Cenários da disputa eleitoral da Prefeitura de São Paulo – VI – Marcio França

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Marcio França tem uma trajetória política muito semelhante ao de Geraldo Alckmin, perfil bem aceito pelo eleitorado paulista. 

Formado na base municipal, eleito vereador e prefeito de São Vicente, com uma administração bem avaliada, foi reeleito Prefeito de São Vicente, com mais de 90% dos votos. Seguiu a carreira como deputado federal, por dois mandatos e foi escolhido por Geraldo Alckmin para ser o seu Vice-Governador, nas eleições governamentais de 2014, com a perspectiva de assumir o Governo, em 2018, diante da desincompabilização do Governador para concorrer à Presidência da República. Alckmin teria se comprometido a apoiar a candidatura de Márcio França à reeleição, com uma coligação do PSDB com o PSB, aquele não apresentando candidato próprio.

João Dória que fora escolhido por Geraldo Alckmin para ser o candidato do PSDB à Prefeito, em detrimento de Andréa Matarazzo e outros líderes tucanos, mais tradicionais, descumpriu os compromissos deixando a Prefeitura, antes de completar dois anos de mandato, capturou a direção partidária no Estado e se lançou como o candidato ao Governo, pelo PSDB.

Tais circunstâncias levaram a uma disputa entre Dória e Márcio França, com o PT enfraquecido, rompendo a tradicional disputa em São Paulo entre o PT e o PSDB. Paulo Skaff disputou uma vaga no segundo turno, mas não chegou lá. Tendo buscado o apoio de Michel Temer, não se beneficiou da onda bolsonarista, que se ateve às eleições para o Congresso Nacional. 

Apresentando-se como o candidato anti-Dória, derrotou-o na Capital, mas Dória, com o apoio do interior foi eleito.

Animado com a votação de 3.393.092 votos na Capital em 2018, superando de longe os  2.447.447 votos de Dória, no segundo turno, foi lançado o candidato do PSB em coligação com o PDT e outros, formalizando a coalizão de centro-esquerda. No primeiro turno, Dória superou Márcio França, com 1.460.836, contra 1.229.116. Foram 22% dos votos válidos.

Paulo Skaff ficou com  1.220.740, menos de 8.000 votos de diferença de França. No segundo turno, com apenas dois candidatos, Márcio França ganhou cerca de 2,4 milhões de votos, tipicamente anti-Dória.

Essa base eleitoral anti-Dória e menos partidária e pessoal, não se sustenta para 2020. Para poder chegar ao segundo turno, numa disputa embolada com Bruno Covas e Celso Russomanno, com Guilherme Boulos, correndo por fora, precisará aumentar a. 

Se conseguir chegar ao segundo turno, contra Bruno Covas poderá receber os votos dados a Celso Russomanno, que representaria o bolsonarismo anti-Dória. 

Celso Russomanno não tem conseguido sustentar a fidelidade da sua base eleitoral, que migrou a favor de outros candidatos nas duas últimas eleições. 

Por exclusão, poucos votos poderiam migrar para Guilherme Boulos e Bruno Covas. Para o instável eleitorado de Russomanno, restaria Márcio França, como o mais competitivo para poder derrotar Bruno Covas e João Dória.

Diante desse quadro a alternativa estratégica de Márcio França é uma só: criar e difundir a narrativa de que é a melhor alternativa civilizada para derrotar a dupla Covas-Dória.

Se o segundo turno for entre Covas e Russomanno, os antibolsonaristas tenderiam a se unir em torno de Covas. Como esses são bem maiores do que a base bolsonarista, Covas levaria a melhor.

Se a disputa for entre Covas e Boulos, o medo ainda existente do retorno da esquerda ao poder, ainda mais numa alternativa menos civilizada, Covas também teria maior probabilidade de vitória.

Restaria, portanto, a alternativa Covas-França, no segundo turno e uma concertação anti-Dória, reunindo os insatisfeitos com o abandono da cidade por Dória, em 2018, outros que descarregaram o seu voto a favor de França, com o acréscimo dos bolsonarista anti-Dória.

Ele precisa se mostrar como o melhor ou o único que pode derrotar Covas-Dória, sem ser bolsonarista ou esquerdista radical. O que será fortemente contestado por Covas e Dória. 

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