Cenario da disputa eleitoral em São Paulo – I

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Jorge Hori

Este estudo desenha e avalia os cenários das eleições para Prefeito Municipal de São Paulo, segundo uma perspectiva estrutural, focado na base eleitoral central do candidato e as possibilidades de ampliação dessa base, seja conquistando espaços vazios como capturando partes das bases de outros candidatos. Tal perspectiva indica que um candidato pode perder, ao longo da campanha, frações do eleitorado que tem preferência por ele, num primeiro momento.

Procura-se identificar e avaliar os fundamentos dessa preferência e quais são as condições de manutenção dessa preferência. Essa avaliação é feita para cada candidato individualmente.

Baseia-se exclusivamente em dados secundários, valendo-se dos resultados de pesquisas divulgadas publicamente.

O tsunami virou marolinha?

Em 2018 as eleições presidenciais foram abaladas por um tsunami formado ainda em 2017 mas que foi crescendo graças ao uso e abuso das modernas tecnologias de disseminação de informações (sejam falsas ou verdadeira) montadas para dar suporte à vitoriosa campanha de Donald Trump em 2016. 
Quando tanto os concorrentes, como a sociedade acordaram já foi tarde: o tsunami já estava chegando às praias. A sua onda trouxe a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência, mas pouco se espraiou para as eleições legislativas, assim como para as eleições de Governadores, exceto para os bolsonaristas que conseguiram chegar ao segundo turno.
Bolsonaro, mesmo depois de eleito, seguiu sempre em campanha visando a sua reeleição em 2022 e em formar e fortalecer uma base bolsonarista popular. Foi levado a se organizar como uma seita, da qual é o inconteste líder máximo. Segundo as pesquisas, essa base estaria próxima a 30% do total, com variações para mais ou para menos em função das medidas ou posicionamentos. Vinha sofrendo um desgaste sucessivo dessa base, mas conseguiu não só conter a queda, como obter alguma recuperação com o auxílio-emergencial.
Porém com uma liderança personalista, centrada em sua figura pessoal, não conta com um quadro de apóstolos, sacerdotes ou ministros que formem um primeiro ou segundo escalão de políticos, bolsonaristas integrais, exceto seus filhos, para formar uma forte base de apoio político. 
Dentro do sistema político brasileiro, os Prefeitos das grandes cidades formam um corpo político relevante, seja pela sua atuação nos seus mandatos, como por ser o repositório dos candidatos a Governadores e deputados federais.
Bolsonaro não tem nas principais capitais brasileiras, nenhum candidato bolsonarista de raiz ou integral  em quem os bolsonaristas, a partir da indicação do seu líder-mor, possam descarregar os seus votos, levando-os ao segundo turno, na medida que representariam cerca de 30% do eleitorado. 
A ruptura de Jair Bolsonaro com Luciano Bivar, deixando o PSL e não conseguindo registrar o seu novo partido, Aliança pelo Brasil, deixou os bolsonaristas eleitos pelo PSL e que permaneceram fiéis ao Presidente, sem legenda para concorrer. Poucos mudaram de partido, conseguindo ser indicado pelo novo partido, como Bruno Engler, que sairá candidato pelo PRTB, o partido pelo qual foi eleito o Vice-Presidente Hamilton Mourão.
Todos os candidatos competitivos que se dizem bolsonarista são aderentes oportunistas. 

O caso mais evidente é do atual Prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que busca, a todo custo, um apoio explícito de Jair Bolsonaro. Crivella sempre foi bolsonarista, comungando as mesmas ideias ou preconceitos do Presidente, mas não é plenamente aceito pelos bolsonaristas, exceto pela facção evangélica. Essa, no Rio de Janeiro, estaria desgastada com os escândalos envolvendo pastores, como a deputada federal Flordelis, acusada de ser mandante do assassinato do seu marido, também pastor, ou o pastor Everaldo, ora preso. 
Os principais representantes do bolsonarismo no Rio de Janeiro, fora os seus filhos Flavio e Carlos, não conseguiram ser escolhidos como candidatos nas convenções partidárias, como o deputado federal Otoni de Paula, preterido pela ex-juíza Glória Heloiza, a candidata do afastado Governador Wilson Witzel, como candidato do PSC. Daniel Silveira, outro deputado federal eleito na onda do tsunami bolsonarista em 2018, dificilmente será indicado pelo seu partido, o PSL, por ter ficado com a facção bolsonarista do partido em oposição à facção de Luciano Bivar, que continua dominando o PSL. Carlos Bolsonaro nem cogitou em disputar a Prefeitura, assim como o deputado Hélio Lopes, o Hélio “Negão” herdou os votos de Bolsonaro, para a Câmara. Federal. 
Em São Paulo, com a defecção de Joice Hasselmann, que em conflito pessoal com Eduardo Bolsonaro, ficou com a facção Bivar, dentro do PSL, sendo considerada traidora do bolsonarismo. Sem Joice, Bolsonaro não tem nenhum candidato bolsonarista de raiz. Um dos mais ativos bolsonaristas, o deputado estadual Gil Diniz – o carteiro, por ter permanecido no PSL, dentro da facção bolsonarista, não teve força para ser indicado o candidato do partido. 
Artur do Val, o Mamãe falei, eleito na onda bolsonarista, abandonou a seita. Os que se apresentam como apoiados por Bolsonaro fazem parte do grupo de aderentes oportunistas. Celso Russomanno, por ter uma carreira própria, não se incorporou à seita, apesar de ter o apoio de grande parte da comunidade evangélica, a qual – politicamente – é altamente dividida.
Em São Paulo, os bolsonaristas estão órfãos e o tsunami bolsonarista não tem força para alavancar nenhum candidato próprio. 
Em Belo Horizonte o domínio é dos movimentos de renovação, com Alexandre Kalil candidato à reeleição e o candidato do Partido Novo. Ambos, embora apoiem Bolsonaro, não são bolsonaristas de raiz. 

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