Cacildis: o sambista comedia

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Mussum foi motivo de muita risada aos domingos no programa Os Trapalhões. Mas o que não é conhecido é que ele é tão bom, ou melhor músico, que comediante. Aliás, o músico veio muito antes do comediante, título este último, que o Mussum preferia recusar e se intitular de “caricato”. Segundo ele, Renato Aragão, Dedé Santana, Jô Soares e Chico Anysio são comediantes, pois, tinham vários recursos para várias situações.

O apelido de Antônio Carlos Bernardes Gomes foi dado por Grande Otelo, antes mesmo de entrar para os Trapalhões, em 1969. Mussum é um peixe, negro, liso e escorregadio, que lembrava a forma rápida e criativa com que Mussum saía de situações embaraçosas.

Nasceu na Zona Norte do RJ, filho de uma empregada doméstica, e desde cedo focou nos estudos e repassava os ensinamentos para a mãe. Terminando o curso primário, entrou para um colégio interno e lá ficou por 9 anos. Saiu com diploma de ajustador mecânico. Em seguida, serviu a Força Aérea Brasileira por 8 anos, mas era o único que tinha benesses para “fugir” do quartel para participar de atividades ligadas à música como por exemplo a Caravana Cultural de Música Brasileira de Carlos Machado. Aparentava estar lá apenas para tocar com os amigos.

Fundou o grupo “Os Originais do Samba” e com eles gravou 13 álbuns. Em carreira solo gravou mais 4 álbuns. Os maiores sucessos são  “Tá Chegando Fevereiro” (Jorge Ben/ João Melo), “Do Lado Direito da Rua Direita” (Luiz Carlos/ Chiquinho), “A Dona do Primeiro Andar”, “O Aniversário do Tarzan”, “Esperanças Perdidas” (Adeilton Alves/ Délcio Carvalho), “E Lá se Vão Meus Anéis” (Eduardo Gudin/ P.C. Pinheiro), “Tragédia no Fundo do Mar “(Assassinato do Camarão) (Zeré/ Ibrahim), “Se Papai Gira” (Jorge Ben) e “Nego Véio Quando Morre”.

Em 1969, o diretor de Os Trapalhões, Wilton Franco, o viu numa apresentação de boate com seu conjunto musical e o convidou para integrar o grupo humorístico, na época na TV Excelsior. Após muita relutância, Dedé Santana, que já o conhecia de outras épocas, o convenceu a entrar para o trio. Zacarias só entraria anos mais tarde. Chico Anysio foi o responsável pela sugestão de substituir as vogais pelos “is”, tipo forevis, cacildis, etc. Apenas quando Os Trapalhões já estavam na TV Globo, em 1977, e o sucesso o impedia de cumprir seus compromissos, é que Mussum deixou os Originais do Samba. Mesmo assim, continuou a fazer música, seja nos álbuns solos, seja com os Trapalhões. Sua paixão era a escola de samba Mangueira: todos os anos, frequentava os desfiles, no meio da Ala das baianas, da qual era diretor de harmonia.

Seu personagem nos Trabalhões era de um negro do morro, tomador de cachaça e que sempre zombava da própria cor. É dele frases antológicas como “negão é o teu passádis” e “quero morrer prêtis se eu estiver mentindo”. Atualmente, cada vez mais a cor de uma pessoa não importa mais. Não há diferença. Mussum caçoava do racismo há várias décadas, ao fazer essas piadas. Estranho era levar à sério que a diferença de cor era determinante sobre uma pessoa ser bem sucedida ou não. Ele não. Nunca levou a sério esse papo de negão e sempre teve orgulho da sua cor.

Fora isso, Mussum sempre foi uma pessoa diferenciada. Participou de vários projetos sociais a favor dos portadores de deficiência visual, a favor dos desabrigados da seca do Nordeste e a favor das crianças e dos adolescentes em todo o Brasil.

Antônio, ou Mussum, foi um homem de coração imenso. Humorista, cantor, compositor, músico e ator. Mais musico? Mais humorista? Não importava. Mussum trazia alegria de várias formas. O peixe negro e escorregadio só poderia ter sido “fisgado”, pela morte, pelo órgão que tinha de mais significado nele: o coração. Mussum morreu duas semanas depois de fazer um transplante de coração, por complicações pós cirúrgicas e infecção generalizada. Aos 53 anos, foi deixar o céu mais musical e feliz.

Você também pode gostar de: