Amazonia: Tecnologia para mais riqueza e preservação

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

A floresta amazônica está no centro de uma grande discussão global, que interessa a muitas pessoas. De um lado, muitos veem nela uma fonte de ganhos, outros querem a sua preservação.

Nessa discussão, são usados muitos argumentos. Como em qualquer outra discussão entre pessoas, podemos perguntar: não é possível fazer uma síntese entre o melhor de cada uma das duas posições opostas, que satisfaça a todos, ou à grande maioria?

Há muitos anos se ensaia respostas para a Amazônia, mais ou menos do seguinte tipo: “-Sim, devemos produzir na Amazônia bens desejados no mundo todo, cujo comércio leve riqueza aos habitantes da floresta e melhore seu padrão de vida.”

Diante dessa resposta, muitas pessoas vão se lembrar do ciclo da borracha, que produziu grandes fortunas mas também miséria e que se encerrou há cerca de um século. Nesse período, o Brasil teve o monopólio global de uma matéria-prima importante, sem a qual teria sido impossível a disseminação do automóvel. Por que o monopólio foi perdido? Há muitas páginas escritas sobre isso, mas um fato foi decisivo: surgiu no oriente um outro produtor, que aplicou a melhor ciência e tecnologia da época para produzir borracha. Fazendo isso, ofereceu ao mundo um produto que batia a borracha brasileira, em qualidade e preço. Resumo, o Brasil é hoje um pequeno produtor, e dentro do Brasil produz-se mais borracha fora da Amazônia do que no berço da seringueira, a Hevea brasiliensis. Pior, boa parte das seringueiras plantadas no Brasil é do clone chamado RRIM 600. Essa sigla vem de Rubber Research Institute of Malaysia. Ou seja, boa parte da H. brasiliensis plantada hoje no Brasil deriva de pesquisa feita na Malásia.

Diante dessa história, muitas pessoas ficam céticas, a respeito da possibilidades de se ter uma produção econômica de vulto e ambientalmente responsável, na floresta. Mas há bons exemplos e o seu número e importância cresce. Um caso atual é o do pau-rosa.

Como diz o nome, é uma árvore que contem, como qualquer outra, um grande número de substâncias químicas, com moléculas complexas. Entre essas, muitas que interessam à indústria de aromas – e aos seus bilhões de consumidores – e estão presentes em alguns dos produtos mais conhecidos em todo o mundo. Essa riqueza química do pau-rosa quase causou o seu extermínio, porque árvores eram derrubadas para se extrair os aromas da sua madeira.

Poderia ter sido mais uma tragédia ambiental e também econômica, para os que viviam do pau-rosa. A salvação surgiu de uma pergunta simples: mas os aromas têm de ser extraídos da madeira? Não podemos usar as folhas?

A resposta foi positiva. Hoje, os óleos aromáticos do pau-rosa são extraídos das folhas, que são colhidas sem destruir as árvores. Isso estimula seu plantio, na própria região de onde essa espécie é nativa. Aí vem outra pergunta: e o que mais pode ser feito, que produza os mesmos benefícios?

Essa nova pergunta tem certamente muitas respostas, mas cada uma delas deve ser respondida trilhando um caminho que passa por vários pontos: o conhecimento que os locais têm da floresta, o conhecimento que químicos, agrônomos e engenheiros podem adquirir, realizando pesquisa e experimentos; a escolha de tecnologias que permitam o máximo aproveitamento das plantas, sem produzir resíduos que prejudiquem outras plantas, animais, insetos e todo o meio ambiente; o investimento responsável que viabilize a implementação de uma nova atividade produtiva e produza lucros; finalmente, que estes não sejam simplesmente dilapidados, como foram os produzidos pela borracha.

Toda história tem personagens, que são sempre sua componente mais importante. No caso presente, destaca-se o químico Lauro Barata, que pode ser visto no Youtube:

Você também pode gostar de: