– Cenários da disputa eleitoral da Prefeitura de São Paulo – IV – Celso Russomanno – Republicanos

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Celso Russomanno, como nas duas eleições anteriores para a Prefeitura de São Paulo, aparece na frente nas pesquisas iniciais. Perdeu substância ao longo da duas campanhas anteriores, ficando fora do segundo turno.

Analisando esse processo do ponto de vista do eleitorado, dos seus segmentos e nichos, a primeira avaliação é que ele se beneficia do recall, das eleições anteriores, incluindo aquelas para a Câmara Federal e da sua visibilidade pública através do seu programa na televisão “patrulha do consumidor”. Criou a imagem de defesa do consumidor, principalmente os de média renda. Isto é, a sua base eleitoral central está na classe média intermediária e baixa, dentro da qual se insere grande parte do eleitorado evangélico.

Essa base eleitoral central daria a base para a liderança nas pesquisas a qual precisaria ser ampliada durante a campanha. O que ocorreu, no entanto, foi a perda de parte dessa sua base central para outros candidatos. 

Em 2012 a migração ocorreu a favor de Fernando Haddad, em oposição a José Serra que tentava retomar à Prefeitura para retomar o domínio da socialdemocracia, em confronto com o petismo.

A principal suposição é que a preferência a favor de Haddad, em relação a Serra é os eleitores de Russomanno, preferem migrar para um candidato novo e da oposição, condição essa preenchida por Haddad, que até então não havia concorrido a qualquer eleição geral.

A migração foi impulsionada por um erro político cometido pela sua assessoria, que formulou um proposta técnica de cobrança da tarifa de ônibus por secção.

O PT aproveitou para disseminar a versão de que Russomanno iria elevar as tarifas, exatamente, para os mais pobres que moram mais distantes do centro e que já são penalizados pelo tempo de viagem. Russomanno com pouco tempo de tv, enquanto PT dispunha de muito tempo, bombardeando-o, viu o seu eleitorado migrar para o PT, ficando fora do segundo turno. Com o apoio desse eleitorado migrado da base de Russomanno, Haddad venceu, com facilidade o segundo turno.

Já em 2016, com mais tempo de rádio e tv e sem cometer erros políticos perdeu grande parte do eleitorado para João, Trabalhador.

A migração decorreu, de um lado, com a decepção dos “russomannistas”, com Fernando Haddad e de outro a aceitação de parte do eleitorado evangélico da imagem vendida de João Dória, de alguém que saiu da pobreza e enriqueceu pelo trabalho, como propugna a teoria da prosperidade. Segundo pesquisa feita posteriormente pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, o povo reconheceria três personagens famosas naquela condição de ascensão social pelo trabalho: Silvio Santos, Lula e João Dória. Embora falsa em relação a esse último, criou uma narrativa nesse sentido, usando um período de dificuldades financeiras da família em função do exílio e morte do patriarca, perseguido pelo regime militar.

Em função dos antecedentes, Celso Russomanno não pode ter nenhum deslize nas propostas técnicas, tampouco cometer qualquer erro político, por avaliações equivocadas. O que ele precisa é manter o seu eleitorado e evitar que migre para outros candidatos.

Nesse sentido, a aliança com Jair Bolsonaro pode ser um erro político. A maioria dos bolsonaristas sectários já faz parte da base eleitoral central de Celso Russomanno. O ganho poderá ser o de consolidar o voto dessa base, evitando a migração, embora não tenha sido registrado qualquer outro candidato nitidamente bolsonarista.

Poderá ter um ganho entre os bolsonaristas da classe média alta e da alta renda, que fazem restrições ao populismo de Celso Russomanno, entre eles, empresários que perderam causas com o consumidor por interferência daquele.

Passariam a votar em Russomanno, o que não fariam se não tornasse a alternativa de Bolsonaro em São Paulo. 

Na classe de renda baixa, o eventual ganho de popularidade de Bolsonaro com a concessão do auxílio-emergencial pode não ser tão forte, em função da expectativa dos beneficiários de continuidade da contribuição de R$ 600,00 mensais. A redução será vista como uma perda anulando os efeitos positivos do auxílio. Ademais a esquerda irá bater forte, denunciando um suposto “estelionato eleitoral”, em marcha.

Embora a esquerda não tenha se unida em termos de unificação de candidaturas, atuará em uníssono contra Bolsonaro e seu candidato, dificultando a migração dos “renda baixa” a favor de Russomanno. 

Com baixa possibilidade de ampliar o seu eleitorado, não pode perder parte deste, para outros candidatos.

O principal risco está nos não bolsonaristas ou até anti bolsonaristas que estão dentro da sua base central, principalmente evangélicos dissidentes do bolsonarismo.

Quem seria o destino desses e qual o poder de atração do destinatário? 

É uma resposta decisiva para avaliar os destinos eleitorais de Celso Russomanno. 

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