Concurso de Miss

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Concurso de Miss

​— Para com isso, cara. Você parece viver num mundo onde valores masculinos são os que ainda ditam o modo de viver de uma sociedade urbana. Passa dias e dias lendo revistas masculinas onde as mulheres ainda são objeto de consumo. Me cansei de guardar suas Playboy e Penthouse sempre espalhadas pelo chão aqui de casa. Você parece fanático em ver mulher pelada, ou em poucas roupas ou em nu artístico. Chega Ernesto! Você já está crescidinho e deveria fazer o que todos fazem. Arrume um trabalho e construa uma carreira profissional. O filho da vizinha — o Olímpio — entrou como trainee numa multinacional americana e lá pretende ser gerente nos próximos três anos.

O irmão permaneceu calado até surgir na conversa algo sobre o mundo feminino, seu tema predileto, e daí em diante ele passa a gostar do rumo da prosa. Ernesto tem 25 e o irmão 30 anos de idade e ambos ainda moram com os pais.

— Por falar na Revista Playboy — disse Ernesto — É uma pena a Editora Abril ter parado de editar desde Dezembro de 2017. Sinto muita falta em folhear todo mês as matérias especiais. Rapaz!… Era cada mulherão de corpo inteiro. Uma das últimas que me marcou foi aquela da Grazi Massafera. Tenho três estantes lotadas da Playboy classificadas pela qualidade do material.

— Eu também gosto do assunto mulher — disse o irmão — Lá pelos idos de 1970-1980, mais ou menos, contam os mais velhos, nos tempos de governo militar havia muita censura sobre tais assuntos, o que mais deixava os homens curiosos sobre o que se pretendia censurar e esconder. Também nessa época apareceram de mão em mão os famosos “catecismos”, que hoje em nossa sociedade estariam totalmente ultrapassados diante do grau de abertura e vulgarização do assunto sobre sexo explícito nos dias atuais.

— Eu como você pode ver, ainda sou do tipo antigo — disse Ernesto. — Eu gosto mesmo é de mulher e não me acostumei com estas modernidades. Principalmente assuntos como: – Menino ou menina podendo escolher o sexo até os oito anos ensinado nas escolas; — Ser moderno é aceitar como normal atitude de rapazes estarem se afeminando mesmo atrás de barbas bem cuidadas; – Aceitar com normalidade homem beijando homem ou mulher beijando mulher em público (sei ser atitude homofóbica, mas é uma dura realidade!).

— Pois é, mano, os tempos estão mudados, agora muita coisa é permitida e aceita como natural. É parte do que se chama politicamente correto, ideologia de gênero, empoderamento feminino e feminismo. Há uma espécie de lavagem cerebral coletiva provocada pela mídia em todos os níveis procurando arrebanhar adeptos a esse novo modo de viver. Se você tivesse um filho em crescimento eu diria: Cuidado! Cuide, acompanhe e amolde seu filho ao seu modo, ou esta sociedade que aí está cuidará da maneira dela — e lembre que ela é forte, insinuante e fará aquilo que poderá desgostar você –.

— O assunto sexualidade está mais fácil em muitos pontos, mas o perigo espreita cada um destes jovens que aí estão. — disse Ernesto.

— Mudando um pouco o rumo da conversa, você sabia Ernesto, que no ano passado foi eleita para Miss Espanha um transexual?

— O quê? Um traveco, como Miss Espanha?

— Sim, a jovem Angela Ponce, de 27 anos, uma transexual, foi eleita Miss Espanha. Justo no país tido por muitos como berço do autêntico macho ibérico. Ele transformou-se em mulher aos 16 anos e ganhou o título nacional diante de outras beldades ibéricas.

— Não dá para acreditar, mano. Não vou estranhar se o Pabllo Vittar ganhar concurso de Miss Brasil por aqui.

— E não para aí. Na semana passada foi disputado o título de Miss Alemanha de 2020. Lá ganhou Leonie Von Hase, uma senhora já casada, mãe de dois filhos, com 35 anos, uma idade muito alta para uma Miss. Participaram mulheres com idade superiores às da campeã, já com filhos e no concurso não teve o tradicional desfile de biquíni. O júri foi composto somente por mulheres. Isto é uma prova clara e definitiva do empoderamento feminino na Alemanha.

— É isso mesmo, o mundo está mudado e muito! Porém, precisamos falar destes assuntos somente à boca pequena, pois dizer este tipo de coisas em público é estar sujeito a sofrer um processo jurídico de homofobia, machismo exacerbado, e nos arriscarmos ao pagamento de indenização de Danos Morais.

— Então mano, ficamos de bico fechado!

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