CONSUMO, SUSTENTABILIDADE E SAÚDE

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Uma tribo de Papua Nova Guiné constrói casas em árvores.

Pessoas vivem em comunidades trocando alimentos e produtos sem usar dinheiro.

Alimentos e plantas servem como remédios, restauram a saúde e curam doenças.

Águas e solos são recuperados refazendo o que a natureza criou e o homem destruiu.

Impressionante que em nosso mundo atual existam maneiras de viver totalmente fora do sistema, de maneira autossustentável; que existam tradições milenares ainda vivas.

Pesquisando permacultura e ecovilas, encontrei maneiras de viver mais sustentáveis, ecológicas, saudáveis e de baixo consumo.

Algumas ecovilas cedem moradias gratuitas àqueles que querem viver por lá; outras cobram um preço muito baixo e com possibilidade de retorno do dinheiro caso a pessoa não se adapte. As ecovilas são sistemas completos de autossuficiência, pois integram a população local com cultivo sustentável, natureza, baixo consumo, onde cada um tem sua função e papel na comunidade. A maioria do consumo se dá pelo cultivo e convívio local.

Produção de alimentos, produtos de higiene pessoal, roupas, móveis, tudo pode ser pensado comunitariamente e para criar baixo impacto na natureza.

Vivemos em um mundo de alto consumo, temos a oportunidade de repensar nosso consumo como nunca antes tivemos; de entender nossas escolhas e do que realmente precisamos.

Essa pandemia freou (ainda que temporariamente) o alto consumo de roupas, por exemplo. Até então nunca havia se consumido tanta roupa. O “fast fashion” (roupas com tendência de moda, baratas e menos duráveis) é o grande carro chefe do consumo de moda atualmente, uma indústria bilionária que explora mão-de-obra barata de países muito pobres e polui a natureza, contaminando os solos, os rios, o ar. De onde achava que suas roupas vinham

Assim como indústria da moda, a indústria alimentícia também é responsável pela destruição de formas de cultivo familiares e ancestrais, poluição das águas, do solo e do ar. Desmatamento para cultivo de gado (veja que expressão absurda: cultivo de gado), monocultura, fabricação de embalagens que ficarão anos na natureza, venenos cada vez mais poderosos para a conservação de alimentos; poluindo o solo, os rios e o ar. Matando os animais, as plantas, você. Poluindo seu corpo, alterando suas células, gerando doenças e mortes.

Como podemos ajudar a impactar menos o planeta, a nossa saúde? Estando atentos a tudo o que formos consumir. Lendo rótulos e etiquetas, entendendo os significados dos componentes, símbolos, criando nosso dicionário sustentável e saudável. Entendendo o que significa “made in Thailand”, não por tradução, “feito na Tailândia”, mas entendendo o significado que tem a produção de uma roupa na Tailândia, que houve, por exemplo, exploração de mão-de-obra.

Perguntando-nos se aquilo que queremos é realmente necessário e se tem uma maneira mais sustentável de consumir aquele produto. Investigando a origem, todo o processo de fabricação e pensando em como o seu descarte afetará a natureza, o outro e o futuro. Recusando-nos a consumir marcas e produtos que não se preocupem com as pessoas, com a natureza nem com o futuro.

Podemos também consumir alimentos cultivados por pequenos produtores locais, alimentos de cultivo consciente, orgânicos e frescos, que respeitem a natureza e às pessoas. Comer alimentos livres de agrotóxicos e que não foram cultivados destruindo o solo, as famílias, os rios, ajuda não só a sua saúde, mas todo o planeta.

Antes de comprar uma roupa (ou qualquer outro item: sapatos, panelas, móveis, celulares, tintas, azulejos, cremes, acessórios, carros) entenda todo o caminho que ela fez para chegar até você. Quem a produziu? Onde? O que será dela quando você não a quiser mais? Vai dar para trocar com alguém? Vender? Reciclar? São algumas perguntas que podemos fazer. Comprar uma roupa que usou uma matéria-prima vinda de uma produção consciente, onde houve uma preocupação com toda a cadeia de produção, desde o plantio do algodão sem uso de agrotóxicos, por exemplo, pode custar mais caro, porém o benefício de ter uma forma de produção sustentável, ecológica e pensada, vai além do benefício individual.

Valorizar o que é local também é uma forma de contribuir. Apoiando os produtores locais, incentivamos que mais produtores se preocupem com essas questões e queiram produzir de maneira mais sustentável. Assim, diminuímos os preços das coisas, impactamos menos a natureza e ainda cuidamos da nossa saúde como indivíduos e como sociedade.

Temos que nos perguntar como as coisas são feitas, temos que perguntar para as marcas como elas fazem as coisas. Temos que exigir que tudo seja muito pensado, planejado, estudado. Para isso temos que premiar aqueles que estão pensando no impacto de tudo o que fazem e não consumir daqueles que não se preocupem com cada detalhe que possa fazer enorme diferença.

Por que não exigimos dos governos leis que regulamentem as embalagens, por exemplo? Somente isso já seria uma grande mudança. E se todas as embalagens fossem obrigatoriamente biodegradáveis?

Enquanto isso, podemos nos preocupar com o impacto de cada escolha nossa.

Podemos escolher produtos com embalagens ecológicas. Podemos fabricar nosso próprio amaciante, sabonete, desodorante, pasta de dente. Podemos customizar nossas roupas transformando-as em novas roupas, podemos deixar de comprar roupas feitas com trabalho escravo. Podemos escolher alimentos mais frescos, sustentáveis e orgânicos.

As tribos indígenas nos mostram que precisamos muito menos das coisas que temos para viver, que podemos ser saudáveis e felizes com respeito à natureza e às pessoas. As ecovilas propõem novas formas de consumo e convívio. É necessário que ampliemos o movimento de questionamento da origem das coisas, que pensemos em novas formas de convívio e consumo. Que nos preocupemos com o planeta de forma geral. A internet e a pandemia vieram nos mostrar o que já deveríamos saber, o que a natureza já nos mostrou há muito tempo: não estamos separado

Você também pode gostar de: