O talento brasileiro: quais outros craques brasileiros o Mundo conhece alem dos Ronaldos e do Neymar?

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A Copa do Mundo Enactus é uma competição que reúne líderes empresariais, líderes acadêmicos, estudantes universitários e o eco sistema de impacto social para eleger o melhor projeto de empreendedorismo social desenvolvido por estudantes universitários. São times de mais de 30 países, representando suas universidades e competindo. Pela primeira vez, este evento foi totalmente virtual, por motivos óbvios neste ano de 2020. Em anos anteriores, ele aconteceu no Vale do Silício US, China, África do Sul, México, entre outros e estava programada para acontecer este ano em Utrecht, na Holanda.

O Brasil participa desta competição há muitos anos, sempre levando o time que venceu o Campeonato Enactus no Brasil (ENEB) para nos representar. Nos últimos anos, o mais longe que conseguimos ir na competição internacional foi com o time de estudantes do Insper em 2015 que chegou a uma semi-final.

Este ano, porém, foi diferente. Com time da Universidade Federal do Pará, a UFPA, composto por 50 estudantes e 1 professor conselheiros chegamos na final e ficamos em 3º lugar, empatados com a Índia. Estes meninos e meninas, de 20 e poucos anos, provenientes de uma universidade pública brasileira da “periferia da periferia” (segundo palavras de seu próprio professor), sem aulas desde março, estavam na mesma final de times de Universidades do Canadá, Egito e Índia. E no seu caminho deixou de fora times de Universidades dos EUA, Alemanha, Coréia do Sul, México, França, Itália, UK e muitos outros países com ensino superior comprovadamente melhores que o brasileiro.

A “rede” que apoia a Enactus Brasil, composta por empresários, outras universidades, amigos, familiares, ficamos orgulhosos desses meninos e meninas e comemoramos muito esta colocação entro os 4 melhores do mundo. Foi a semana mais alegre da minha pandemia e ouso afirmar que da maioria de mais de 1000 espectadores brasileiros que acompanharam online os 3 dias de competição.

Mas a minha reflexão aqui hoje não é sobre o resultado da competição em si, mas sobre o impacto que resultados como o do time da UFPA trazem para nós como país. Já explico…

Na minha interação com meus colegas de outros países durante este ano, a maior preocupação de todos, unanimemente, era com a proporção da pandemia no Brasil, atitudes tresloucadas do nosso Presidente e as queimadas na Amazônia. Em outros anos, quando tive a oportunidade de fazer parte da delegação brasileira, a situação tampouco era diferente: fossem estudantes, colegas de organização ou empresários que puxavam assunto, vinham com as mesmas perguntas com relação ao Brasil. Ou era sobre o momento crítico, política e economicamente, que parece ser do conhecimento tanto dos professores da Nigéria como dos executivos alemães ou sobre os nossos famosos jogadores de futebol, fossem eles Ronaldinho, Ronaldão ou Neymar que são conhecidos até pelos universitários chineses e do Cazaquistão.

Esta situação mudou drasticamente este ano, após a apresentação do time da UFPA. A apresentação impecável, a solução que eles apresentaram para “driblar” a pandemia de forma simples, escalável e social mudou a percepção dessas pessoas sobre o Brasil. Recebi muitas mensagens de admiração e torcida; tantas outras sobre o talento, a engenhosidade e criatividade dos nossos estudantes brasileiros. Aqueles 4 jovens, representando outros tantos que fazem parte do seu time, mas também os milhares que fazem parte da Enactus no Brasil, foram embaixadores muito mais eficientes do “soft power” brasileiro do que muitas campanhas de comunicação da Embratur ou ações do Ministério das Relações Exteriores sobre a nossa gente.

Mas e por que isso demorou tanto a acontecer? Por que o Brasil que já participa há tanto tempo desta competição nunca tinha ido tão longe? Claro que o talento e a dedicação deste time em particular é a verdadeira explicação, mas tem um fator que com certeza os ajudou mais que a outros times que já representaram o Brasil: estão trabalhando há anos com uma supervisão impecável, estão conectados com o mundo, são multi-disciplinares e last but not least, falam muito bem inglês.

Os nossos heróis amazônicos estavam com atitude de vencedores, tinham feito a lição de casa em todos os sentidos e estavam com a auto-estima no lugar para competir com os native speakers da India e Canadá, por exemplo. Não estavam se sentindo menos privilegiados, coitados ou injustiçados. Tiraram suas ideias do papel, arregaçaram a manga, dedicaram muito das suas horas livres (espero que tenham sido só as livres! Se não me encrenco com os professores…:-) e foram recompensados por isso.

Eu termino esta semana com uma certeza: o preparo físico é a base mínima necessária para que você possa colocar sua técnica à mostra. Isso vale para os Ronaldos e Neymar e vale para as competições estudantis a nível internacional. Neste último caso, o preparo físico são as habilidades de negócio, habilidades de apresentação e comunicação. E a “técnica” brasileira é o talento e a garra com que nascemos, que desenvolvemos e que nos ajuda a prosperar.

Para saber mais sobre a Enactus Brasil, acesse: www.enactus.org.br  siga: @EnactusBrasil no Instagram, Facebook e LinkedIn

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