O amor na literatura.

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Eis aí um tema que nunca sairá de moda. Pois a vida é uma sucessão de encontros e desencontros; alegrias e tristezas; descobertas e desilusões…

Por amor, se morre, se mata e ainda assim por ele as gerações se perpetuam… O encontro entre duas pessoas que se amam, define o rumo de uma história, desenha caminhos de paz e de guerra, de vida ou de morte.

Já pensaram de quantas formas diferentes o amor já foi retratado na literatura, em séculos e séculos de prosas, poesias, teatros, dramas?

Há aquele autor que mostrando o amor proibido, juvenil, relaciona o cantar dos pássaros, com a agonia da despedida dos amantes:

“- Já estás partindo? O dia ainda está longe! Foi o rouxinol, e não a cotovia que feriu teus ouvidos temerosos. (…) Confia em mim, amor, foi o rouxinol.”

Perceberam que cito Shakespeare, na célebre cena do balcão de ”Romeu e Julieta”. Aqui o amor que depois se revelaria trágico, é pura poesia.

Outro escritor prefere evocar o amor maduro, afoito, ávido por recuperar o tempo perdido:

“Conversaram para entreter o tempo. Falaram de si mesmos. De suas vidas diferentes, do acaso inverossímil de estarem nus no mesmo camarote escuro de um navio encalhado, quando o justo era pensar que já não tinham tempo senão para esperar a morte. Ela jamais ouvira dizer que ele tivesse tido uma mulher, uma que fosse, numa cidade em que tudo se sabia, até mesmo antes de acontecer. Disse isso de um modo casual, e ele respondeu de pronto sem o mais leve tremor da voz!

– É que me conservei virgem para você.”

Trecho de “O amor nos tempos do cólera” de Gabriel Garcia Márquez.

Já Tolstoi em seu romance mais famoso – Guerra e Paz – contrapõe essas duas realidades tão conflitantes e consegue extrair o melhor de cada uma. Nas páginas de seus volumes, consegue-se sentir o horror da guerra, a frivolidade da alta sociedade russa da época, seus preconceitos e injustiças; e ainda assim não esquecer que mesmo nesses momentos o coração pulsa, a emoção e a saudade estão presentes.

“Que me importa a mim que fulano roube o Estado e o tsar o tenham cumulado de honrarias? Ontem ela sorriu-me e pediu-me que a fosse ver e eu amo-a e ninguém o saberá jamais (…) Mas ultimamente, quando principiaram a chegar do campo de batalha notícias cada vez mais alarmantes, quando a saúde de Natasha principiou a restabelecer-se (…) pressentia que a vida que levava não podia durar muito, que uma catástrofe se preparava que transformaria toda sua existência.”

Ah o amor, de tantas maneiras cantado, aludido, representado, invejado, desejado… quanto mais dele aprendemos, menos sabemos.

Ou como sugere Camões, que tão bem definiu o amor:

“Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade;

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

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