O antibolsonarismo nas eleições municipais de 2020

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O antibolsonarismo nas eleições municipais de 2020 

Contrapondo-se ao bolsonarismo a maior parte dos partidos e políticos ir se posicionar contra o bolsonarismo, com maior ou menor intensidade, repetindo o ocorrido em 2018, mas com sinal trocado. 
Entre os diversos oponentes do petismo, então dominante, Bolsonaro foi o mais radical, vencendo as eleições, enquanto Alckmin, do PSDB, tradicional adversário do PT, teve votação muito baixa.
Outra diferença em relação a 2018 é que o bolsonarismo atacado, responderá rapidamente com violência superior ao do ataque para intimidar o atacante.
Certamente a esquerda radical, que envolve PT, PSOL, parcialmente o PCdoB e partidos menores não irão se intimidar, aceitação a guerra, nacionalizarão a campanha e tenderão a focar em dois pontos cruciais do bolsonarismo: a sua atuação diante da pandemia, com centenas de mortos e milhões de contaminados e na política econômica liberal. Como essa é mais de Guedes do que de Bolsonaro, numa eventual saída do governo, do atual Ministro da Economia, a contestação ficará enfraquecida, mas persistirá – principalmente – em relação à reforma tributária. 
A esquerda, nesse caso, como um todo é favorável à taxação das grandes fortunas e dos dividendos, a principal resistência de Paulo Guedes.
A nacionalização da campanha irá deixar as questões municipais em segundo plano ou até mesmo fora da campanha dos partidos e candidatos da esquerda radical.
Já o centro-esquerda, formado basicamente pelo PCdoB (parcialmente), PSB e PDT tenderá a ser menos radical no antibolsonarismo e não nacionalizar inteiramente a campanha, o que os obrigam a ter propostas para cada Município. 
As diretrizes e principais propostas derivam da gestão Fernando Haddad, que teriam ajudado na sua derrota em 2016, como das prioridades de gestão dos Prefeitos desses partidos, principalmente Paulo Câmara no Recife. Teriam como fundamento o Estatuto da Cidade, aprovada pelo Congresso, em 2001 por um esforço dos parlamentares de esquerda, em apoio às propostas governamentais. Tem como ponto principal combater a especulação imobiliária, segundo uma perspectiva bastantes ampla, mas focada na oposição ao mercado imobiliário. 
Reserva de áreas para habitação de interesse social, contendo a especulação imobiliária, regularização fundiária das casas das favelas e loteamentos irregulares, implantação do conceito de interesse social da propriedade, maior atenção às questões ambientais, preferência ao transporte coletivo em detrimento do transporte individual, controle da velocidade nas vias públicas e outras fazem parte da agenda urbana da esquerda.

O centro-direita, representado principalmente pelo PSDB concentrará o antibolsonarismo na questão dos riscos para a democratização, também nacionalizando a campanha. A dúvida está em que tamanho do eleitorados nas diversas grandes cidades irão decidir a favor de um candidato à Prefeito porque ele é contra os movimentos e ações antidemocráticas de Bolsonaro?

Jair Bolsonaro ao romper com Luciano Bivar e deixar o PSL, pelo qual foi eleito, puxando consigo mais de 50 deputados federais buscou a formação de um novo partido, contando com o seu registro a tempo de inscrever os candidatos bolsonaristas nas eleições de 2020, pelo novo partido.

Ao não conseguir o seu intento, seja por insuficiência de assinaturas, antes mesmo do início das restrições face à pandemia do novo coronavirus, como pelas dificuldades da coleta presencial de assinaturas, deixou os deputados – tanto federais como estaduais – no “limbo”.

Se saíssem do partido para se registar em outro, além de ter uma das justificativas previstas na lei, não poderiam levar para o novo partido, o tempo de televisão assim como a quota dos fundos públicos, relativos à sua eleição.

Poucos saíram, com direção dos Republicanos e do PRTB (o partido pelo qual foi eleito o General Mourão).

Os bolsonaristas tentaram conquistar o poder dentro do partido, mas não conseguiram. Bivar continua mandando, mas também não conseguiu expulsar os bolsonaristas. Conseguiu suspendê-los temporariamente para escolher as lideranças partidárias dentro da Câmara dos Deputados. Comanda a indicação dos candidatos do partido às eleições de 2020, deixando de fora os “bolsonaristas que continuam fiéis ao Presidente”. 

Em São Paulo, indicou e já registrou Joice Hasselmann, dissidente do bolsonarismo, como a candidata do partido à Prefeita, barrando as tentativas de composição com os bolsonaristas, interna e externamente. A tentativa de Celso Russomanno, de tê-la como candidata à Vice-Prefeita, fracassou.

Russomanno restou como o candidato do bolsonarismo, embora não o seja. A sua ligação com o bolsonarismo advém da base evangélica.

Outros buscam o apoio do Presidente, mas este não se dispõe a anunciar expressamente apoio a nenhum candidato, uma vez que esse apoio não seria decisivo e não quer correr o risco de ser derrotado.

A seita bolsonarista, disposta a seguir cegamente o seu líder e as suas determinações ou indicações representariam cerca de 30% do eleitorado. O suficiente para levar o candidato ao segundo turno, em função da fragmentação dos 70%. Mas no segundo turno, o acréscimo do bolsonarismo seria mínimo enquanto os 70% tenderiam a unir contra o candidato bolsonarista.

Celso Russomanno, como o candidato declaradamente bolsonarista e não como “bolsonaristas enrustidos” como os demais que buscam o apoio presidencial, para ser eleito, precisa ganhar ainda no primeiro turno.

Tem ele votos próprios, independentes do bolsonarismo? Ou os bolsonaristas já fazem parte do seu eleitorado? Uma parte, seguramente, é comum: o seu eleitorado evangélico. 

Russomanno tem um grande eleitorado popular, predominantemente de classe média baixa, alcançado pelo seu programa em defesa do consumidor. Grande parte, no entanto, é comum com o eleitorado evangélico ligado à IURD e à própria seita bolsonarista. 

Conta com recall, sendo o candidato mais conhecido, que emerge na liderança das primeiras pesquisas, mas parece ser o candidato enquanto os outros não aparecem. No final da campanha, nas duas últimas eleições, sofreu a migração para outros candidatos. Em 2012, parte do seu eleitorado teria migrado para as hostes do candidato petista, Fernando Haddad. Mas em 2016, não se manteve com esse, migrando a favor de João Dória, levando-o a vencer ainda no primeiro turno, com Russomanno ficando em terceiro.

Russomanno deverá ser o candidato preferencial de Jair Bolsonaro, mas o objetivo principal deste será derrotar João Dória, que apoia Bruno Covas. 

Se Russomanno não chegar ao segundo turno, irá apostar em Márcio França, pois dificilmente Boulos chegará lá.

Não quer carregar, para 2022, uma derrota em São Paulo, em 2020.

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