Limitações atuais

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

         — Bom dia meu amigo, você também faz caminhadas aqui pelo Parque Chico Mendes de São Caetano?

— Bom dia Zé Alberto, muito bom ver você por aqui. Sim, moro perto e duas vezes por semana, dou uma escapada e venho dar umas voltas aqui pelo parque. Venho a pé, já fazendo um aquecimento e geralmente ando umas quatro voltas pelo parque, em seguida volto no mesmo pique para casa. Dá para calcular uns dez quilômetros de caminhada. Meu joelho tem melhorado muito após estas caminhadas.

— Muito bom! Gostaria de poder fazer isso. Eu venho de carro, dou duas voltas no parque e já me canso. Gostaria de ter sua saúde! Isso é muito importante em nossa idade. Revigora nossos músculos, melhora os batimentos cardíacos, ajudar a ventilar os pulmões e mantém nossa vitalidade física em dia, você não acha?

— Não sei não, Zé Alberto. Tudo isso que você disse é correto; coração mais forte, pulmão tinindo, pernas e musculatura mais firme. Mas nem tudo se recupera quando a idade vem chegando. Mudando um pouco de assunto: Você ainda toca sanfona e diverte os amigos nas festinhas que participa?

— Claro, meu amigo. Atualmente nem tanto como gostaria, toco bem pouco. Os tempos mudaram e as pessoas nem sempre curtem aqueles tipos de músicas que tanto sucesso fizeram com meu acordeão. A geração que gostava de moda caipira com sanfoneiro no comando foi aos poucos desaparecendo. Meus dedos já estão um pouco duros e nem sempre obedecem aos compassos da melodia. A garotada de hoje não dá atenção a esse tipo de música. Só interessa aos mais velhos.

— É Zé Alberto, tudo passa e muito rápido para nós, mas nossas cabeças ainda continuam as mesmas da época em que estávamos ativos e éramos mais jovens. Comigo ocorre uma série de coisas que mudaram, mas que lá dentro de mim ainda teimo em não aceitar tal realidade.

— Rapaz, você está enigmático hoje e falando num tom que dá entender sentir saudades de uma época que já não existe. Estou certo?

— Também não é bem assim. A vida foi muito boa, ainda é e espero que continue assim por muito tempo, mesmo nestes tempos de medo, isolamento social e de um vírus que ataca de modo mortal os mais velhos. Da minha parte estou me cuidando.

— Exato, meu amigo, os tempos atuais são difíceis, mas tanto você como eu sempre vivemos em tempos difíceis e conseguimos superar, não é mesmo? Não ligue para o momento atual, faça sua parte e tudo terminará bem.

— Gostaria de ter sua visão de vida, assim tão otimista e não dando bola para dificuldades que surgem. Sempre lhe admirei e ainda admiro. Para mim tudo está bem, mas há um aspecto que não está fácil de aceitar.

— Meu amigo, se abra, aqui tem alguém que fará o que puder para ajudar no que for preciso. É dinheiro, uma indicação de emprego ou um ombro amigo que você possa chorar alguma grande dor ou decepção?

— Nada disso, Zé Alberto, estas três restrições mencionadas não existem comigo, felizmente. O caso é íntimo e de muita complexidade para se falar ou de trazer para o público.

— Captei, meu amigo, não precisa nem falar. Você está com problemas em aceitar as restrições que a vida traz no desempenho sexual.

— Você também já passou por isso?

— Claro e quem não passou? Lembra-se daqueles colegas de trabalho que diziam: “Eu nunca neguei fogo com mulher nenhuma”. Vá perguntar hoje para algum deles e certamente ficarão quietos admitindo que o ciclo do “super-man” chegou ao fim.

— Mas isso é cruel, Zé Alberto. A mente ainda quer, mas o corpo não obedece.

— Conheço colegas que chegaram a esse ponto antes dos quarenta anos de idade. Foi para estes e o enorme contingente de homens que não aceitam estas limitações físicas que surgiram tantas drogas existentes hoje no mercado. A pílula azulzinha “a mais famosa” e todas as variações baseadas nela foram criadas para atender este problema.

— Já tentei algumas, mas os médicos alertam para problemas vasculares.

— Pois é! Todas funcionam dependendo das características de cada um. Temos um colega em comum, o Luiz, que ao aparecerem os primeiros sintomas desta fraqueza do organismo, se entregou a conhecer e experimentar todo tipo de remédio que indicavam. Conheceu tipos variados de chás, caseiro, indígenas e aqueles vendidos em garrafadas nos bairros nordestinos da Zona Leste de São Paulo. Se você conversar com ele, irá se animar, pois muitos chás indicados por ele são bons mesmo e um deles pode servir para você.

— Já falei com ele uns dois anos atrás sobre o assunto, num almoço em Santo André, e dele aprendi muito sobre as propriedades da catuaba, do ginseng, do guaraná e da marapuama. Ensinou-me a preparar chá de alecrim com chapéu de couro e catuaba, funcionou maravilhosamente por um bom tempo, mas depois não fazia mais efeito.

— É meu amigo, o chá de cascas de marapuama fez milagres também comigo. Em poucos dias voltei às minhas melhores estatísticas depois da meia-idade.

— Se funcionou para você, Zé Alberto, vou tentar comigo da próxima vez.

— Aquele colega tem dito ultimamente entre amigos que o chá de tribulus terrestris é o que o tem mantido em forma. Aumenta a testosterona. Este também pode ser uma nova alternativa para você. Ele garante não ter contraindicações, pois tudo é vindo da natureza e usado por povos indígenas desde longo tempo.

— Veja você, Zé Alberto, estamos caminhando aqui no parque já por quatro ou cinco voltas e falando sobre um assunto tão banal e restrito, motivo de muitas gozações nos velhos tempos, quando não tínhamos necessidade destes energéticos naturais. Mas, hoje é algo vital em nossas vidas. Você não acha?

— Vivendo e aprendendo, meu amigo. Meu avô com quase noventa anos era considerado um taradinho por algumas pessoas da família. Para outros era motivo de gostosas risadas em saber que o bom velhinho ainda “dava no couro”.

— Bem Zé… já me cansei de andar por hoje e acho que vou embora. Tenho que descobrir onde se vende cascas de marapuama. Abraços.

— Boa sorte meu amigo.

Você também pode gostar de: