Cenários da disputa eleitoral da Prefeitura de São Paulo: A nova rodada de pesquisas (IBOPE e DATAFOLHA)

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A divulgação das novas pesquisa sobre as intenções de voto para as eleições para Prefeito Municipal de São Paulo, a do IBOPE, realizada de 28 a 30 de outubro, com 1.204 votantes, e do DATA, realizada de 03 e 04 de novembro, com 1.260 votantes, confirmam as tendências, com crescimento gradual, constante e consistente de Bruno Covas, garantido a sua presença no segundo turno e uma indefinição com relação ao segundo candidato.
Ao mesmo tempo que Celso Russomanno tem uma queda acentuada e constante, perdendo intenções de votos em todos os segmentos, inclusive o dos evangélicos e exceto o de menor renda, com a migração dos eleitores a favor de Bruno Covas e Márcio França, este cresce gradualmente, podendo alcançar o segundo turno, “desbancando” Russomanno, que não conta com qualquer fato novo impulsionador da sua candidatura. Um eventual apoio direto e explícito de Jair Bolsonaro, ao contrário, poderá ser um fator de sepultamento definitivo das suas pretensões.
As intenções de voto a favor de Celso Russomanno como o opositor de Covas-Dória, incorporando a nacionalização das eleições municipais, tenderão a migrar, nos últimos metros antes da fita de chegada, a favor de Márcio França, para evitar a ascensão de Guilherme Boulos.
Boulos tem o seu crescimento travado pelo PT, o que pode gerar um fato esperado, mas pouco provável: a desistência de Jilmar Tatto, declarando o seu apoio a Boulos, avalizado por Lula. Muitos eleitores petistas já migraram a favor de Boulos, principalmente os da “esquerda universitária”, independentemente da orientação da direção partidária, mas os petistas de menor renda e menor escolaridade, não tem tanta independência.
Nesse caso, o segundo turno seria disputado entre Bruno Covas e Guilherme Boulos, com amplo favoritismo do primeiro. Mas ainda pode ocorrer uma “virada”.
Sumário
Consolidação da liderança Bruno Covas 2
A queima de gordura de Celso Russomanno 3
Apresentador de TV e veterano político: base da preferência inicial 4
“O tiro no pé” na associação com Bolsonaro 4
O bastião a ser protegido e mantido 5
Risco de ser superado 5
Não há indícios de disparada final de um azarão 6
A disputa pela segunda vaga 6
Os cenários mais prováveis, a partir do quadro de hoje 7
Cenários a partir da pesquisa IBOPE 7
Cenários a partir da pesquisa DATAFOLHA 7

Consolidação da liderança Bruno Covas

A nova rodada de pesquisa de intenção de votos do IBOPE para a Prefeitura de São Paulo, mostra a consolidação da liderança de Bruno Covas na preferência do eleitorado paulistano, em todos os segmentos, exceto entre os evangélicos e a população da baixíssima renda (de 0 a 1 SM), nos quais Celso Russomanno lidera. Este ainda tem uma pequena vantagem entre os jovens entre 18 a 24 anos.
Honestidade, seriedade e perseverança, características herdadas do seu avó Mário Covas Filho, davam base à formação de um núcleo central de preferência eleitoral. Com penetração em todos os segmentos.
O que lhe colocava em segundo lugar nas preferências detectadas pelas pesquisas de intenção de voto.
Faltava-lhe mostrar competência gerencial para governar a maior cidade brasileira, para cuidar da cidade e dos seus 12 milhões de habitantes, mais do que de muitos países.
Não tendo sido eleito como “cabeça de chapa”, muitos paulistanos nem sabiam que ele era o Prefeito Municipal, substituindo João Dória.
Com um perfil mais discreto que seu antecessor, um espalhafatoso profissional de marketing, sem maiores gastos com publicidade, para mostrar serviços, esperou pelo programa “gratuito” para mostrar. Uma sovinice também herdada do avó.
Com a divulgação das realizações na Prefeitura e seu posicionamento no enfrentamento da pandemia, passou a ser mais bem conhecido e ganhos preferência em todos os segmentos, recebendo os migrantes da preferência inicial por Celso Russomanno.
Com exceção dos evangélicos e do segmento de baixíssima renda (até 1 SM), e dos mais jovens (16 a 24 anos) que se interpenetram, formando um mesmo conjunto, passou a liderar a preferência das intenções de voto, de todos os demais e a liderança geral. Ainda tem espaço para assumir a liderança nesses segmentos, exceto o dos evangélicos, embora não seja impossível.
Buscou se desvencilhar do apoio e da imagem de João Dória, a quem sucedeu, dado alto nível de rejeição deste, em função do abandono do cargo, antes mesmo de completar dois anos para disputar o Governo do Estado.
Deverá crescer ainda, alcançando cerca de 30% das preferência geral nas intenções de voto, o que deverá ser concretizado, com pequena margem de erro, garantindo a sua presença no segundo turno.

A queima de gordura de Celso Russomanno

A desidratação de Celso Russomanno, ao longo da campanha, nada mais é que a queima do excesso de gordura, que integra a sua imagem, no início do processo.
As preferências iniciais do eleitorado por Celso Russomanno decorreriam do maior conhecimento dele por cerca de metade daquele contingente, em contrapartida ao pouco conhecimento dos demais, exceto Márcio França.

Apresentador de TV e veterano político: base da preferência inicial
Celso Russomanno, além de um veterano político, eleito várias vezes deputado federal, foi candidato derrotado a Prefeito, em 2012 e 2016, com pouca visibilidade no primeiro e maior no segundo, em função do tempo nos programas obrigatórios da propaganda eleitoral, distribuído em função da bancada partidária, tem um programa continuado de televisão, na defesa do consumidor (“patrulha do consumidor”) acompanhado por uma população de baixa renda. Ademais é apoiado pela Igreja Universal do Reino de Deus, que é proprietária da rede da TV Record.
A sua base central é um eleitorado evangélico, jovem, de baixa renda e ensino fundamental.
No conjunto, esse eleitorado inicial de Celso Russomanno, representaria cerca de 30% do total, mas o “núcleo duro” teria um piso da ordem de 16%.
As suas perdas tem migrado, principalmente para Bruno Covas e para Márcio França. Mesmo no eleitorado de baixa renda e ensino fundamental Russomanno se mantém à frente de Boulos. Suas principais perdas estariam entre os mais jovens e parte dos evangélicos.

“O tiro no pé” na associação com Bolsonaro

A tentativa de manter o seu eleitorado, associando a sua imagem a de Jair Bolsonaro, por conta do nível de aprovação do Presidente, em função do auxílio emergencial, teve efeito negativo.
Embora tenha melhorada a aprovação nacional, Bolsonaro não tinha o mesmo nível de aprovação nacional na cidade de São Paulo e foi agravado pela posição contrária à compra da vacina Coronavac, que parece ser a primeira a ser disponibilizada no Brasil. A maioria da população quer ser vacinada, não estabelecendo preferência ou recusa em função da origem nacional da vacina.
Os favoráveis às restrições à vacina da SINOVAC, já seriam eleitores de Russomanno, não havendo ganho para este. Mas entre os contrários às posições do Presidente que seriam ao todo, 67% do eleitorado, há eleitores de Russomanno que tendem a deixá-lo. Se forem em direção de Bruno Covas e não de Márcio França, manteria a sua condição de ir para o segundo turno.

O bastião a ser protegido e mantido

O principal bastião estratégico de Russomanno está no segmento de 0 a 1 SM, dominado por este, com 28% das preferências, seguido por Bruno Covas, com 25%. Boulos só tem 5% nesse segmento, superado por Márcio França e Jilmar Tatto. É o principal segmento de atuação direta de Boulos, com o seu movimento dos trabalhadores sem teto – MTST, promovendo invasões de áreas desocupadas. Não teria a aprovação generalizada dos fora do movimento. O seu principal instrumento é a rede social que pouco atinge esse segmento, por não terem ou não saberem utilizar os aplicativos dentro dos celulares, mesmo que os possuam. Já Jilmar Tatto conta com enormes recursos, do Fundo Eleitoral, para uma campanha “corpo a corpo” com a mobilização de cabos eleitorais. Tem o dobro de Boulos na preferência desse segmento, empatando com Márcio França, que tem 9% .
Boulos precisaria ter superado Márcio França e alcançado pelo menos 10% nesse segmento para poder chegar ao segundo turno. Ele precisaria que os universitários de esquerda se dispusessem ir às ruas das periferias, como ação de militância o que o PT conseguia fazer no passado. Mesmo com a ação voluntária, conta com pouco recursos para a logística e tempo para tal. Tem ainda a restrição do risco de contaminação pelo coronavirus.
Já Russomanno conta com a rede de igrejas evangélicas, que através do acolhimento a essa população que as busca e do trabalho dos pastores consegue manter a preferência a ele.
É também o segmento beneficiado pelo auxílio-emergencial, mas esse não teria ajudado Russomanno a aumentar a preferência daquele mais do que tinha ou tem com o apoio das igrejas. Pode ter perdido apoio, uma vez que 71% discordam da posição de Bolsonaro em relação à vacina Coronavac, acima da média geral de 67% dos discordantes. Os que concordam – nesse segmento – são 24% equivalente a preferência eleitoral a favor de Russomanno. Provavelmente os bolsonaristas radicais desse segmento da pobreza já estariam com Russomanno.
“Colar em Bolsonaro não teria ampliado a preferência por Russomanno nos segmentos do seu “núcleo duro” e, em contrapartida, teria ampliado a rejeição dos demais segmentos. O que deverá levar Russomanno ao seu piso de 16%.

Risco de ser superado
A possibilidade de ser superado por Márcio França é maior do que por Boulos. França tem recebido a preferência dos que estão deixando Celso Russomanno e não querem apoiar Bruno Covas, em função da rivalidade entre Bolsonaro e Dória.
Boulos precisaria ampliar a sua base nos segmentos de baixa renda, mas encontra a barreira do PT. Este tende a manter a sua candidatura, mesmo que isso represente cortar a possibilidade de um candidato de esquerda disputar o segundo turno. A prioridade total do PT é ele mesmo e agora o Lula Livre. Não se importa que um candidato de esquerda não chegue ao segundo turno. Se chegar irá apoiar, mas jamais no primeiro turno. É da natureza do petismo.

Não há indícios de disparada final de um azarão
A duas semanas do primeiro turno as tendências indicam a possibilidade ou não da disparada de um “azarão” na reta final. Em São Paulo essa possibilidade não é mostrada, tanto na pesquisa do IBOPE, como a do DATAFOLHA.
O único crescimento, mais consistente, não inusitado, é de Márcio França, que aumentou a sua possibilidade de chegar ao segundo turno. França mudou a sua estratégia deixando de alvejar Bruno Covas, associando-o a Dória, para mirar Russomanno. Como Covas está garantido para o segundo turno e conseguiu descolar a sua imagem de Dória, o ataque a este, na expectativa de ser o principal candidato anti-Dória não o ajuda – de forma suficiente – a chegar no segundo turno.

A disputa pela segunda vaga

França precisa descontruir Russomanno, assim como Boulos, para disputar o segundo turno contra Covas e ai, retomar a estratégia anti-Dória. O que não seria suficiente para ser eleito Prefeito Municipal.
Guilherme Boulos está contido pelo PT, ainda insistindo em Jilmar Tatto, mas parte dos seus eleitores pode migrar para Boulos, mesmo sem orientação partidária, como voto útil.
A mudança decorreria da percepção de que Russomanno continuaria em queda, ficando fora do segundo turno, deixando a disputa pela segunda vaga entre Boulos e França.
Celso Russomanno não conta com nenhum fator relevante para reverter a curva descendente. Uma eventual participação maior de Jair Bolsonaro ou de Eduardo Bolsonaro só pioraria a sua situação.
As tendências das mais recentes pesquisas indicam Márcio França, superando Celso Russomanno, com a migração dos eleitores deste para aquele entre os jovens e de menor renda.

Os cenários mais prováveis, a partir do quadro de hoje

Cenários a partir da pesquisa IBOPE
A partir da análise da pesquisa do IBOPE do final de outubro, os cenários mais prováveis para o segundo turno são: Bruno Covas x Celso Russomanno ou Bruno Covas x Márcio França.
Segundo a pesquisa do IBOPE, Bruno Covas venceria nos dois cenários.

Cenários a partir da pesquisa DATAFOLHA

Num eventual segundo turno entre Covas e França, este deverá retomar a estratégia de associar Covas a Dória, o que deverá ser contraposto por uma associação de França com Bolsonaro. Ambos buscarão se descolar de padrinhos ou apoiadores incômodos, concentrando-se nas questão da cidade. França buscaria enfatizar eventuais falhas ou fracassos pontuais da gestão Covas.
A contra-argumentação de Covas poderá ser a demonstração da aprovação popular à sua gestão. Dependendo dos números poderá comparar com a avaliação da gestão de França, como Governador.
O voto útil poderá pesar nas eleições, mas alguns apoios poderão ser negativos, como o de Russomanno para França. Este embora do PSB é pouco percebido como um candidato de esquerda, para conquistar os votos de Boulos e Tatto.
Covas é quem tem melhor condições de ganhar o voto útil, antibolsonaro.
Por outro lado, os bolsonaristas sectários, opositores radicais de João Dória, tenderão a descarregar os seus votos a favor de Márcio França.
Na alternativa Covas x Boulos, o atual Prefeito teria a preferência do voto útil, em função ainda do grande receio de parte do eleitorado do retorno do PT ou da esquerda radical.
A menos de uma grande reviravolta, o que as tendências do segundo e terceiro pelotão não enunciam, o cenário mais provável continua sendo um segundo turno entre Covas e Marcio França, com vitória final do primeiro.
A única mudança significativa que ainda poderá ocorrer é a desistência da candidatura de Jilmar Tatto a favor de Boulos o que é pouco provável. O PT ainda sonha com uma fulminante arrancada no último final de semana, antes das eleições. como ocorreu com a vitória de Luiza Erundina, virando “nos acréscimos” sobre Paulo Maluf em 1988.
As circunstâncias atuais não são as mesmas e Luiza Erundina é a candidata a Vice-Prefeita do PSOL e não do PT.

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