Rejeição, amor romântico e amor

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Se todos perceberem que não é preciso compartilhar tudo com uma só pessoa, a necessidade do par ideal acabará.

Se soubermos que podemos compartilhar nossas vitórias, dores e angústias, com muitas pessoas e também com elas compartilhar as delas, não precisaremos transformar aqueles que escolhemos para serem nossos parceiros amorosos nos amores perfeitos e ideais que criamos em nossas mentes, criações essas nem sempre conscientes, criações vindas de modelos e padrões que nem questionamos.

O amor não pode ter significados diferentes para cada pessoa. Isso, quem tem, é o amor romântico. O amor romântico é aquele modelo de amor que cada um tem na sua cabeça. É uma opinião, uma teoria, uma ideia, um conceito.

O amor não é o amor romântico, aquele idealizado, construído mentalmente. O amor romântico é aquele construído pelo oposto: amor x ódio. Se o outro me dá o que espero, o que idealizei como amor, o que idealizei como casal; ou seja, se ele segue o meu script, então estou feliz e confortável, me sinto amado e posso amar, mas se o outro sai daquilo que penso que deveria ser o seu comportamento de amor, fico frustrado, me sinto rejeitado e peço ao outro que me ame do jeito que eu espero como prova de amor.

Pedir a outra pessoa que siga o seu script (e aqui, quase sempre, esse script vem de um padrão socialmente aplicado e aceito, ou seja, nem seu script é) para se sentir amado, é o oposto do amor. Tudo o que é oposto, é construído mentalmente, é apenas um conceito criado de amor e não é amor de verdade.

Só dá pra ser parceiro quem for inteiro. Quem se dá o que precisa, quem se olha com franqueza, conhece seus limites e sabe que o outro é igual. É saber que o outro não é o super-herói salvador da nossa vida, provedor de tudo e liquidador de todas as nossas dificuldades.

A ideia de amor romântico tira a clareza necessária para viver a parceria na realidade.

Devemos prestar atenção às nossas projeções e expectativas, observar se não estamos querendo reproduzir ideias românticas de completude e segurança.

Não dá pra ter segurança e certeza de nada na vida, mas por que queremos isso quando entramos num relacionamento amoroso? Se não estivermos conscientes que a vida é completa insegurança e incerteza, certamente entraremos em um relacionamento amoroso com a ilusão de segurança e, por ela, tentaremos transformar o outro em algo fixo.

Devemos nos perguntar se estamos querendo formar um casal para termos todas as nossas necessidades supridas ou para nos relacionarmos de verdade. Formar um casal por mera reprodução social, sem questionar os motivos, é contraproducente.

Por que não realizamos o que esperamos que o outro realize por nós ou conosco?

Por que nós mesmos não nos tornamos o que queremos e livramos o outro dessa obrigação?

Enquanto acharmos que os outros são responsáveis por nossos estados emocionais, não temos a menor chance de amadurecer, nem de sermos livres.

O amor não é um conceito intelectual. O amor é.

O amor é o pano de fundo da vida, tudo permite. Aquele que ama pode ser, querer e levar a vida que quiser e assim age com todos os outros que estão na sua vida. A liberdade que tem, é a liberdade que dá. O amor não acaba, não é direcionado a essa ou aquela pessoa, é um entendimento da vida, é infinito, é compartilhado.

Criamos nosso estilo de vida de acordo com as nossas preferências, atrações e repulsas, é assim também que escolhemos aqueles que permanecem mais próximos de nós. As vezes, essa escolha é consciente; em outras, a própria maneira que nos movimentamos na vida, nossos hábitos, gostos e aversões, escolhem por nós.  Tudo isso se altera o tempo todo. Saber disso, é entender o vai e vem da vida, as pessoas que entram e saem dela e fluir naturalmente.

O amor ilumina a todas as coisas, mas não se torna as coisas que ilumina.

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