ter conseguido dá prazer e o nosso cérebro, possivelmente, reage positivamente.
Mente – Nosso foco é organizar e observar a nossa mente, jamais “suprimir” pensamentos. Esse “observar” é sem julgamento, é perceber o que está presente e como nos sentimos em relação a esse conjunto de pensamentos. Eu gosto de pensar que são macacos em uma árvore que saltam de um lado para o outro, estou plenamente atenta ao que acontece nesse instante e vou fazendo com que eles pulem mais devagar e mais harmonicamente e assim eu posso dar atenção às minhas sensações enquanto os macacos se movimentam.
Posição – As posições a serem adotadas são as mais variadas possíveis, andando, sentadas ou até deitadas. O importante é não relaxar tanto que durma. O foco é ficar atenta a atenção interna e. não, dormir. Deve manter boa postura, coluna ereta, braços, ombros, cotovelos e pernas confortáveis, evitando pontos de tensão.
Experimente! Uma boa experiência, mesmo que não seja exatamente Mindfulness, é tomar banho de olhos fechados, com atenção aos movimentos e á respiração.
Equilíbrio – Incluímos nesse método o uso de um dos cinco sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato) para nos ajudar a equilibrar nossas sensações. Recomendo experimentar todos para se conhecer a si próprio e poder escolher o mais apropriado para algumas situações ou momentos ou dias específicos. Pode-se usar a audição escolhendo um som (mantra, canto de pássaro, música, som do vento, das árvores, e outros) e focando nele a atenção. Ao escolher o visual, focamos uma flor, o movimento do mar, uma paisagem e assim por diante. O tato pode auxiliar-nos a manter a atenção focando uma sensação de frio, ou de calor, ou de maciez, etc. Existem muitas alternativas, mas todas devem nos manter no presente, dar equilíbrio, com a respiração adequada e concentrados.
Respiração – Aspecto muito importante em qualquer prática meditativa é a respiração. Uma prática simples envolve inspirar e expirar lentamente, prestando atenção nos espaços internos que são preenchidos pelo ar. Coloque a mão abaixo do estômago e, ao inspirar expanda essa musculatura (para encher melhor o pulmão de ar). Ao expirar contraia levemente essa região auxiliando o ar a sair. Repita sem forçar, só atento á entrada e saída do ar.


MRF – Quais seriam suas últimas recomendações ou dicas aos iniciantes?
AIF – Inicialmente decida por uma prática simples mas consistente, que consiga fazer todos os dias e após alguns dias avalie se lhe foi benéfica ou não. Marque seu horário de preferência, escolha uma posição, um sentido de equilíbrio e experimente a sensação de ficar atento a si mesmo, sem julgar, só respirando de forma calma e profunda.
Se precisar, busque uma orientação mais pessoal, principalmente para iniciar e motivar.
Em momentos de muita tensão e ansiedade eu uso a meditação como solução. Começo por andar de um lado para o outro, dar voltas em um quarto, caminhando cada vez mais devagar. Respiro consciente e atentamente. Isso controla a minha ansiedade e retorno a um estado de maior calma.

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