Curiosidades da MPB – parte 1

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Cartola 1: muitos se perguntam como o Cartola, sem ter concluído o ensino médio, conseguia inserir palavras tão sofisticadas em suas canções. Mas poucos sabem que o nosso querido Cartola dormia com um dicionário ao lado.

Cartola 2: O Mundo é um Moinho, ao contrário do que pensam, foi escrito para a sua enteada, filha de Dona Deolinda, uma mulher 7 anos mais velha que Cartola, que cuidou dele e se apaixonou por anos. A filha dela seria criada por Cartola como sua filha. “Ainda é cedo amor//Mal começastes a conhecer a vida//Já anuncias a hora da partida//Sem saber mesmo, o rumo que iras tomar…” foi feito para ela quando decidiu sair de casa. Obra-prima!

Cartola 3: a segunda mulher do Cartola chamava-se Euzébia mas todos a chamavam de Zica. Ela acompanhou Cartola até os últimos dias de sua vida. Abriram um bar chamado Zicartola e de lá surgiram inúmeros nomes da MPB. Só não foi bom como negócio já que o casal de sambistas só tinha o bar para reunir os amigos, beber e fazer samba. A música agradece.

Caetano 1: No dia em que Caetano foi preso pelo DOPS, Gilberto Gil dormira na casa dele após uma noite de muita música. Caetano pediu aos oficiais para ir pegar umas roupas antes de partirem, pois ouvira de um dos oficiais que era para se apressar pois ainda precisavam passar na casa de Gil. Ao ser autorizado a pegar suas coisas, Caetano passou no quarto onde Gil dormira e o avisou para ficar quieto pois seria preso também. Para a surpresa de Caetano, quando estavam saindo, Gil apareceu e pediu para ser conduzido junto com o eterno amigo e parceiro.

Caetano 2: Leãozinho foi uma música dedicada a um grande amor conhecida do público que se chamava Regina Casé. Segundo Caetano, a escolha do animal deveu-se à quantidade incomum de pelos da musa. Já para outro amor de Caetano, Vera Zimmermann, o baiano escolheu um felino e compôs Vera Gata. Ambas as músicas muito boas por sinal.

Caetano 3: a música “Debaixo dos Caracóis do Seu Cabelo” foi eternizada na voz de Caetano, mas ela foi composta por Roberto Carlos. Os caracóis eram do Caetano mesmo, que os esbanjava antes de ser preso.

Chico Buarque 1: Chico é considerado o poeta das mulheres por fazer músicas com o eu lírico feminino e por entender com requinte de detalhes a alma feminina. No entanto, foi duramente criticado quando compôs Mulheres de Atenas. A canção descreve mulheres extremamente submissas aos seus maridos e foi interpretada como uma sugestão à conduta das mulheres. Chico se explicou na época dizendo que era para ter sido interpretada exatamente ao contrário, como uma crítica à submissão feminina da época. “Quando amadas se perfumam//Se banham com leite, se arrumam//Suas melenas//Quando fustigadas não choram//Se ajoelham, pedem imploram//Mais duras penas, cadenas.” Recentemente esta discussão ganhou corpo novamente, sem, no entanto, manifestações por parte do Chico Buarque.

Chico Buarque 2: Já foi mencionado que Chico adora brincar com as palavras e com a alma feminina. Uma música que recomendo é Mano a Mano que conta a história de dois irmãos caminhoneiros, que eram apaixonados pela mesma mulher. Chico, de forma genial, os coloca utilizando adjetivos, à mulher amada, de nome de cidades, pois é a única coisa que eles conheciam para elogiar a amada: “Mas ela era nova//Viçosa, matriz//Era diamantina//Era imperatriz//Era só uma menina//De três corações//E então”

Chico Buarque 3: Durante a campanha das Diretas Já, Chico fez várias músicas que indicavam a alegria da população com o fim dos anos de chumbo. Mas nenhuma delas era tão escancarada. Por exemplo, o samba puro e “alienado” chamado “Feijoada Completa” aparentemente é uma receita de feijoada, mas o verso “Mulher, você vai gostar//Tô levando uns amigos pra conversar//Eles vão com uma fome//Que nem me contem//Eles vão com uma sede de anteontem” tem o significado que eles não estavam felizes há muito tempo. O mesmo ocorre em “Vai Passar”. Aparentemente um samba enredo, super animado, mas a música toda faz menção à uma época passada, ruim da história brasileira. “Num tempo//Página infeliz da nossa história//Passagem desbotada na memória//Das nossas novas gerações//Dormia//A nossa pátria mãe tão distraída//Sem perceber que era subtraída//Em tenebrosas transações…”

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