Não, não realize (todos) os seus sonhos.

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Não, não estou dizendo que você abra mão dos seus sonhos. Jamais! Sonhar é fundamental, principalmente se considerarmos que os sonhos são a principal “matéria prima” para produção da energia psíquica – por excelência o “combustível” que move o ser humano. Basicamente todas as funções e atuações humanas tipo: perceber, pensar, decidir e agir prescindem de energia psíquica, transformada em VONTADE REALIZADORA que mantém viva a Motivação para viver.

Logo, os sonhos, os quereres e as ambições são fundamentais para que você se mantenha ativo e determinado nas suas buscas de crescimento e desenvolvimento pela vida. O que percebi ao longo do tempo é que, toda vez que atingimos a meta realizando um sonho vivemos uma platitude fugaz seguida de uma sensação de frustração, de vazio: “e agora?”

Agora, já estamos mais velhos, mais cansados e pensar numa possibilidade nova, ainda mais desafiadora (queremos sempre um novo marco mais difícil…) é um risco crescente, a nos candidatar a mais frustrações do que realizações.

Daí o entendimento de que, a partir de uma certa idade, ao entrar na envelhecência, temos que cuidar de manter sim, sonhos que nos acenem do horizonte, puxando adiante, provocando vontades de novos cometimentos. Mas, cuidado, não chegue muito perto de cumprí-los… melhor tê-los ali possíveis, alimentando uma busca permanente que se renova todo dia.

Como muitos, vivi na prática a realização de sonhos. Fui Consultor em Comportamento Humano em mais de quatrocentas organizações. Estive presente e atuei como speaker em Congressos Internacionais no Brasil e no exterior. Prestei Consultoria nos principais países da América Latina, México e EEUU. Desenvolvi modelos de abordagem, criei exercícios e técnicas (hoje repetidos por inúmeros consultores), “plantei uma árvore, tive um filho e escrevi um livro”.

Sonhei ser entrevistado nas Páginas Amarelas da Veja (vontade que envelheceu e “morreu” com a revista…), e ser recebido no Programa do JÔ (que já não mais existe). Depois de 45 anos de residência em São Paulo almejo voltar para minha cidade, Natal, no meu Nordeste querido, onde quero viver minha finitude em paz.

E aí fico no vou-não-vou, sonhando, armando projetos para executar lá, retomando velhas e grandes amizades interrompidas pela distância e pelo tempo, tentando compartilhar a experiência que obtive e acumulei nos meus périplos, mundo afora.

Estou cada vez mais inclinado a ir. A vontade do reencontro com as raízes já é maior do que o “medo” de arrepender-me, de deixar para trás o que plantei e vai ficar aqui, nesta cidade de São Paulo que me deu tanta realização pessoal e profissional. Depois, como o meu trabalho, hoje, está todo redefinido e é exercido on line, com a mesma aceitação e eficácia, posso cumpri-lo alhures, sem solução de continuidade.

Os amigos mais próximos que ouço a respeito fazem coro: VÁ, CARA, VOCÊ MERECE ISSO!… Vou? Vou sim! Estou com viagem marcada. Sabe quem definiu isso? A quarentena imposta pela Pandemia do COVID-19.  Se é para ficar em Sampa, trancado como estou há seis meses, “brigando” com minha asma piorada pelo frio e a poluição crescente,  prefiro fazer meu isolamento social no terraço da minha casinha na praia de Jacumã, olhando o mar de dentro de uma rede gostosa, tomando uma água de coco do meu quintal.

Quando estiver lá, com temperatura constante, sol, sal e luar para curtir sem riscos, inventarei outro sonho equivalente ao que atingi. E isso é o melhor dessa história toda: o baú de sonhos é inesgotável! O problema está em saber como ir lá, como definir e escolher para lapidar, a nova busca, na medida da idade, das fragilidades, e do tempo que resta percorrer.

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