Dia 19 de setembro – Dia Nacional do Teatro

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Uma das primeiras manifestações do teatro no Brasil ocorreu no século XVI, como forma de
catequização. Mario Cacciaglia, em sua obra Pequena História do Teatro no Brasil (quatro
séculos de teatro no Brasil) de 1986, registra que o teatro era utilizado pelos jesuítas para instruir
religiosamente os índios e os colonos. Era o chamado teatro de catequese, muito utilizado pelo
padre Anchieta. O foco era a transmissão de informações religiosas do que uma manifestação
artística, realizada por atores amadores e encenadas em praças, ruas, colégios entre outras.
Outros tipos de teatros surgem no século XVII, que celebravam festas populares e
acontecimentos políticos, muito semelhantes ao carnaval que conhecemos hoje, pois, as
pessoas saíam às ruas vestidas com adereços, desfilando com máscaras, dançando, cantando e
tocando instrumentos.
Somente em 1808, após a chegada da Família Real Portuguesa, o teatro, como forma de
entretenimento, passa estar presente no Brasil, época em que o Rei D. João VI costumava
convidar companhias de teatro estrangeiras para fazer apresentações para a nobreza. Foi por
meio do Decreto de 28 de maio de 1810, assinado por D. João VI, que se lança a semente da
construção de teatros de qualidade para a nobreza.
Alguns pequenos teatros já existiam antes desse Decreto, tais como a Casa da Ópera em Ouro
Preto (MG), o Teatro São João em Salvador (BA) e o Teatro União em São Luiz (MA). Entretanto,
o grande teatro brasileiro foi o Real Theatro São João, no Rio, inaugurado em 1813. Hoje, a partir
de 1923, é conhecido como Teatro João Caetano.
O teatro brasileiro começa a se configurar e um grande marco foi a representação da tragédia
“Antonio José, ou O Poeta e a Inquisição” de Gonçalves Magalhães (1838). Esse drama
romântico foi encenado por uma companhia genuinamente brasileira, com atores e propósitos
nacionalistas formado pelo autor João Caetano. Nessa época, surgem as comédias de costume
com o escritor teatral Luiz Carlos Martins Pena.
O despertar para as artes cênicas impulsiona o desenvolvimento de gêneros diferentes que
buscam destacar o cotidiano da sociedade, o amor adúltero, a falsidade e o egoísmo humanos.
Trata-se do Teatro Realista no Brasil (1855), sendo um dos principais autores dessa época
Joaquim Manoel de Macedo, autor da obra prima “A Moreninha”.
Infelizmente, A Semana de Arte Moderna de 1922, que foi um marco para as artes, não abrangeu
o teatro, deixando-o adormecido por muitos anos. A revolução do teatro brasileiro surge em
1943 com a estreia de “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Ziembinski,
que escandalizou o público e modernizou o palco brasileiro.
O teatro se fortalece como sendo a voz popular representada em drama, comédia e tragédias e
sobrevive ao tempo, apesar dos obstáculos e dificuldades que se apresentam.
Grandes obras tiveram que ficar nas gavetas durante o período do governo militar, que a partir
de 1964, instituiu a censura prévia. As obras, antes da apresentação ao público, eram encenadas
para agentes da Polícia Federal que poderiam cortar cenas, proibir a apresentação ou conceder
o certificado de censura. Somente a partir dos anos 1970 o teatro novamente ressurge
mostrando produções constantes.
Mesmo com a pandemia do Coronavírus, o amor pelas artes cênicas tem sido o combustível de
superação, buscando-se diferentes formas de encenação. O uso da tecnologia e as redes sociais
têm permitido manter viva a relação com o público. Várias têm sido as iniciativas com esse
propósito, por meio de feeds, portais, lives e redes. Exemplo dessas iniciativas pode-se citar a
encenação da peça “Ninguém mais vai ser bonzinho”, apresentada neste sábado (19/09) no
canal da ONG “Escola de Gente”, pelo grupo criado por Tatá Werneck “Os Inclusos e os Sisos”,
que além de superar os limites físicos de um espaço de um teatro, permite o acesso a todos com
o uso de recursos de acessibilidade simultaneamente: libras, audiodescrição e legendas.
Tenham a certeza que o teatro superará este momento de adversidade e, como já o fez em
tantos outros momentos da história, estará ansioso para a troca de energia com seu público e
recebe-lo com todas as emoções que envolve, que faz viver, que faz relembrar, que estimula e
transforma.
Parabéns aos profissionais de teatro nesta data.

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