Rota das emoções – parte 1

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Viajar não é apenas conhecer lugares, fotografar as paisagens e comprar souvenirs… É mais que isso! É conhecer a alma do lugar! E para se conhecer a alma do lugar que escolhemos, temos que conhecer um pouco a rotina das pessoas que ali vivem. Como vivem, o que fazem, como encaram sua própria realidade. E para isso temos que conversar com os moradores do local, conhecer a culinária e os hábitos observando seus personagens, como se estivéssemos dentro de um livro.
Há algum tempo atrás, conheci um roteiro chamado “Rota das emoções”. Esse roteiro atravessa três estados do nosso lindo Brasil: Maranhão, Paraíba e Ceará. Pode-se começar por São Luís e terminar na deslumbrante Jericoacora ou fazer o caminho inverso, saindo de Jeri até chegar à capital maranhense.

Optei por me atirar às emoções em São Luís.

Primeira noite, primeiro personagem a ser observado: um garçom do barzinho no qual comemos uma pizza. Em meio aos casarões da capital do Maranhão  no centro histórico, com suas fachadas de azulejos portugueses, lindas, mas frequentemente  sujas e “pixadas”, resolvemos nos sentar à mesa de um bar com música ao vivo (o cantor fica do lado de fora do estabelecimento na calçada, e as mesinhas no meio da rua – onde não passam carros).
Este rapaz – o garçom – além de anotar os pedidos, servir os clientes e retirar os pratos, tem outra importante função: espantar os pedintes, que circulam por entre as mesas, muitas vezes se servindo da comida de quem está sentado. Em pouco mais de uma hora na qual tentamos curtir a musiquinha, a comida e o ambiente; pagamos uma porção de fritas e arroz a um rapaz; cedemos nosso último pedaço de pizza a outro, e ainda presenciamos uma mulher surrupiar os talheres de outra mesa, enquanto meu personagem garçom-herói corria atrás dela para resgatar os objetos, e retornava com toda elegância, como se nada houvesse acontecido…
Concluo que esta deva ser a triste rotina destas pessoas: conviver com a  pobreza, embriaguez, sujeira e incautos turistas a serem protegidos.

Seguindo pelo Maranhão, o que dizer de Barreirinhas? Uma cidade onde o rio dá a tônica ao lugar. Onipresente e imponente o Rio Preguiças ladeia, circula e envolve toda a cidade, é orgulho dos seus moradores e confere charme à cidade. De lá saem os passeios para os Lencóis Maranhenses. Imperdíveis, majestosos, nos fazem sentir a presença de Deus dada a perfeição do encontro entre as lagoas, a areia e o céu muito azul!
Personagem de Barreirinhas? Lembrei-me dos pequenos guias-mirins de Mandacaru –  um lugarejo às margens do Rio Preguiças, cujo ponto alto da visita é o farol. E é lá na chegada ao desembarcar que somos envolvidos pelas crianças, que surgem cantando, recitando Gonçalves Dias (a famosíssima Canção do Exílio), e dados históricos do farol, parecendo pequenos gravadores com os botões emperrados. É divertido! Mas quando tentamos saber um pouco mais sobre suas vidas, rapidamente solicitam nossa contribuição, e correm para atender os próximos barcos que estão chegando. Me deixaram pensando se não por acaso, esta possa ser a única fonte de renda dessas famílias. Neste roteiro lindo e emocionante muitos outros personagens surgiram, mas para não me alongar fico por aqui. Em meu próximo texto continuo apresentando a vocês esses outros, assim como detalhes sobre essa viagem que recomendo muito, por sua beleza e pelas muitas lições que podemos trazer na mala.

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