Uma quarentena para a eternidade.

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Até o início do ano, parecia que 2020 seria muito especial. Recém chegados em uma nova cidade, eu, prestes a completar 60 anos, e minha esposa deixamos os filhos morando na capital para construir a nossa nova residência em Pindamonhangaba, cidade do interior de São Paulo.
Embora iniciando uma aposentadoria mais ou menos tranquila do ponto de vista financeiro, a minha esposa foi surpreendida por uma doença neurodegenerativa há poucos anos, o que impõe diariamente novas necessidades e desafios.
Precisávamos de uma nova casa, térrea, com facilidade na acessibilidade para uma pessoa que começa a ter sua mobilidade comprometida.
A Sandra é arquiteta e eu fui gestor de negócios. Projeto definido, fluxo de caixa planejado, precisávamos iniciar a parte burocrática para conseguir a licença de construção.
A execução já estava acertada, ainda que não contratada. Iríamos trazer profissionais de fora do estado, uma vez que não tivemos sucesso na contratação de mão de obra local.
Mas, então, o desafio se tornou ainda maior por conta de outra surpresa e teríamos que iniciar a quarentena tardiamente imposta pelas autoridades para mitigar os efeitos da pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2, também conhecido como coronavírus.
No início, achávamos que seria algo muito rápido, mas, quando ouvimos as primeiras explicações do então ministro da saúde, Luis Mandetta, percebemos que estávamos iniciando uma fase desconhecida a todos.
Como tudo na política brasileira não tem consenso, a confusão gerada por informações desqualificadas era enorme. Interesses econômicas pressionaram para que as autoridades ignorassem a gravidade dos fatos. Em quem e no que acreditar? Como já comandei equipes na área de pesquisa científica, sabia que o correto era ouvir pessoas ligadas a ciência, nada de fake news!
Buscamos informações em instituições conceituadas, falamos com médicos amigos e com parentes e conhecidos de fora do Brasil que já estavam sob a quarentena. Decidimos que iríamos levar muito a sério a recomendação para o isolamento social.
Iniciamos uma nova fase. Felizmente, a tecnologia nos ajudou muito! Todos os aniversários de amigos e parentes foram comemorados, mas à distância. Reuniões virtuais passaram a ser rotina e ainda o são.
Nossa construção precisava ter um início. A prefeitura local se estruturou, todas as documentações necessárias correram de forma on-line e em junho já tínhamos a licença de construção expedida.
Decidimos esperar até agosto e colocamos o projeto em marcha, com todos os cuidados que o momento exige. O nosso objetivo é inaugurarmos nossa nova moradia em agosto de 2021, esperançosos de que, até lá, a pandemia já tenha acabado.
Ainda sentimos muito a falta da convivência familiar, dos amigos e da nossa comunidade, mas sabemos que a ciência irá encontrar uma solução e esse período será superado.
Enquanto aguardamos, entretanto, registramos aqui nossos pesar e lamento pelos familiares das mais de 160 mil vítimas, até o momento, que não se esquecerão da tragédia que também os surpreendeu.

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