Vai ver se estou lá no Clube da Esquina

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Difícil dizer quando foi a primeira vez que ouvi o Milton Nascimento, mas lembro, com absoluta certeza, que foi escutando uma música dele que vi minha mãe chorar pela primeira vez; assistia, pela TV, ao cortejo fúnebre de Tancredo Neves, acompanhado por Coração de Estudante, na linda e inconfundível voz do Milton; não sei se estava emocionada pela música ou pela morte do Tancredo, adiando ainda mais a redemocratização do Brasil.

E quem não se emociona com a voz dele? Elis Regina certa vez contou que sua mãe dizia que “se Deus tivesse uma voz, teria a voz do Milton Nascimento”.

Bituca, apelido recebido desde criança, nasceu em uma favela da Tijuca, no Rio de Janeiro. Filho de uma empregada doméstica chamada Maria do Carmo do Nascimento, que fora abandonada grávida por seu primeiro namorado. Mesmo muito pobre, tentou criar Milton, com ajuda de sua mãe viúva, mas, ainda muito jovem, entrou em depressão, e morreu de tuberculose antes de Milton completar dois anos. Milton ficou entregue aos cuidados da avó. Foi adotado por uma das patroas, a professora de música Lília Silva Campos e foi morar em Três Pontas – MG. Cresceu em um ambiente de música e logo cedo se interessou por instrumentos; aos quatro anos, ganhou uma sanfona de dois baixos, e complementava as notas inexistentes com a sua voz. Aos 13 anos, era crooner de um grupo musical de baile de Três Pontas. Milton casou-se e separou-se rapidamente, teve várias namoradas, mas optou por não ter filhos. Dedicou-se à carreira musical após ser incentivado por amigos de infância a largar o emprego de escriturário e perseguir seu sonho. Apenas aos 63 anos decidiu adotar um filho chamado Augusto que na época tinha 13 anos.

Milton é um cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro, reconhecido mundialmente como um dos mais influentes e talentosos músicos da MPB. Tornou-se conhecido nacionalmente, quando a canção “Travessia”, composta por ele e Fernando Brant, ocupou a segunda posição no Festival Internacional da Canção, de 1967.  Já recebeu 5 prêmios Grammy, sendo um Grammy Award de Best World Music Álbum in 1997. Alguns célebres músicos que regravaram suas canções, são: Wayne Shorter, Pat Metheny, Björk, Peter Gabriel, Sarah Vaughan, Chico Buarque, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Fafá de Belém, Simone e Elis Regina; também já fez parcerias com Maria Bethânia, Jorge Ben Jor, Clementina de Jesus, Lô Borges, Beto Guedes, Paul Simon, Criolo, Angra, Peter Gabriel, Duran Duran, Herbie Hancock e Quincy Jones.

Clube da Esquina surgiu da amizade entre Milton Nascimento e os irmãos Borges (Marilton, Márcio e Lô). Se conheceram no bairro de Santa Tereza, Belo Horizonte, na década de 1960, depois que Milton chegou à capital para estudar e trabalhar. Tendo figuras como Toninho Horta, Wagner Tiso, Lô Borges, Beto Guedes e Márcio Borges, Fernando Brant, Flávio Venturini, além do Milton, é claro, a sonoridade do Clube da Esquina é intensamente caracterizada como inovadora. A novidade vem de uma espécie de fundição das inovações trazidas pela Bossa Nova com elementos do jazz, do rock – principalmente os Beatles –, música folclórica dos negros e mineira, música erudita e música hispânica. Nos anos 70, esses artistas tornaram-se referência de qualidade na MPB pelo alto nível de performance e disseminaram suas inovações e influência a nível mundial. A inovação musical do Clube da Esquina e sua sonoridade específica faz com que haja uma proposta de fãs, da crítica e de estudiosos, que o Clube seja considerado mais do que um grupo, mas um movimento musical. Para conhecer um pouco deste “movimento” deguste Amor de Índio, Clube da Esquina nº 2, Travessia, Trem Azul, Nada Será Como Antes e Nascente.

Uma das canções mais profundas na minha opinião chama-se “Caçador de Mim”. Como dica irresistível, sugiro escutarem a versão cantada no programa Sr. Brasil, que pode ser encontrada no YouTube ou no endereço abaixo https://www.bing.com/videos/search?q=ca%c3%a7ador+de+mim+sr+brasil&&view=detail&mid=665B2D0EBD8329F38E11665B2D0EBD8329F38E11&&FORM=VRDGAR&ru=%2Fvideos%2Fsearch%3Fq%3Dca%25c3%25a7ador%2Bde%2Bmim%2Bsr%2Bbrasil%26qpvt%3Dca%25c3%25a7ador%2Bde%2Bmim%2Bsr%2Bbrasil%26FORM%3DVDRE

Milton faz 78 anos na próxima segunda-feira, dia 26 de outubro. Desejo que continue trabalhando muitos anos ainda, embalando os “bailes da vida” e estando sempre “aonde o povo está”.

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