Literatura de cordel

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Sabe qual é o tipo de literatura mais descontraído, mais leve, criativo e sem preconceitos que eu conheço? É a literatura de cordel!

Sabe quando você vai viajar para o Nordeste – e parada obrigatória – encontra aquelas feirinhas cheia de produtos incríveis, artesanatos típicos variados, roupas, comidas, e no meio daquelas barraquinhas multicoloridas, você se depara com uns caderninhos rústicos, com desenhos simples e pendurados em varais? Isso é o cordel!

E porque tem esse nome?

Acho que dá pra presumir, cordel lembra corda… Sim, o cordel como conhecemos hoje teve sua origem em Portugal, lá na Idade Média com os trovadores – poetas cantores dos séculos XII e XIII – que assim declamavam seus poemas para a população predominantemente analfabeta.

Com o passar do tempo e a chegada da impressão, os textos puderam ser impressos em papel e distribuídos para muitas pessoas.

Onde entra a corda nessa história? É que em Portugal essas pequenas impressões em poemas rimados se apresentavam pendurados em cordas – ou cordéis – como são chamadas em Portugal.

Esses papéis, esses textos, chegaram ao Nordeste do Brasil pelas mãos dos nossos colonizadores portugueses, dando origem à literatura de cordel como conhecemos hoje. Tão famosa em Pernambuco, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte!

Aqueles desenhos simples que citei, que costumam emoldurar as capas dos cordéis são chamados de xilogravuras, que são gravações em madeira transpostas para papel, como um tipo de carimbo.

Eu disse que esse tipo de literatura é descontraído, leve, criativo; mas não pense tratar-se de algo simples. O texto é escrito com métrica fixa e rimas, o que traz a musicalidade aos versos.
E sobre o que falam estes versos?
Realmente eles falam, pois uma característica dos cordéis é a oralidade. Seus temas normalmente são: costumes locais, lendas folclóricas, religião, política, temas que fortaleçam a identidade regional.
Patativa do Assaré foi um dos mais conhecidos repentistas do Brasil. Cearense, faleceu em 2002 deixando um grande acervo de repentes onde cantava a cultura nordestina do século XX com uma linguagem simples, poética, retratando a vida sofrida e árida do sertanejo. Conseguiu uma maior projeção com o poema ‘Triste Partida” em 1964, quando seus versos foram musicados e gravados por Luiz Gonzaga. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, a tradicional universidade francesa.
Hoje a literatura de cordel é reconhecida como patrimônio cultural imaterial, existindo até uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede no Rio de Janeiro.
Ficou curioso? Aqui vão apenas os dois últimos versos de “Triste partida”, pra dar vontade de conhecer a Obra toda:
“Distante da terra
Tão seca, mas boa
Exposto à garoa
A lama e o baú
(Meu Deus, meu Deus)

Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No norte e no sul
(ai, ai, ai, ai)”

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