Rota das emoções – parte 2

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Em um texto anterior compartilhei um roteiro muito interessante e lindo do nosso Brasil. Trata-se da “Rota das emoções”, como os profissionais do turismo resolveram batizá-lo. Um nome bem apropriado diga-se, pois foram muitas as emoções que pude vivenciar durante minha viagem. Um roteiro que atravessa Maranhão, Piauí e Ceará.

Além de belas paisagens, me interessei pelas pessoas, moradores, que fui encontrando pelo caminho, e pude fazer algumas observações as quais divido com leitores, acredito tão ávidos quanto eu em saborear uma boa história.

Saindo de Caburé, paradisíaco vilarejo de pescadores, onde sua praia se estende entre o rio Preguiças e o oceano, encontramos o motorista que nos levou de Hilux até Parnaíba: Sr. Domingos. Homem instruído, polido, politizado, esclarecido, nos deu uma aula de geografia, economia e política do seu Estado, enquanto dirigia, Além das informações, tivemos direito a paradas em pontos pitorescos, não apresentados pelas agências de turismo, porém não menos encantadores.

Penso que deve ter “enricado” transportando turistas desde os tempos das estradas de areia, onde o percurso que fizemos em duas horas, durava seis, sete horas… Muitas histórias depois, chegamos a nosso destino, mas já com saudades deste grande homem e do Estado que deixamos para trás, o Maranhão.

Parnaíba já é Piauí, cidade grande e porta de entrada do Delta do Parnaíba. O lugar é surreal e seus personagens também, mas na minha memória o que ficou especialmente registrado foi um burburinho de pessoas simples e felizes trabalhando na beira do cais.
Durante nosso passeio a algumas ilhas do Delta, cruzamos com pescadores e catadores de caranguejos nos mangues.  As pessoas sobrevivem da venda destes peixes e crustáceos. É uma vida dura, o sol castiga, o barro suja, mas a água está ali ao lado para se lavar, apesar que de repente pode aparecer jacarés sem serem convidados…
Assim que voltamos de nosso delicioso tour tivemos que ficar esperando nosso motorista do próximo transfer. Sentei e observei a vida daquela local.
Haviam vários amarrados de caranguejos e sacos pesados empilhados que aguardavam ser retirados.
Os pescadores e os ajudantes chegavam cansados e queimados pelo sol, mas com um sorriso nos lábios. As brincadeiras e piadas alegravam o lugar.
Foi aí que surgiu meu personagem de Parnaíba. Ele vem montado em sua bicicleta. Logo que chega aparece alguém para ajudar a segurar a magrela. Ele coloca dois, três sacos na garupa, monta e sai assobiando e cantando, talvez para buscar forças para as demais viagens que se seguirão. E ele retorna sempre com esta alegria, três, quatro vezes até terminarem os amarrados. Fiquei pensando como tão pouco pode ser muito, quando se é feliz com o que se tem…

Parnaíba no Piauí, deixou saudades, pela simplicidade das pessoas, pelas belezas naturais e muita água, abençoada água…

Hora de seguir rumo ao Ceará, aproveitando cada quilometro daquelas paisagens, sentindo o vento, o calor, o clima e deparando-nos com vegetações, solos e praias muito diferentes umas das outras.

A entrada até a praia de Jericoacora foi bem difícil, só se consegue desbravar aquelas areias irregulares e dunas desafiadoras em veículos 4×4, um ônibus bem reforçado, também chamado de jardineira que faz a rota Jeri-Fortaleza, ou em bugues. Com certeza um desafio, mas que vale cada sacolejo…

O personagem que me recorre agora de Jeri é o motorista do bugue que ficou conosco nos três dias que passamos por lá.

Morador de Jijoca, onde fica a praia de Jericoacoara, recebeu uns amigos meus que vieram de carro de Fortaleza, em sua própria casa, ofereceu seu quintal como estacionamento e cobrou um valor único, um pacote para rodar conosco os três dias que lá ficamos e explorar o máximo possível aquele lugar maravilhoso. Nos mostrou a duna onde se aprecia um pôr do sol de tirar o fôlego; a Pedra Furada, uma formação rochosa muito pitoresca; os restaurantes de Tatajuba, rústicos e sofisticados ao mesmo tempo, e ainda nos falou sobre os costumes locais e a história do vilarejo. Nos contou que a vila foi crescendo com a chegada dos mochileiros e aventureiros em busca de refúgios pouco desbravados. Há cerca de 20 anos, não havia água, eletricidade, telefone, e o comércio era feito através de trocas de produtos. Com a crescente divulgação desse paraíso, os turistas começaram a chegar, e com eles o progresso. Em 2002 foi nomeada Parque Nacional, sendo declarada área de proteção ambiental.

Suas ruas permanecem de areia, o centrinho é todo iluminado pelos restaurantes, pousadas e lojinhas, que penduram lâmpadas e luminárias coloridas nas árvores, o que traz um charme e elegância únicos!

 Conversei com seus moradores, caminhei por suas ruas, comprei seus artesanatos, conheci sua história, suas necessidades, comi sua comida…
Fotografei, filmei, aprendi…  
Trouxe comigo a bagagem invisível, aquilo que não ficou registrado na câmera, não coube dentro da mala, aquilo que ficou gravado no olhar, a emoção que ficou presa na garganta, o gosto retido na língua, o som da voz e do sorriso da surpresa, do inesperado…
Viajar é trazer dentro da gente um pouco da alma das pessoas e do lugar; ou como disse Mario Quintana” viajar é mudar a roupa da alma”. Sábio poeta!

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