Sonhar e Partir

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FOTO: Estatua de bronze dos 4 Beatles criada por Andy Edwards, inaugurada em 2015

Em 2018, minha esposa e eu fizemos uma viagem de 9 meses com um casal de amigos. Estávamos planejando essa viagem já havia algum tempo, mas, por conta de uma enfermidade neurológica degenerativa recém-diagnosticada, decidimos que não deveríamos postergá-la.
Inicialmente, nossa ideia era morarmos em Portugal por 1 ano e ,de lá, visitar outros países. Entretanto, mais uma dificuldade, que foi a obtenção do visto de curta duração, nos forçou a mudar os planos.
Estudamos a legislação do tratado de Shengen¹, definimos os países e as datas em que gostaríamos de visitá-los e iniciamos o planejamento dessa viagem com mais de 6 meses de antecedência. Por conta das restrições impostas pelo acordo de Shengen, dividimos a nossa viagem em blocos, priorizando os países e eventos que queríamos visitar:
a) 90 dias na região do Schengen: Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Itália e Grécia
b) 90 dias fora da região do Schengen: Reino Unido, Croácia e Irlanda
c) 90 dias na região do Shengen: França, Espanha e Portugal
Tiramos nossa permissão internacional de direção (PID)² pelo Detran, fizemos o seguro internacional para todo o período e adquirimos um veículo por ‘buy-back leasing’³, que é a forma mais barata para um período de média duração. Iniciamos a nossa jornada no final de março, para evitarmos o rigor do inverno Europeu.
Uma viagem com essa complexidade nos desafiou a desenvolver habilidades que não tínhamos e reativar outras já adormecidas. Exige um planejamento detalhado e, sobretudo para quem, como nós, já passou dos 50 anos, não ter qualquer restrição para usar a tecnologia e seus aplicativos, que hoje são muito úteis: desde alugar um apartamento pelo Airbnb, comprar tickets de museus e eventos além da facilidade de comunicação instantânea.
Sonhar e partir foi o nome que demos ao nosso projeto e criamos uma conta no Instagram para registrar alguns momentos da nossa aventura https://www.instagram.com/sonharepartir.
Em 260 dias, residimos em 13 países e em 43 endereços diferentes. Parece muito? Sim, foi demasiado e, algumas vezes, cansativo. Alguns locais resolvemos visitar de avião, trem ou ônibus, o que nos obrigou a fazer deslocamentos mais complicados. Mas foi uma experiência marcante.
Revisitamos lugares que já havíamos conhecido e outros que eram novidades. Encontramos amigos e parentes e nos encantamos com coisas simples como assistir à colheita da uva nas regiões de Bordeaux e La Rioja, assistir um show no “The Cavern Club” ou cantar com a torcida do Liverpool “You will never walk alone” no Anfield.
Mas tivemos também experiências marcantes como, visitar a Normandia da II Guerra Mundial, ouvir a história dos “Troubles”4 por quem viveu aquele período na Irlanda do Norte, aprender, na Alemanha, um pouco mais sobre os 500 anos da Reforma Protestante, entre outras.
Criamos um lema que era “ninguém passará vontade”, ou seja, aquilo que queríamos fazer, fizemos independentemente do custo ou da complexidade, pois não sabíamos se poderíamos repetir essas experiências.
Hoje, vivendo essa pandemia, percebemos o quão acertada foi a decisão de acelerar o nosso projeto. Um diagnóstico médico complicado poderia, naturalmente, adiar os planos, mas a nossa decisão foi a contrária. Um sonho, para ser realizado, sempre exige uma partida, um início, uma decisão.
Por isso, não postergue os seus sonhos, ao contrário antecipe-os. Viva a vida!

  1. https://www.schengenvisainfo.com/schengen-visa-countries-list/
  2. http://www.detran.sp.gov.br/wps/portal/portaldetran/cidadao/habilitacao/fichaservico/solicitacaoPID
  3. https://europeforvisitors.com/peugeot-leases.htm
  4. https://www.britannica.com/event/The-Troubles-Northern-Ireland-history

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