Cenário da disputa eleitoral da Prefeitura de São Paulo: Os candidatos nanicos.

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Os nanicos de esquerda

Entre os 14 candidatos registrados para a eleição de São Paulo, 3 são de partidos nanicos que não tem representação no Congresso Nacional, na atual legislatura, mas estão presentes em todas as eleições majoritárias em São Paulo.

Dois são de esquerda, o Partido da Causa Operária (PCO) e o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) e um de direta, o PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro) os quais não tiveram nenhum deputado eleito para o Congresso Nacional, em 2018, perdendo o direito de inserções do partido na rádio e televisão, tempo de TV nas campanhas e outros direitos, inclusive a quota mínima do fundo partidário, suspensa ou cancelada pelo TSE em função das mudanças na legislação eleitoral. 

Mesmo assim, seguem sempre apresentando os seus candidatos, com votações que, em geral, não chegam a 1% do total de votos válidos.

PCO e PSTU são dissidências minoritárias do PT, que deixaram o partido ou dele foram expulsos por posições radicais  ou divergentes dentro dos movimentos de esquerda. O PSTU segue uma linha totskyista e tem um protagonismo sindical importante, dominando o sindicato do metroviarios em São Paulo, o de metalúrgicos do Vale do Paraiba e os metalúrgicos de São José dos Pinhais – PR onde está a fábrica da Renault.

A sua candidata em 2020, para a Prefeitura de São Paulo, é a professora Vera Lucia Salgado, militante não operária, uma das fundadoras do partido e que representou o partido nas eleições presidenciais de 2018, tendo recebido 57 mil votos. 0,05% dos votos válidos.

Não tem bandeiras e propostas para conquistar novos nichos do eleitorado, dentro do já congestionado segmento do eleitorado de esquerda. O trotskismo que já foi relevante dentro do comunismo, está marginalizado. Alguns movimentos estão saindo do partido, migrando para outros como o MAIS, para o PSOL, esvaziando ainda mais o PSTU.

O Partido da Causa Operária tem expressão ainda menor que o PSTU, sobrevivendo pelo esforço do seu fundador e presidente do partido, o jornalista Rui da Costa Pimenta.

O PCO é igualmente uma dissidência do PT formado pelos componentes da então Causa Operária ser expulsa por afrontar os acordos do PT, acusados de serem acordos com a burguesia, contrariando, segundo ela, os preceitos marxistas.

O seu representante nas disputas eleitorais passou a ser o professor Antonio Carlos Silva que já foi candidato a deputado federal e Prefeito (no Rio de Janeiro) e será o candidato do partido à Prefeitura de São Paulo, em 2020.

Assim como outros partidos que se declaram marxistas, defensores do socialismo, sem concessões à burguesia, visando a conquista do poder pelos trabalhadores têm uma visão do mundo e das circunstâncias defasadas diante das transformações e não conseguem ir além de um nicho do eleitorado. 

Levi Fidelix – PRTB

Levy Fidelix é um jornalista e publicitário, com capacidade de formar partidos políticos, mesmo sem base eleitoral. 

É um fenômeno social que mostra que é mais fácil angariar assinaturas para a formação de partidos do que obter votos. Mas é favorável para partidos desconhecidos do que conhecidos. Enquanto surgem novos partidos, com o número de assinaturas reconhecido, sem grandes contestações, novos partidos com lideranças ou proposições mais conhecidas tem dificuldades. O REDE teve que refazer a coleta de assinaturas e o ALIANÇA, partido que Bolsonaro criou, teve adesão baixa, mesmo antes da pandemia. 

Supostamente as pessoas assinam a pedido, quando não assumem responsabilidade significativa. Mas relutam quando percebem que a sua assinatura tem importância.

Levy Fidelix, como outros criadores de partidos, perceberam esse traço da cultura brasileira e aproveitaram a oportunidade para criar um partido político para “chamar de seu”: o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro – PRTB. 

Embora tenha o Trabalhista em sua denominação essa bandeira foi perdida ao longo do tempo, com as sucessivas dissidências do trabalhismo original.  A primeira divisão ocorreu com a criação do PDT por Leonel Brizola, ao não conseguir o comando do PTB. Uma dissidência do PDT, no Rio de Janeiro, junto com dissidentes do PMDB, levou à criação do PTR – Partido Trabalhista Renovador. Levi Fidelix promoveu uma nova dissidência criando do PTRB, posteriormente transformado em PRTB, sempre adonado por Fidelix.

Valendo-se dos benefícios dados aos partidos politicos pelo Estado, Levi Fidelix se candidatou sucessivamente a cargos legislativos e executivos, com votação ínfima.

Com uma bandeira repetida em todas as eleições tornou-se uma figura folclórica  do “homem do aero-trem” sem lhe render votos.

Conseguiu um pouco mais de votos, antecedendo a Jair Bolsonaro 4 anos antes, ao se posicionar contra a homossexualidade. 

As suas posições no campo da direita, teriam atraido o General Hamilton Mourão, que “perseguido” pelo então Governo e estamento militar, entrou para a reserva e, na política, optou por se filiar ao PRTB. O PSL ainda não tinha se transformado na base partidária de Jair Bolsonaro.

Depois de várias opções frustradas, Bolsonaro convidou Mourão para ser o seu vice que teria respondido: Tango, Mike, Julliet.(*)

(*) na linguagem aeronáutica, TMJ, traduzido para TaMos Junto.

O PRTB se coligou com o PSL, reforçando a sua imagem política.

Os dados das pesquisas eleitorais indicam que esse reforço não tem tido grande repercussão eleitoral. Levi Fidelix continua com o seu eleitorado central, sem conseguir grandes ampliações. Não poderá contar com os bolsonaristas, porque esses vêm Mourão, como um pretendente a assumir o lugar de Bolsonaro. Não confiam em Mourão.

Levi Fidelix não vai conseguir sair muito da sua posição junto ao eleitorado, ficando na faixa de 2%.

O trabalhismo

O movimento trabalhista promovido por Getúlio Vargas, com a criação do então PTB, partido trabalhista brasileiro, como alternativa à polarização política entre o PDS e a UDN, gerou uma sucessão de partidos trabalhistas, por dissenções, com perda da “visão trabalhista”.

Com o retorno dos partidos, Ivete Vargas, sobrinha de Getúlio Vargas foi mais ágil assumindo o controle do PTB. Leonel Brizola, então o principal líder trabalhista, criou o PDT, que permaneceu no campo da esquerda. O PTB, com diversas mudanças de lideranças, com o enfraquecimento dos trabalhistas tradicionais não brizolistas, foi capturado por Roberto Jefferson, um político carioca que se aliou ao PT na primeira eleição de Lula, em 2013, dentro de uma visão “fisiológica” de participar no loteamento da Administração Federal. Foi agraciado com os Correios e a Casa da Moeda, entre outros. Sentindo-se traido por José Dirceu que não só não teria cumprido os compromissos, como teria conspirado para tirar o PTB de Jefferson do Governo, “botou a boca no trombone” denunciando-o e ao Governo do PT, resultando no processo do mensalão. Derrubou José Dirceu, mas Lula saiu incólume. 

Cumprido o seu período de perda dos direitos políticos retornou com posições radicalmente antiesquerda e com a sua costumeira desenvoltura, não só aderiu a Bolsonaro, como se tornou o principal líder político pro-Bolsonaro e do campo da direita.

Lançando Marcos da Costa, ex-Presidente da OAB, como o candidato do PTB à Prefeitura de São Paulo, coligou com o REPUBLICANOS para reforçar a candidatura de Celso Russomanno e do bolsonarismo, indicando Marcos da Costa como o candidato a Vice-Prefeito.

O PDT ora dominado por Ciro Gomes, ainda que mantenha Carlos Luppi na presidência do partido, sem liderança forte em São Paulo, preferiu se coligar com o PSB, indicando Neto, um dirigente sindical, como Vice de Márcio França. 

O trabalhismo não será um protagonista relevante nas eleições municipais de 2020 e pouco ajudará a eventual campanha de Ciro Gomes, para a Presidência em 2022.

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