Cenários da disputa eleitoral da Prefeitura de São Paulo – V – Andrea Matarazzo e Marina Helou.

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Andrea Matarazzo – PSD

Andrea Matarazzo é o candidato que mais tem se preparado para administrar São Paulo, com amplo conhecimento da cidade e dos seus problemas. Não só pela sua experiência dentro da Administração Municipal e da Câmara de Vereadores, como pelo seu persistente trabalho de aprofundamento no conhecimento dos problemas da cidade e estudo das soluções.

Apresenta-se como o mais preparado, mas esse deve ser um julgamento do eleitor, não dele.

Tem proposta de solução para todos os problemas. Na maioria velhas e novas discutíveis. O seu diferencial não estaria nas soluções mas na capacidade gerencial de efetivá-las com resultados concretos.

A primeira questão é o quanto esse seu conhecimento da cidade pode representar em votos a seu favor? Quantos eleitores estarão dispostos a votar no mais preparado? Ou estarão dominados por outros valores? Quais seriam? O domínio será de questões nacionais ou do confronto político entre Bolsonaro e Dória? 

Apesar de todo seu conhecimento, experiência e fidelidade partidária foi descartado pelo seu partido, o PSDB,  nas eleições municipais de 2016, pelas lideranças partidárias, particularmente pelo então Governador Geraldo Alkmin que preferiu um novato. Deu certo do ponto de vista eleitoral, mas um desastre do ponto de vista político, o que a realidade mostrou.

Migrou para o PSD, mas não se efetivou como candidato competitivo.

Agora com mais tempo e preparo dentro do PSD, é o candidato do partido de Gilberto Kassab que ocupou a Prefeitura, com uma gestão marcada pela Cidade Limpa, mas também promoveu um avanço na urbanização de favelas.

Com uma administração municipal bem avaliada, Kassab e o PSD formaram uma base eleitoral que seria o principal núcleo de Andrea Matarazzo? Os dados iniciais das pesquisas eleitorais indicam que não.

Andrea representaria o PSDB “de raiz”, o de FHC, de Mário Covas e de outros tradicionais líderes socialdemocratas que seriam – atualmente – minoria dentro do partido, capturado por João Dória.

Na perspectiva ideológica, o PSDB de Dória é de centro-direita contrariando a socialdemocracia que está no campo da centro-esquerda. Isto é, o PSDB mantém o nome, a imagem mas não é mais socialdemocrata.

Mas teria ficado com a maioria dos filiados e partidários, apoiando Bruno Covas e deixando Andrea com pouco espaço eleitoral.

Com uma base eleitoral partidária, aparentemente fraca e com perda da sua base partidária anterior, por enquanto só resta a Andréa Matarazzo uma base eleitoral pessoal, cultivada com o discurso da experiência e melhor preparo. Essa, aparentemente, indicada pelas pesquisas, também seria reduzida.

Para poder crescer e almejar um lugar no segundo turno precisará reconquistar bases perdidas e avançar sobre as bases de outros candidatos. Ou conquistar os segmentos ou nichos do eleitorado ainda não ocupados: são os que ainda não tem preferência. 

Na indagação sobre a intenção de voto, sem a lista, o número é ainda muito grande. Com a lista se reduz substancialmente. 

Com que discurso e estratégia ele pode tentar conquistar esse eleitorado?

Será necessário se aprofundar no conhecimento da composição desses “sem candidato” para definir as estratégias.

Marina Helou – REDE

Marina Helou é uma jovem política formada dentro dos movimentos de renovação. Associada ao RAPS, participou também dos programas do RENOVA-BR, tendo sido eleita deputada estadual, pelo partido REDE, comandada por Marina Silva, com quase 40 mil votos. Na cidade de São Paulo, seriam cerca de 25 mil votos. Foi a única eleita pelo partido para a Assembléia Legislativa de São Paulo. Dois anos atrás havia tentado sem sucesso a eleição para vereadora na Capital.

Tem a sua base eleitoral na “tribo” dos pró-renovação na política e dentro dessa os ambientalistas. É uma base eleitoral fraca e insuficiente para levá-la ao segundo turno.

Dificilmente conseguirá votos fora da sua tribo, tampouco transferir votos de outros candidatos a seu favor. 

A estratégia viável é ampliar o tamanho da sua tribo, face às mudanças das circunstâncias.

A principal mudança, em escala mundial, é a perspectiva de que o “novo normal” pós pandemia seja ambientalmente mais sustentável. Caracterizada como “retomada verde” ou “retomada econômica verde”, a expectativa é que as cidades reduzam a sua contribuição para a emissão de gases de efeito estufa, contendo o aquecimento da terra. O principal foco está na redução da mobilidade urbana, o que implicaria no menor uso do transporte por ônibus a diesel, o principal vilão da emissão dos gases, assim como dos carros, em função do volume.

É uma equação difícil, como mostrou a tentativa de Bruno Covas com a ampliação do rodízio dos carros. O sistema de transporte coletivo ficou supercarregado. A solução das bicicletas e patinetes mostrou-se viável mas com impacto limitado. Tem mais efeito simbólico do que uma efetiva redução nas emissões. Propugnar o seu aumento é sempre conveniente, do ponto de vista da sustentabilidade.

A circunstância nacional, mas com repercussão internacional, é a política não-ambientalista do Governo atual, da qual tem resultado a reversão da curva de desmatamento e o aumento dos focos de incêndio seja na Amazônia, como no Pantanal.

A reação da sociedade a essa antipolítica tem reforçado o contingente dos pró-ambiente ou pró-sustentabilidades, incorporando empresários, banqueiros, gestores de fundos de investimentos e outros. O REDE é a opção político partidária e poderá reforçar a votação de Marina Helou, provavelmente avançando sobre as bases de Bruno Covas e Márcio França. 

A tribo ambientalista já incorpora um importante contingente da jovem esquerda, mas essa tende mais a favor de Guilherme Boulos, percebido como mais competitivo. Uma parte menor é mais idealista e defende a bandeira ambientalista, sem pragmatismo eleitoral. Poderá apoiar Marina Helou.

No segmento pró-renovação, o principal concorrente de Marina seria Felipe Sabará, mas em função de defesa mais radical de Bolsonaro, o partido suspendeu a campanha. Poderá voltar repaginado, com mais força eleitoral. Será objeto de análise específica. 

Para poder crescer eleitoralmente Marina Helou precisará ir além dos discursos genéricos ambientalistas, éticos e da retomada verde das cidades pós pandemia. Precisará ter proposta mais concretas e amplas para a cidade de São Paulo. Preferencialmente inovadoras e não apenas ampliar o que já está implantado, ainda que restritamente na cidade, como as ciclovias.

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