Vamos falar de Teatro?

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Não pretendo, neste espaço, esgotar todo assunto sobre teatro, até porque temos vários
excelentes profissionais da arte que conhecem e vivenciam muito mais, do que eu, sobre
essa apaixonante arte. Mas, sempre que possível, trarei alguns temas que permitam reflexões sobre as
mensagens que uma obra proporciona.
Sempre digo que todos nós somos atores no palco da vida.


Que todos os dias assumimos várias personagens, em diversos atos. Somos filhos, pais,
companheiros, amigos, estudantes, profissionais, líderes, influenciadores. Em cada
papel, vivemos situações diferentes e representamos com falas e gestos as relações
estabelecidas entre as pessoas, as outras personagens, até o ato final. Não precisamos
decorar os textos nessa peça intitulada “Vida” de autoria de Deus.


Nossa performance pode arrancar aplausos ou apupos do nosso público, de acordo com
a aceitação de nossa mensagem.

Nessas relações, a palavra exerce uma forte influência nos impactos que causamos em
cada ato. Ela é tão poderosa que pode proporcionar a união, o perdão e o ódio.
Essa reflexão me fez lembrar de um trecho da obra “A raposa e as uvas” de Guilherme
Figueiredo: ” Língua”.


Que há de melhor do que a língua?
A língua é o que nos une todos, quando falamos.
Sem a língua nada poderíamos dizer.
A língua é a chave das ciências, o órgão da verdade e da razão.
Graças à língua dizemos o nosso amor.
Com a língua se ensina, se persuade, se instrui, se reza, se explica, se canta, se descreve,
se elogia, se mostra, se afirma.
É com a língua que dizemos sim.
É a língua que ordena os exércitos à vitória, é a língua que desdobra os versos de
Homero.
A língua cria o mundo de Ésquilo, a palavra de Demóstenes. Toda a Grécia, das colunas
do Partenon às estátuas de Pidias, dos deuses do Olimpo à glória sobre Tróia, da ode do
poeta ao ensinamento do filósofo, toda a Grécia foi feita com a língua, a língua de belos
gregos claros falando para a eternidade.


A língua, senhor, é o que há de pior no mundo.
É a fonte de todas as intrigas, o início de todos os processos, a mãe de todas as
discussões.
É a língua que usam os maus poetas que nos fatigam na praça, é a língua que usam os
filósofos que não sabem pensar.
É a língua que mente, que esconde, que tergiversa, que blasfema, que insulta, que se
acovarda, que se mendiga, que impreca, que bajula, que destrói, que calunia, que vende,
que seduz, é com a língua que dizemos morre e canalha e corja.
É com a língua que dizemos não.
Com a língua Aquiles mostrou sua cólera, com a língua a Grécia vai tumultuar os
pobres cérebros humanos para toda a eternidade!


Por isso, neste mundo em que a velocidade da comunicação é quase que instantânea,
independente de onde estejamos, controlar a impulsividade do que falamos ou
escrevemos parecer ser algo salutar.

As verdades, muitas vezes, não são apresentadas declaradamente, exigindo de cada um
a percepção do subtexto.
!

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