A música tipica do Brasil?

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Lendo meu Twitter na semana passada, me deparei com um post do Pedro Menezes
(@P_droMenezes), que por sinal tenho profunda admiração, fazendo a seguinte
pergunta: por que as culinárias brasileiras não têm a mesma fama internacional da
italiana, japonesa, mexicana ou peruana? (sic). Acredito ser pela mesma razão de que
não temos uma identidade musical única tal como o Rock inglês, o Jazz americano, ou
ainda a Salsa caribenha. Pode-se dizer que o Samba é o ritmo típico brasileiro? E onde
colocaríamos a Bossa Nova, o Axé, o Frevo, o Pagode?
A história da típica música brasileira tem início nos anos 1870 com o Choro que era
tocado nas ruas do Rio de Janeiro. Joaquim Callado foi o pioneiro. O Brasil vivia uma
época de grandes avanços culturais que culminaram na semana da arte moderna em 1922.

Antes disso em 1917, Donga e Mauro de Almeida lançam o primeiro produto
fonográfico com o nome de Samba: “Pelo Telefone”. Em 1928 é fundado o bloco
carnavalesco “Deixa Falar”, que seria a primeira escola de samba do Brasil.
Em 1936 é fundada a Radio Nacional, dando partida para a era de ouro da rádio
brasileira nas décadas de 1940 e 1950. Em 1937 perdemos Noel Rosa aos 27 anos de
idade. Em 1945, Luiz Gonzaga chega com o seu Baião e encanta o Brasil. Dodô e
Osmar criam o trio elétrico em 1950 e em 1958, João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de
Moraes criam a Bossa Nova. O mundo não seria mais o mesmo.


Em 1964, o Regime Militar embrutece os corações poéticos e motiva o gênero MPB
Engajada. Músicas de cunho social e político pipocam nas gravadoras. Apesar da
criatividade para driblar a censura, muitos versos foram vasculhados e artistas exilados.
Os grandes festivais aparecem em 1965 e junto com eles Edu Lobo, Elis Regina, Chico
Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e tantos outros.

A guitarra elétrica chega cindindo os artistas. Em 1968, Caetano, Gal, Bethânia, Nara,
Tom Zé, os Mutantes e o maestro/arranjador Rogério Duprat lançam o álbum Tropicália.
Em 1970, Chico Buarque volta do exílio e começa uma produção em série de obras
primas. Dentre elas, Apesar de Você, O que será, que será, Construção.


Em 1972, Milton Nascimento lança “Clube da Esquina com artistas mineiros Lô Borges,
Toninho Horta, Flávio Venturini, adicionando uma esfera harmônica rítmica e melódica
à música brasileira. Em 1984, a campanha das “Diretas Já” reacende a esperança.

Grupos de rock brasilienses e paulistanos tomam conta do gosto juvenil. Paralamas do
Sucesso, Titãs, Legião Urbana, Ira, Nenhum de Nós explodem na música nacional.


A década de 1990 foi marcada por diversos ritmos, fruto da liberdade cultural promovida
pela redemocratização. Surge o Sertanejo, embalando um Brasil romanceado e
novelista; em seguida o Pagode, criado por Adoniram Barbosa, recebe a releitura do
Raça Negra, Só Pra Contrariar e Negritude Jr. Em 1992, Daniela Mercury lança O Canto
da Cidade e traz ao maior centro financeiro da América Latina a música baiana e seu
balanço. Na mesma linha apareceram Banda Beijo, Ivete Sangalo, Banda Mel, Araketu.


Junto com o balanço baiano veio também uma excessiva sensualidade que deu origem
a músicas escancaradas tais como “É o Tchan” do grupo Gera Samba. Em 1995, o Rock
brasileiro mistura vários ritmos e lança Chico Science e Nação Zumbi, o bem humorado
Mamonas Assassinas, e a crítica social do O Rappa e Planet Hemp. Em 1997, Racionais
MCs através do RAP, ampliam a crítica social perdida do Samba e do Rock com o
passar dos anos. A voz do povo representou o boom do mercado independente,
atingindo marcas de vendas impressionantes. Na década de 2000, o Funk carioca
explode no Brasil, usufruindo de uma rítmica do folclore brasileiro, dos passos de dança
sensualizados e de um texto cujo exagero extrapola a baixaria.


Num país continental como o nosso, povoado por inúmeros povos diferentes entre si,
era de se esperar um menu poli gênero e riquíssimo em notas, palavras e ritmos. Fica
assim difícil escolher a música típica do Brasil. Mas pra que ter apenas um ritmo
característico? O Brasil é essa mistura; e é exatamente dessa mistura que sai o nosso
ritmo típico: a alegria, a esperança e a criatividade. Que venham os novos ritmos.


Eduardo Ferreira, engenheiro de formação, mestre em administração de empresas,
estudante de psicanálise, pai do Antônio e do Henrique e apaixonado por música.

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