As mulheres na politica

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Todas as eleitoras são um pouco mais que todos os eleitores- homens, por que são tão poucas as mulheres nos cargos eletivos? Por que é preciso estabelecer obrigações partidárias a adotar quotas para ampliar o número de mulheres candidatas?

As razões usuais apontadas são o machismo – a discriminação pelos dirigentes partidários contra as eventuais candidatas, ainda mais se forem negras. 

Seria por isso ou pela falta de interesse delas em ingressar na política?
Essas escondem a razão principal: a baixa capacidade das mulheres candidatas em conseguir votos. Elas não são eleitoralmente fortes, salvo exceções.

Supostamente, elas não conseguem sensibilizar um número de eleitoras e também eleitores para alcançar a quantidade de votos necessários para a sua eleição. No regime de proporcional* vigente no Brasil, dependem também do partido pelo qual estão registradas.

Até as eleições passadas, ainda prevalecia o sistema de coligações também para as eleições parlamentares o que foi abolido, permanecendo apenas para as eleições majoritárias, isto é, para os cargos eletivos dos Executivos e também para a senatoria.

Isso fazia com que o interesse dos partidos em inscrever mulheres era para somar votos para esses, contando que elas não conseguiriam reunir votos suficientes para serem eleitas e apenas ajudar os outros a serem eleitos. Poucas conseguiram superar essa barreira, sendo eleitas, ajudada pelos outros e não o oposto.

Elas têm sido convocadas para concorrer como vices, nas eleições majoritárias. O pressuposto é que elas somam, sem subtrair e, portanto, reforçam a votação do candidato principal, seja Prefeito, Governador e mesmo Presidente da República (vide o caso agora das eleições presidenciais norte-americanas). Elas trariam votos do seu reduto eleitoral que seria pouco acessível ao candidato principal.

Além do mais, melhoraria a imagem do candidato junto a um eleitorado simpático à presença de mulheres, negros e indígenas, indicando que aquele não seria preconceituoso ou discriminante. É uma jogada político-eleitoral, que não aceita o inverso, isto é, a candidata principal ser mulher e, preferencialmente, negra e o candidato a vice um homem branco.


Grande parte das mulheres que foram eleitas para o Congresso Nacional não foi de forma independente e pelas suas próprias forças. Substituíram marido, irmão, pai e outros parentes, herdando os votos deles.

Não obstante, há várias deputadas federais, eleitas a partir de carreira política própria, principalmente na área da educação, seja ocupando cargos administrativos, como Secretária de Educação ou lideranças sindicais da corporação dos profissionais de educação.

No primeiro caso, a Professora Dorinha, em segundo mandato como deputada federal – DEM – eleita por Tocantins, ganhou notoriedade como articuladora da aprovação do FUNDEB, pela sua função de relatora do projeto de lei. No segundo caso, a profa. Rosa Neide – PT – Mato Grosso, foi líder sindical, mas também exerceu cargos administrativos na área de educação. 

A corporação dos profissionais de ensino/educação, onde as mulheres são ampla maioria, é uma das mais ativas para eleger seus representantes para cargos eletivos parlamentares, em todos os níveis (municipal, estadual e federal).

Uma questão a ser melhor avaliada é se essas professoras são eleitas exclusiva ou predominantemente (mais de  80%) com os votos da corporação, adicionados pelos pais dos alunos e alunas, ou se conseguem ampliar o seu eleitorado, sensibilizando corações e mentes de outros segmentos, não ligados diretamente à educação.

Em função do pequeno número de mulheres eleitas e das discriminações, foram se formando grupos de “resistência” ou de “contestação” para fomentar o crescimento do número de mulheres concorrentes e eleitas. Elas mesmo organizaram movimentos, organizações não governamentais, formando “tribos”, sendo elas as líderes tribais, arregimentando líderes comunitárias, corporativas ou defensoras de causas específicas.

Com isso contam com uma base de votos “tribais”, alimentando as participantes, com teses, discursos, palavras ou frases chaves, mantras para que essas “abracem” a causa e disseminem para outras, formando uma rede. Comunicam entre si, dentro do “nóis, com nóis”.

Animam-se pelas adesões externas de simpatizantes, que nem sempre se concretizam em votos. Por outro lado, sofrem oposição de grupos mais conservadores. A reação passa ocorrer pela visão de que esses grupos de resistência passam a ser vistos como discriminadores, aceitando s ó os seus e repelindo os demais. 

As suas corporações ou redutos são suficientes para a eleição de uma representante, mas dificilmente conseguem duplicar ou multiplicar sua representação.  Daí o número relativamente reduzido de mulheres no conjunto. 

Para ampliar o número de mulheres com força eleitoral, elas precisam extrapolar a sua corporação ou tribo, para atuar como políticos, independentes da sua conotação de gênero e raça, ou de representação corporativa feminina.

Precisam “pensar Brasil”, ou “pensar a cidade como um todo”, no caso de candidatura a Prefeita ou vereadora, de forma não discriminatória. 

Podem adotar diversas matizes ideológicas, mas dentro da visão “do que é melhor para o Brasil” ou “o que é melhor para a cidade, como um todo”. 

Elas deverão buscar os votos dos eleitores, em geral, em função de suas propostas para a cidade, no caso das próximas eleições municipais, e não como mulher e negra. Mas sem desprezar o apoio e os votos do seu reduto.

*Todos os votos dos inscritos pelo mesmo partido são somados para, em função do quociente eleitoral, definir o número de eleitos pelo partido. Os que forem classificados, pelo número de votos, dentro da quota do partido são eleitos.

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