Cenários da disputa eleitoral da Prefeitura de São Paulo – IV – Orlando Silva – PCdB

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O PCdoB lançou Orlando Silva como candidato próprio, deixando o atrelamento automático com o PT e com críticas ao comportamento desse partido.

Desde a redemocratização, a coligação com o PT rendeu ao PCdoB participação deste nas diversas administrações municipais, em São Paulo, o apoio para eleição em Olinda da Prefeita Luciana Santos, atual Presidente do partido e cargos na Administração Federal, notadamente de Aldo Rebelo e Orlando Silva. Nas eleições de 2018 indicou Manuela D’Avila como Vice-Presidente, na chapa liderada por Fernando Haddad.

Com o naufrágio do PT, o PCdoB também perdeu substância, mas remanesce com poucas lideranças nacionais significativas. 

Não concordando com a linha mantida pelo PT de não reconhecer os erros e não mudar aquela, o PCdoB, em São Paulo, resolveu seguir uma “carreira solo”, lançando candidato próprio para concorrer tanto com Jilmar Tato, o candidato do PT, como com Guilherme Boulos, do PSOL, dentro da esquerda e ainda com os candidatos da centro-esquerda.

Com que grupos o PCdoB remanesce como sua base eleitoral.

A principal base do PCdoB foi dos estudantes secundários com ação política e que se incorporaram à política profissional. Durante muitos anos dominaram as agremiações estudantis, com várias abrangências territoriais, principalmente a UNE – União Nacional dos Estudantes (de nível universitário) o principal centro de formação e geração de políticos. Tanto Aldo Rebelo como Orlando Silva foram Presidente da UNE. Outros como Lindberg Faria se fiiou ao PT, tendo chegado ao Senado Federal.

A base estudantil que teve grande protagonismo político foi se esvaziando, sustentando-se nos últimos anos com um “cartório” agraciado pelos Governos Petista – a emissão de carteirinha de estudante – o que foi esvaziado com as mudanças governamentais.

Além de menor e enfraquecida esse segmento se dividiu entre os partidos de esquerda, com o PSOL com maior capacidade de atração dos jovens.

Orlando Silva é um remanescente dos estudantes protagonistas da política, mas sua base eleitoral seria fraca.

O mundo comunista perdeu substância com o fim da guerra fria, com poucos paises mantendo o regime, ora sob forte combate do Governo Brasileiro e do bolsonarismo. Tem servido ainda como um fantasma para gerar propostas antidemocráticas. A China o principal pais comunista no mundo optou pelo modelo econômico do capitalismo de Estado e tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil. 

Os comuno-esquerdistas seguem com o mesmo discurso “de sempre”, mas além de cada vez mais reduzido, se dividem entre o PSOL e o PCdoB com maior fração para o primeiro. Fazem o discurso para os já convertidos e não tem conseguido ampliar os adeptos.

Eduardo Campos, neto de um dos principais líderes da esquerda brasileira aliou-se a outras correntes e migrou para um centro-esquerda. 

Flávio Dino, o único Governador eleito pelo PCdoB, partiu da oportunidade do anti-sarneysmo, mas também caminhou para alianças com o centro, o que tem sido objeto de críticas da “esquerda autêntica”.

Orlando Silva defende alianças mais amplas, não se fixando numa inviável – por enquanto – formação de um bloco monolítico da esquerda.

A sua base eleitoral seria mais pessoal do que partidária, mas uma eventual densidade eleitoral lhe daria condições de maior liderança partidária e uma associação com Flávio Dino.

Na ocupação de áreas governamentais optou pela área dos esportes, pouco considerada e cobiçada pelas outras forças políticas. Com Nádia Campeão na Prefeitura de São Paulo e Orlando Silva no Ministério dos Esportes, sucedido por Aldo Rebelo. Tornaram a área de esportes, mais relevantes no contexto nacional, tanto com função social, como pela promoção de equipes esportivas mais competitivas para disputar os grandes eventos internacionais.

Tem com isso o apoio de parte da comunidade esportiva, fora do futebol, porque não conseguiram desmontar o sistema corporativo que domina a gestão esportiva no Brasil. 

Muitas das politicas públicas montadas pelo PCdoB não se sustentaram com as mudanças de governo.

Com uma reduzida base eleitoral ideológica, partidária e corporativa resta a Orlando Silva uma base pessoal e comunitária. Essa seria suficiente para a sua reeleição a deputado federal, em 2022, mas não o levaria ao G4 das candidaturas melhor posicionadas para as eleições de Prefeito de São Paulo, em 2020.

A sua base pessoal, embasada na sua imagem pública está na sua passagem pelo Ministério dos Esportes, comprometida por denúncias não comprovadas, mas que o deixam na defensiva, e uma imagem mais atual como relator do projeto das “fake-news”. Passou a ser mais conhecido, mas não temos como avaliar, de momento, o impacto sobre os eleitores da cidade de São Paulo. 

Com a sua base definhando o partido e o candidato tem que buscar sustentar suas bandeiras, recuperar alguma perdida e estabelecer novas bandeiras. De forma inovadora ou inusitada diferenciando das bandeiras habituais da esquerda.

Uma das principais bandeiras históricas do PCdoB, perdida para outros partidos é o SUS. O SUS foi institucionalizado pela Constituição de 88, graças ao esforço da chamada “bancada sanitarista”, liderada pela deputada federal Jandira Fhegali, com o apoio de Sérgio Arouca que teria sido o principal arquiteto do Sistema.

No combate à pandemia a bandeira foi assumida por Mandetta, tirando-a do PCdoB, que a entregou por omissão.

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