Energia verde: o futuro já é hoje.

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O boletim Bloomberg Green, publicado pela respeitada cadeia de notícias econômicas, trouxe em 11 de junho passado uma importante informação sobre o crescimento das energias renováveis: o investimento global nas suas fontes produtoras foi de 69,9 bilhões de dólares americanos, no segundo trimestre de 2020. É uma grande importância, que se soma a 2,7 trilhões investidos, no últimos dez anos. Esses números impressionantes mostram o quanto o setor elétrico mudou, em todo o mundo. Também mostram o esforço que está sendo feito, por muitos países e governos, para cumprirem o Acordo de Paris.

Esses impressionantes dados econômicos são muito importantes, porque mostram a ascensão de tecnologias de produção de energia mais limpas, que reduzem emissões de carbono e poluição ambiental. Um ponto muito importante: a energia solar e a eólica recebem grandes investimentos porque são hoje lucrativas, portanto economicamente sustentáveis.

A ideia de coletar a energia dos ventos não é nova: os moinhos de ventos são personagens importantes no Dom Quixote de Cervantes e fazem parte das paisagens da Holanda, há séculos. Hoje, os modernos geradores estão mudando o mapa global dos exportadores de energia – com destaque para Portugal, que tem o potencial de exportar 59 bilhões de euros em energia, até 2030. O investimento previsto no país é de 125 milhões de euros, em três anos. Novos projetos estão previstos, também no mar: a terceira plataforma do parque eólico flutuante na costa de Viana do Castelo chegou ao parque no primeiro semestre de 2020 completando sua capacidade de 25 MW.

 Da mesma forma, a energia solar é usada pelos vegetais e indiretamente pelos humanos, desde que alguém descobriu como fazer fogo com lenha e gravetos, na pré-história. O efeito fotovoltaico, que é a base dos atuais parques fotovoltaicos, foi descoberto em 1836, pelo francês A. E. Becquerel. Até o fim do século 20, a tecnologia fotovoltaica era sempre lembrada como promissora, mas anti-econômica. Hoje, a capacidade total dos projetos de geração no parque fotovoltaico de Bhadla, na Índia, chega a 2,2 GW (gigawatts). Em dezembro de 2019, o maior parque fotovoltaico do mundo, o de Pavagada (Karnataka, Índia) já contava com 2,05 GW instalados. Ainda são capacidades inferiores à de Itaipu (14 GW), por exemplo, mas o seu crescimento é impressionante e o seu impacto ambiental e social é muito menor. Somando a geração solar e a eólica, a Índia está executando projetos que são parte de um plano lançado em 2015, para produzir 175 GW em 2022 – mais de 13 usinas de Itaipu, daqui a dois anos.

Por que esses grandes desenvolvimentos não foram feitos antes, se são desejáveis? Por que essas tecnologias não competiram com o carvão, petróleo e o gás, até recentemente?

Os modernos geradores eólicos incorporam muitas tecnologias desenvolvidas ao longo de anos, de produção de materiais. Por exemplo, para as pás e para os equipamentos que convertem a energia mecânica dos ventos em energia elétrica. Também foi necessário dispor de sistemas de controle, pois as enormes pás devem ser orientadas automaticamente, conforme a direção dos ventos. Mais, foram vencidos grandes desafios logísticos para que os enormes equipamentos fossem produzidos e transportados até os locais de instalação.  

A competitividade alcançada pelos sistemas fotovoltaicos dependeu muito dos ganhos tecnológicos na fabricação do silício, no aumento da sua eficiência na conversão de energia solar em elétrica e também na conversão da corrente elétrica contínua produzida pelas cédulas fotovoltaicas em corrente alternada. Foram resolvidos alguns problemas aparentemente menores, como o efeito da sujeira e areia sobre as superfícies dos painéis, que chega a reduzir sua eficiência em 50%. Resolver esse problema exigiu muita pesquisa, sobre os mecanismos de deposição dos contaminantes, e da sua redução. Obviamente, uma limpeza feita por técnicas como as usadas nos vidros usados em prédios urbanos ou por exércitos de trabalhadores equipados com esfregões, água é sabão é sempre possível, mas pode inviabilizar qualquer projeto.

Cada uma das muitas tecnologias que viabilizaram a geração eólica e a fotovoltaica resultou de décadas de trabalho, de muitos engenheiros, pesquisadores e técnicos. Esse esforço continua, porque sempre há muito o que melhorar, e cada novo aperfeiçoamento poderá produzir grandes impactos.

No caso da geração fotovoltaica, há muita pesquisa sendo feita com materiais alternativos ao silício. Um tipo de materiais, recentes mas muito promissores, são as perovskitas, uma classe de substâncias inorgânicas, que na forma de partículas muito pequenas supera o silício, quanto à eficiência na conversão de energia solar.

Essas novas tecnologias estão mudando o mapa mundial dos grandes produtores de energia. Cerca de três quartos do investimento global em energias solar e eólica foi feito na China, seguida pela Índia, com cerca de 10%. Nos demais países desenvolvidos o investimento em 2019 foi de 60 bilhões de dólares, um recorde.

As novas tecnologias também mudam a economia: entre 2010 e 2018, o aumento na capacidade de geração global foi liderado pela energia solar, seguida pelo carvão (ainda), ventos e gás, nesta ordem. A participação da hidroeletricidade foi muito menor, e a da energia nuclear foi de quase zero.

No Brasil, o Nordeste está aumentando sua importância como produtor de energia: a ANEEL aprovou em Junho passado mais 1,2 GW em projetos de várias empresas. Os maiores estão em Tucano (Bahia) e em Icó, no Ceará.

Para saber mais: há muitos materiais para consulta e informação, na Internet. Alguns são:

https://www.mundodaeletrica.com.br/tag/energia-eolica-compensa/

Sobre o parque de Viana do Castelo:

https://www.jornalterraemar.pt/terceira-plataforma-eolica-a-caminho-da-costa-de-viana-do-castelo/

Robôs para a limpeza de painéis solares:

Sobre um pesquisa brasileira em perovskitas:

https://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=brasileiros-avancam-rumo-celulas-solares-baixo-custo&id=010115200210#.X1X_F2dKiu4

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